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Quinta-feira, Novembro 30, 2006


De tudo ao meu amor serei atento.. Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto.. Que mesmo em face do maior encanto.. Dele se encante mais meu pensamento. Vinicius de Moraes - Soneto da Fidelidade

O pré-vestibular é parecido com o colégio. Talvez porque seja no colégio também. Na mesma sala. Só as pessoas que mudam.. e nem tanto assim. O mais bacana é estudar à noite. Espero que, assim que entrar na faculdade, possa estudar à noite. Não aguento acordar cedo pra ir pra aula.

No intervalo das aulas, saio com alguns amigos pra comer alguma coisa lá fora, porque a lanchonete do colégio não funciona à noite. E o lugar mais perto é onde vende um hamburguer terrível, que meus amigos adoram. Como eu não tenho muita escolha, tenho que comer por lá mesmo. Já insisti pra mudarmos, porque eu também não quero ir comer sozinho em outro lugar, pois assim perco as conversas..

- Que tal se a gente for naquele lanche ali perto?
- Muito caro.
....
- E se a gente for naquele..
- Muito longe..
....
- Po, esse sanduíche é ruim pra caralho!
- Eu gosto..
...

Desisti. Enfio tudo goela abaixo e pronto. Meu estômago que se acostume. Geralmente a gente passeia um pouco pelas redondezas, jogamos conversa fora e voltamos 20 minutos depois do término do intervalo.
Só que aí "encontramos" um SESC ali perto. Tem uma biblioteca, algumas salas vazias e... um cinema! Um pequeno cinema. E descobrimos que todas as noites, logo após o intervalo do colégio, são exibidos alguns filmes. Dependendo do filme, já nem voltamos mais para o pré-vestibular. Assistimos e vamos direto pra casa depois. Tudo bem que a gente já não estuda tanto, mas.. precisavam colocar um cinema, de graça, tão perto? Dia desses passei a ver tudo por um bom ângulo. O cinema também ensina. Dia desses, por exemplo, estava passando o famoso filme do Pelé. Digo "famoso", porque é famosa a expressão do Chaves "Preferia ver o filme do Pelé." Pois é, nós também. E, ao invés de assistir uma aula chata de química, saímos todos conhecendo a incrível carreira e os maravilhosos gols deste gênio do futebol.

Outro dia, a sessão terminou bem antes do normal e caiu uma baita chuva. Aí tivemos que tomar um belo banho até chegar ao colégio. Mas é o preço que se paga pra ter acesso à cultura.

Dia desses, numa dessas idas ao cinema, avistamos uma bela garota. Eu, Renato e Augusto. O Pablo e o Márcio faltaram, e o Samuel achou melhor ir pra aula. Ah sim, vocês não conhecem nenhum deles, com exceção do Augusto. Pois bem, são estes meus companheiros do pré-vestibular. O prazer é todo deles.
Mas falávamos da bela garota.

Ela estava parada ali no hall de entrada, olhando alguma coisa no mural. Cabelos castanho-claros, olhos verdes, alta. Um deleite para os nossos olhos. Mas, como era "muita areia pro nosso caminhão", e não poderíamos fazer nada além de admirar, achamos melhor entrar logo na sala e não perder o filme. "Os sonhadores". Já tinha ouvido falar, mas não sabia do que se tratava. Nas primeiras cenas vi um grupo de estudantes, vi uma manifestação. E vi a Eva Green! Pronto, não importava se o filme era bom, já havia um bom motivo para assisti-lo. Haviam poucas poltronas vazias e não consegui sentar perto dos meus amigos. Procurei um lugar ali atrás e achei. Olhei pro lado direito e havia um sujeito meio.. err.. afeminado. Sorrindo. Sorrindo pra mim. Virei rapidamente a cabeça pro outro lado.

Começaram algumas cenas mais quentes. Eva Green pelada. Ó, céus! Na verdade, a coisa era bem mais impactante: a sua personagem estava dormindo na mesma cama com o irmão, também peladão. E um amigo, que eles haviam conhecido no mesmo dia e já estava hospedado na casa deles, observava a cena, surpreso. Em outra cena, o irmão safadão está se masturbando na frente da irmã e do amigo, por "ordem" da irmã. O gay, sentado do meu lado direito, pega na minha mão. Olho pro lado. Ele me olha com um "olhar 43", aquele assim, meio de lado, louco por mim. Fico constrangido com a situação, me levanto e vou saindo. Mas antes que eu dê um passo, lá vem ela. A bela garota que eu admirava com meus amigos minutos atrás.

