Me disseram que você estava chorando.. e foi então que percebi, como lhe quero tanto. Legião Urbana - Quase sem querer

Depois eu explico.
* * * * *
Vou criar um orkut, só para adicionar leitores e leitoras do Tempo Perdido. O motivo de ter um orkut próprio só pra isso é pra tentar continuar mantendo em "segredo" a existência do blog, já que nenhum dos meus amigos ou conhecidos sabem de sua existência. Brevemente postarei o link aqui.
Gosto muito de saber quem visita, se você vem por aqui, deixe um recado..

If I could, you know I would just hold your hand.. and you'd understand, i'm the man who loves you Wilco - I'm the man who loves you
E eu ia contar a história da minha ida à vidente, mas antes eu..
Ok, "enrolations no more", vou contar a história da vidente. Antes que eu me esqueça.
Era uma segunda como outra qualquer na vida de João Eduardo.
05:00 - Saio da internet, como alguma coisa e vou pra cama dormir.
06:00 - Estou no meio de um sonho sexual, e acordo com o despertador tocando.
06:01 - Desligo o despertador e tento voltar ao sonho a tempo de ainda dizer "SIM", quando a go-go-girl me pergunta "Você quer ir ali?". Sem sucesso.
06:10 - O despertador toca de novo. É um despertador eletrônico inteligente, adaptado pra gente como eu, que costuma desligá-lo na primeira vez em que ele toca, dizendo "vou dormir só mais 5 minutinhos.." Embora ele seja inteligente, eu não sou, e desligo-o novamente.
06:20 - Quem chama desta vez é o bom e velho "despertador-pai" que, com toda sutileza, bate dócilmente 10 vezes na porta "sussurrando", num tom de voz um pouco alto: "ACORDA MENINO, VOCÊ TÁ ATRASADO! BORA, ANDA!".
07:10 - Vou chegando no colégio, ainda pensando em como seria bom se tivesse uma cama na sala de aula. O diretor fala alguma coisa pra mim, que eu já nem lembro do que se trata, com uma cara não muito amigável, e eu respondo com um "Bom dia pra você também.".
08:00 - Olho pra professora e tento não dormir.
08:30 - Uma bola de papel atirada na minha cabeça, enquanto eu cochilava, me lembra do que eu estava tentando não fazer há 30 minutos atrás. Eu olho pro lado e tá todo mundo com cara de santo. Atiro a bola de volta no primeiro que dá um sorrisinho.
12:30 - Saio do colégio.
13:00 - Almoço.
13:30 - Vou dormir um pouco.
13:35 - A Paulinha me liga.
- Joãoooo! É hoje hein! Tá pronto?
- Grmshsh.
- Beleza então! Tô passando aí pra gente ir.
- Hnmsmss.
Tomo um guaraná, dois copos de café e um calmante. É que, sabe-se lá porquê, o calmante faz o efeito contrário em mim, e me deixa ligadão.
E fomos, finalmente. Eu, Paulinha e uma amiga dela que eu não conhecia, a Camila. No caminho, a Camila, única que já tinha ido lá, narrou suas experiências e as de suas amigas. Após ter ido duas vezes, ela virou uma espécie de representante da cartomante, levando alguns amigos toda semana para o local. Eu, sempre incrédulo, não via com tanta surpresa as milhões de supostas previsões certas no currículo da vidente, que a Camila narrava detalhadamente e a Paulinha ouvia esperançosa, esperando que também pudesse ouvir o que mais queria. Independente da pergunta, a resposta mais agradável é sempre "Sim." Sim! Firme, convicto. A menos que você pergunte se algo ruim vai acontecer, o que é pouco improvável, porque você morre de medo de ouvir um "sim" como resposta.
E chegamos. Eu esperava encontrar uma casa bem humilde, talvez até com uma fachada sombria e misteriosa. E encontrei uma casa de classe média, com dois carros na garagem, que não parecia nem de longe com aquilo que eu imaginava. Fazer vestibular pra quê? O negócio é entrar no ramo de previsões.
Eu nem vi a mulher, mas logo que entrei já ouvi uma voz, vinda do além:
- "Pode vir."
Pode vir? Quem? Já? Fingi que olhava algo no celular.
- Vai lá João! Vai primeiro.
- O quê? Hein?
- Arrr! Tá, eu vou.