Ela dá um meio-sorriso pra mim. E que beleza de meio-sorriso! Resolvo me sentar novamente. Ela fica do meu lado esquerdo. Mentalizo no meu pensamento: "Não olhar pro lado direito. Não olhar pro lado direito. Não deixar minha mão de bobeira."
Dou uma olhadinha rápido pra deusa. E ela responde o olhar. Nossos rostos ficam tão próximos, que me bate aquela velha e malfadada timidez. Fico vermelho e olho pra frente. Mas noto que ela continua olhando pra mim. As cenas do filme ficam mais fortes. Sexo explícito.

- Qual seu nome?

Fico olhando pra tela, e confirmo que o filme não era dublado e nenhum dos personagens falava português.

- Hein?
- É.. é... João..
- Prazer, meu nome é Marina.
- Pra-prazer.

Fico sem reação.

- Quer pipoca?
- Ahn?
- Quer pipoca?
- Nã-não, obrigado.
- Hehe.

Ela tá rindo. Deve estar rindo da minha cara. "Que mané, fica gaguejando só porque tá falando comigo!". Mas, mesmo me sentindo assim, o meu ego começa a inflar. Será?

- Quer halls?
- Não, valeu.
- Você não aceita nada que eu queira te dar?

Fico mais vermelho que minha camisa do Manchester United. Com um filme daqueles passando, uma menina tão linda dizendo algo que parecia ser dúbio, eu mal sabia como me comportar. Até que recebo um papelzinho branco, onde está escrito.

"Te achei muito lindo. Anota seu telefone aqui.."

E não era da menina.
Um espírito diabólico toma conta de mim e tenta contornar a situação.
Procuro no meu celular o número do Leonardo e anoto no papel. Entrego pra ele e pisco o olho direito.

Volto a assistir o filme. Uma cena mais romântica aparece. Tudo bem que é um incesto romântico, mas me lembra alguém que estava longe dali. Uma menina linda e me dando bola, ao meu lado, e eu pensando na Lia. A alegria dá lugar para a tristeza. E pouco tempo depois, a menina resolve ser mais direta.

- Você tem namorada?
- Ahn? Tenho..

TENHO? QUEM, MEU DEUS? QUEM? Não sei como respondi isso. A vontade é de dar um soco na minha cara. Recebo outro papelzinho.

- Pega o número do meu celular. Me liga algum dia. Tenho que ir.

E ela se vai. E eu fico ali um tempinho pensando. Que besteira que eu tô fazendo. O filme acaba, e eu saio logo, quase correndo. Eu havia piscado o olho e dado o meu suposto telefone pro cara do meu lado, era provável que ele viesse atrás de mim. Não é que eu seja homofóbico, só não é minha praia. Avisto meus amigos e comento.

- Vamos logo que eu tô atrasado!
- Calma aí cara, vamos esperar pra ver se aquela gatona não aparece..
- Ela já foi! Ela me deu o telefone dela.
- Tua bunda!
- Vamos logo!
- Por que a pressa, cara?
- Tá vendo aquele gay ali olhando pra cá? Ele também me deu o telefone dele. Simbora!

E assim terminou mais um dia do pré-vestibular.
Enquanto aguardava meu pai vir me buscar, vi um orelhão ali perto.
Fui até lá e liguei..
Pra ela. Ficava feliz de ouvir aquela voz.

- Alô?
- ....
- Alôô?

Coloquei o fone no gancho e fiquei refletindo.
É, minha gente. O ano tá acabando, as aulas estão acabando. Fora do colégio, dificilmente eu vou conseguir ter contato com a Lia. Então vocês podem aguardar por algum desfecho, porque eu já não aguento mais guardar isso aqui dentro.

João Eduardo l 5:37 PM l

Quarta-feira, Novembro 29, 2006


Avisando e pensando

Acho que alguns leitores que falam comigo já sabem, mas para que todos tenham a informação, lá vai: eu me mudei para o Rio de Janeiro faz algumas semanas - quase 2 meses, aliás.

Aqui é sensacional, sensacional. Se um dia eu voltar para São Paulo, vai ser por trabalho ou sei lá, por eu ter engravidado alguma filha de chefe do tráfico de drogas aqui do Rio de Janeiro. Como a segunda possibilidade é bem pequena - tipo zero -, então creio que eu fique aqui no Rio por um bom tempo.

Agora eu moro sozinho, hell yeah. Quer dizer, sem meus pais. Divido o apartamento com uma amiga. Amiga amiga, ok? Amiga amiga. Amiga do tipo que, sei lá, que eu posso ver pelada que não penso em nada.

Mas é claro, eu evito vê-la pelada porque eu sei que acabo pensando em alguma coisa. Se tem nego que vê a MÃE pelada e já fica meio "Quem sabe... essa coroa é jeitosinha", acho totalmente normal pensar em pular em cima da colega de quarto pelada. Então eu evito.

Por enquanto tem tudo corrido bem aqui e eu tento dar um pulo em São Paulo a cada 15, 20 dias. Mas esses pulos vão tendo cada vez mais hiatos. E com isso eu deixo as coisas ruins e as coisas boas para trás. Inclusive, isso, a minha quase cliente de utensílios sanitários. É a vida.

Mas me mudei porque achei que seria divertido. Só por isso. E não vale a pena mudar só por que é divertido?


Quarta-feira, Novembro 22, 2006


O ano tá acabando e eu preciso ao menos pensar nas maneiras possíveis de me dar bem nas provas, já que eu não estudo, por isso o tempo é curto. Eu tenho um post novo pra vocês, falando do pré-vest, vou publicar hoje ou amanhã.
Palavra de político!

Atualizado:

Vocês acreditam que eu fui editar o texto e percebi que havia perdido metade dele?
Vou ali me matar e já volto.


João Eduardo l 3:09 AM l

Segunda-feira, Novembro 20, 2006


Utensílios Domésticos - Parte 2

E no dia seguinte, eu fui ver a Patrícia.

Hoje em dia estamos casados. 2 filhos. Um se chama Pedro e a outra se chama Tabela Periódica Toda Coloridinha.

Ok, vá, não demorei tanta assim para atualizar.

O fato é que no dia seguinte, eu fui na tal festa assistir a banda dela, e quem sabe, você sabe, (alguém sabe?), falar com ela com mais calma numa noite de punk rock sujo e gritado. Parece até aquelas comédias do Hugh Grant.

Me arrumei, mas não demais. Fui normal. Mas não tão normal. Tive a idéia de usar um terno todo rasgado.

Fiz uns ROMBOS aonde fica o cotuvelo, manja? Ficou massa. Meti um broche dos Sex Pistols e um da Spice Girls, porque dava um contraste bacana e as pessoas iam pensar que isso é atitude.
Eu nem sei o que aquela atitude ali era, mas as pessoas iam pensar... "Wow. Revolucionô o cara. Subverteu os conceitos estéticos, transgredindo a própria moda punk com elementos pop."

"Viado" - ou então diriam isso. "Mas que puta viado."

Cheguei na festa cedo, mas não muito cedo, apenas o suficientemente cedo para ver o sol se pôr e acabarem de desvirar as cadeiras.

É, eu tenho esse defeito. Eu não consigo ser um festeiro tão legal quanto a Paris Hilton. Eu chego REALMENTE cedo. Se me convidam para uma festa de Reivelón, eu vou vestido de Papai Noel, porque, bem, eu vou chegar dias antes mesmo. Hohoho.

Quando o bar abriu, eu pedi uma cerveja para entrar no clima. Tomei 2, 3. Pedi um ABSINTO. E fui matando tudo.

Infelizmente, não havia clima para entrar, pois as pessoas não haviam chegado ainda e eu já estava completamente bêbado e sem clima. Que merda, como eu consigo estragar as coisas assim?

Resolvi sentar quietinho numa cadeira e pedir só refrigerantes, na tentativa deles irem cortando o efeito da birita, ou algo do tipo. Enquanto ia compensando todo o álcool com miligramas e miligramas de açúcar, as pessoas foram chegando - na verdade, já haviam chegado, eu que não notei enquanto estava brincando de rodar palito de dentes no nariz.

E então, chegou a Patrícia com o pessoal da sua banda. Ela estava realmente linda e não se tratava duma "miragem de banco". Seja lá que porra isso for. Acho que é algo relacionado ao fato de no banco, tudo ser tão entediante, que qualquer coisa razoavelmente boa, se torna maravilhosa. Mas não era o caso dela, ela era realmente maravilhosa.

- E aê, meu.
- Haha então, e aí. Só. Só. E aê... só.


Não sei se era o efeito do álcool ou minha timidez pela situação, mas eu estava agindo tipo aquele menino da campanha anti-drogas, manja? Aquele que puxava o brinco e se ouvia uma descarga.

- Qual é o seu nome, aliás?
- Max.
- Max?
- Mentira.
- Qual é?
- Maximiliano. Mas eu prefiro Max.
- Dá para entender.
- Quer beber alguma coisa?
- Você tá me paquerando... ou na verdade, VOCÊ quer beber alguma coisa e me chamou só para não me deixar aqui falando sozinha?
- As duas coisas.
- Já é um bom começo.


Fomos pro bar. Pediu cerveja. Achei legal ela não pedir um desses drinks coloridos. Eu realmente ia pedir mais uma cerveja, mas achei melhor não. Primeira boa idéia no dia todo. Talvez no mês.

- Então Patrícia, eu acho que tô só te paquerando.
- Gozado você falar assim.
- Assim como?
- Assim... sabe, "tô te paquerando". Geralmente quem está paquerando, não diz essas coisas.
- Ah, haha. Eu entendo. Foi um dos truques que eu aprendi com o Joey, na época que...
- ... seu pai vendia privadas para astros do rock.
- Exato!
- É óbvio que você tá mentindo.
- Sabe o que eu gosto em você, quando afirmar que isso é mentira?
- O quê?
- É que você acredita, e não se conforma com isso.
- Touché, mutherfucker.


Quem essa mulher é para me chamar de "mutherfucker"?

Ela não pensa é nada. Ela sabe exatamente.

Mexeu no meu cabelo e disse "Vou ali. Vou rockar. Não foge, rapaz. Quero comprar uma privada depois."

Eu honestamente não lembrava da última vez que havia conhecido uma menina tão foda quanto ela. Sabe, alguém que no flerte, se deixa levar, mas de vez em quando te dá umas porradas? Vocês entendem o que eu tô falando ou é papo-de-gamadinho?

Subiram 2 bandas fracas. Depois uma boa. Encontrei um "amigo de internet" muito sem querer, e de uma forma bem peculiar. Ficamos conversando um pouco. Era o Vinícius, gente boa, gente de fé. Fã de Ramones e Steven Seagal. O louco é que no ICQ, no orkut, Myspace, o diabo, ele usa umas fotos de um cara branco, mas o Vinícius é negro. É algum tipo de piada, até agora não entendi exatamente. E eu só fui saber disso ali. Quase não acreditei que era ele, precisou rolar um lance meio "coisas que só nós sabemos". Tipo Ghost, aquele filme da Demi Moore.

Mas então, enfim veio a banda dela. E no palco, foi um lance meio de "deusa" para mim. Ela às vezes olhava para mim por segundos intermináveis e depois desviava olhar, para tomar uma atitude blasé, olhando para o nada. E depois bebia uma cerveja num copão de plástico e coçava a cabeça. Sabe, eu devia tá muito encantado, porque aquilo tudo parecia lindo. E não esqueçam que eu havia bebido pra caralho mais cedo.

Acabou o show, e eu fui lá para fora. Gosto de sentar na calçada durante a madrugada. Eu gosto desse clima meio tosco da cidade. Mendigo, puta, traveco, viciado em crack, e eu ali...

... com muito medo daquela porra toda! Levantei na hora e fui andando rapidinho para dentro do clube!

Mas aí a Patrícia saiu. Tinha tirado a jaqueta. Tava de jeans e uma regata branca. Veio andando séria para mim. Fui cortar o gelo enquanto ela caminhava:

- Hahaha vocês foram tão bons, que tô pensando em patrocinar a banda toda, com privadas. Daí vocês só precisam falar na MTV que usam as privadas da Rock-Toilett, as privadas que até os rock-...

Me deu um beijo.


Sábado, Novembro 18, 2006


..Let's make love.. and listen to..

Peraí. CSS não.

I may not always love you.. but long as there are stars above you.. you never need to doubt it.. Beach Boys - God only knows

Tô em época de provas no colégio. O ano tá acabando, o vestibular chegando, sabe como é. Então vamos deixar a Lia um pouco de lado e narrar o que ocorre além disso. Afinal, eu não vivo só por ela, claro.
Estou lá fazendo o simulado e o Daniel cutuca as minhas costas.

- Ei.. psiu..

Certifico-me que o professor não está olhando e resmungo.

- "Quié"?
- Passa o gabarito.
- Tô naquele nosso velho esquema cristão.
- Qual?
- "C" de Cristo e "D" de Deus.
- Fudeu, eu também.

A carteira vazia na minha frente complica mais as coisas. Favorece a visão do professor para as minhas tentativas de contato visual e verbal com o pessoal em volta. E é uma pessoa a menos, que poderia estar me fornecendo informações se estivesse sentada ali. Coloco a mão na testa e tento invocar o espírito de Chico Xavier. De tanto pensar que estava ferrado, eis que Deus atendeu as minhas preces, manifestadas ao marcar a prova pensando Nele. O professor chama o Paulo Henrique.

- Paulo, vem cá. Esse povo atrás de ti tá colando muito, senta aqui.



O professor aponta a cadeira à minha frente, e o Messias vem chegando.
Paulo Henrique é o cara mais CDF do colégio inteiro. Minha vontade é de levantar as mãos pra cima e abrir um sorriso, mas me contenho e faço cara de quem estuda. Sim, eu sou ótimo ator, como vocês já devem ter percebido.

O Daniel me cutuca fervorosamente.

- Aee! Agora pega tudo!

Resmungo um "hum", e me concentro para tentar pegar o melhor ângulo de visão da prova do Paulo.
Depois de tentar colar as questões, percebo que ele tem dúvidas em algumas, por marcar mais de uma opção, e acabo achando melhor esperar ele passar para o gabarito, que é coisa certa e definitiva.
O tempo passa, mas eu não tenho a moral, por não conhecê-lo direito, e nem a cara-de-pau de pedir com todo carinho para que ele seja breve de uma maneira sutil: "ANDA LOGO, DESGRAÇA!".

45 minutos depois, eis que ele pega o gabarito e começa a anotar. Ajeito o pescoço, me mantenho ereto, e tento olhar, disfarçadamente, as respostas. O ângulo não é lá dos melhores, mas dá pra pegar. Vou marcando direto no gabarito, pra não perder tempo. Está quase no final. Já começo a imaginar como vai ser bacana aparecer entre os primeiros na classificação geral. Até que, subitamente, ele pára.

Ele pára.

E eu paro também.
Eu olho pra ele, mas não sei o que dizer. Ele nem sabe que eu tô colando. Ele olha pro professor. Levanta a mão e o chama.

O professor vem se aproximando e eu volto a fazer a minha cara de CDF.
Olhando fixamente pra prova, apenas ouço.

- Eu errei o gabarito, será que o senhor poderia me dar outro?



O meu espírito se levanta da carteira, o agarra pelo pescoço, grita "SEU INFELIZ, COMO É QUE VOCÊ FAZ ISSO?", e depois o enche de porrada. Mas meu corpo permanece inerte. Pedir outro gabarito agora seria deveras suspeito. Respiro fundo e resolvo, dessa vez, copiar as respostas na prova.
Tarefa trabalhosa e cansativa. Chego a pensar que seria mais fácil ter estudado. Mas logo termino, e o Paulo se levanta e vai embora.

Agora é tempo. O Daniel me passa um papelzinho pra que eu coloque as respostas. Mais trabalho, mas é bom, porque ajuda a passar o tempo. Preciso enrolar tempo suficiente pra poder pedir outro gabarito sem soar tão suspeito.
O professor vem andando e anuncia:

- Faltam só 10 minutos. Vamos lá, galera.

Simulo que estou muito nervoso, e vou copiando tudo no gabarito. E então digo, em voz alta.

- Ah não..

E coloco a mão na cabeça.
Para minha sorte, o professor escuta.

- O que houve, João?
- Fui marcar apressado e errei. Você podia me dar outro gabarito?
- Claro, João.
- Obrigado, professor!
- Você tem cara de CDF, rapaz. Aposto que vai estar entre os primeiros da sala.
- Também..

O bom senso e a "humildade" puxam minha orelha..

- Também não é pra tanto né..

Termino de marcar as questões e saio feliz da sala.
Agora é só esperar o resultado e saborear a glória.

*

Alguns dias depois, lá está a lista, pregada no mural. O meu 3º lugar não é exatamente uma surpresa. O que me causa espanto é o segundo: Paulo Henrique. E me assusta ainda mais o 1º.

"1º - Daniel Franco"

Não me perguntem como isso aconteceu.

Fico um tempinho ali perto do mural, esperando os cumprimentos. A Lia está por ali. O Fred percebe e, mesmo sabendo que eu só estava tão bem posicionado por causa da malandragem, exclama:

- Caralho, João!
- Hê.
- Você é CDF mesmo! Parabéns meu velho, quando crescer quero ser igual à você.

O Paulo Henrique olha um pouco de lado pro Daniel. Imagino que esteja se roendo de raiva por não ter sido o primeiro. Eu acho tudo muito engraçado. Se eu estivesse em último lugar, talvez ficasse chateado. Mas eu sou o 3º! Tenho mais é que achar tudo engraçado mesmo.

*

Mais tarde eu conto pra vocês como está sendo a vida no pré-vestibular.

João Eduardo l 5:17 PM l

Domingo, Novembro 12, 2006


Olha só! A Ana e a Priscyla criaram uma comunidade pro nosso blog no Orkut. Entrem lá!

Clique aqui ó.

Voltamos já. Paz no coração de vocês.

João Eduardo l 3:43 PM l

Terça-feira, Novembro 07, 2006


O Max pegou Caxumba. Por isso a ausência dele por estas bandas.*

*

Escrever neste blog é como escrever uma novela. Baseada em fatos reais. Vou escrevendo capítulo por capítulo , e o público vai acompanhando e comentando. A diferença é que eu não faço idéia de que rumo essa novela irá tomar. Sou tão curioso quanto vocês pra saber como será o "final". Porque taí uma coisa que devo dizer: este blog terá um final, claro. Talvez porque a história vá se prolongar tanto que vocês ficarão cansados de acompanhar. Ou porque eu finalmente ficarei com a Lia, e aí o tempo que eu gasto escrevendo aqui, usarei com ela. Ou ainda porque irei jogar a toalha e desistir.

Acho que isso deixa as coisas mais interessantes pra quem visita este blog. Independente do final, eu e o Max já chegamos a imaginar isso aqui se transformando em um livro. E até numa minisérie ou filme, sabe-se lá. Um pouco exagerado, mas essas coisas passam pela minha cabeça.
O namorado da Lia foi sim ao cinema. Embora tenha ficado triste, é complicado desistir. Motivos não faltam, eu sei. Mas é difícil. Quem já se apaixonou sabe como é complicado esquecer. Ainda mais quando não se tem coragem de ser direto, de falar e esperar uma resposta, seja boa ou ruim. Então vou seguir tentando. Dizem que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura".
E aguardem os próximos capítulos!

* Ok, inventei a "caxumba" do Max, mas tinha que pensar em algo pra explicar o sumiço. É só vocês fingirem que acreditam e desejarem melhoras pra ele.

João Eduardo l 5:48 PM l

João Eduardo, 17, estudante do 3° ano, pré-vestibulando. Finge que estuda, mas quando vai pra aula fica o tempo inteiro explorando o planeta Marte. Não é a toa que se sente um ET.

Max, 17, trabalha na locadora do seu tio e cursa 1° ano de jornalismo. Com certeza o trabalho na locadora é mais divertido que a faculdade, ele crê.

Em comum, nós temos várias coisas: gostamos de indie rock, somos inseguros quanto ao nosso futuro e.. nunca namoramos ninguém. Isso mesmo, por mais bizarro que possa parecer. Mas estamos correndo atrás, não pretendemos morrer cabaços.

Essa aventura você acompanha neste blog, atualizado diariamente.

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