E lá foi a Paulinha. Que menina de coragem. Sentou-se numa mesa junto com a vidente, chamada "Gleuda". Não era visível do ponto onde eu estava sentado junto com a Camila, mas podíamos ouvir um pouco da "consulta". A Camila não parava de narrar os fatos sobre a vidente e sua boa fama. Em um dado momento eu fiquei pensando se ela não era uma representante oficial ou algo do tipo..
Quando ela parou um pouco, a cartomante falou:
- Mas se ele brochar, não se preocupe.. isso acontece. É normal.
A gente, até por respeito, precisava fingir que não tinha ouvido nada, mas é fato que ouvimos, e não deu pra segurar a risada, cujo motivo foi questionado horas depois pela Paulinha. E aquilo atiçou ainda mais minha curiosidade e me deixou ainda mais ansioso. A mulher falava até sobre a vida sexual! O que diria ela sobre mim? "Certo, vamos falar sobre sua vida sexual. Hum.. hum.. Ahn.. Tem algo errado aqui, eu não vejo nada."
45 minutos depois, acabou a sessão da Paulinha. Fiquei esperando que a Camila fosse, mas soube que ela só foi nos levar até o lugar, e que não iria se consultar. É, não tinha jeito. Era a minha vez.
Observei o ambiente e, novamente, nada de anormal. A cartomante parecia com uma tia minha, e não usava nenhuma roupa estranha. Simpática e engraçada, ela me deixou bem à vontade. Eu não parava de rir, só imaginando o que seria dito ali.
- Ok. Escolha uma flor.
- Hm.. É que eu não conheço muitas flores, sabe?
- Não se preocupe, escolha qualquer uma aí, é só pra eu poder iniciar..
- Hm.. Uma rosa!
Pronto. Que significado teria aquilo? Escolher uma rosa me descreveria como um rapaz romântico ou como um gay que ainda não descobriu sua sexualidade? Ela separou as cartas, pediu pra eu "cortar" em 5 ou 6 partes, e começou a falar. Eu era apenas um ouvinte. Até porque havia sido aconselhado a não comentar nada e fazer cara de paisagem, pra ela não achar que estava acertando nas coisas que falaria sobre mim. Eu não parava de rir. Fora isso, enganar e fingir são algumas de minhas especialidades.
- Você é o rei da mentira!
Em meio a tantas frases, isso me chamou a atenção. Como assim? Ela já me chegava com essa? E como fica minha credibilidade? Eu não vivo mentindo, oras, só minto quando necessito..
- Mas veja bem, isso não é ruim, pelo contrário. É uma grande qualidade! É algo que pode ser bem aproveitado, tanto na sua vida pessoal, quanto profissional. Você só precisa saber usar.
Novamente: Pra quê fazer vestibular se eu tenho talento pra política?
- E a safadeza está no sangue, isso não tem como tirar. É, meu amigo, quem nasce assim fica assim pra sempre..
Mas hein? Continuava rindo. Dessa vez do absurdo que a mulher me falava. Safadeza? Um cara que ignora todas as mulheres à sua volta e só tem olhos pra uma, é chamado de safado? Ou eu era um safado e não sabia? Já começava a imaginar que daqui a alguns meses eu não escreveria mais um blog romântico, e sairia pegando uma menininha nova por dia. Minha safadeza estava no sangue, eu só precisava ir pras festas e aproveitar.
- Mas "benzadeus" hein! Você na cama.. nossa senhora!
Ponto! Eu era um safado bom de cama. E eu aqui perdendo meu tempo com essa balela de "amor"..
- Mas.. Agora vamos falar sobre essa menina aí que você gosta.
Parei de rir um pouco. Agora queria ouvir tudo atentamente.
- É.. ela não vale nem o chão que você pisa! E, cá entre nós, eu acho que isso não é amor não. Vai acontecer, mas você vai ver que não era nada daquilo que você esperava. Mas você é um safado mesmo, aposto que nunca amou na vida..
Novamente, ela dava combustível pra minha incredulidade. Ela não podia estar falando da Lia. E nem de mim. Mas, ao menos, era engraçado o jeito como ela falava. Sem meias palavras, me xingando mais que tudo. Parecia uma amiga, bem íntima. Mas uma amiga que sabia muito de mim. Mais do que qualquer outra pessoa. Porque, apesar de ter narrado essas coisas que não "batem" com a realidade, ela falou muita coisas que fazem todo sentido. Por questão de espaço, pra não deixar o texto muito longo, e de privacidade, porque pelo menos um pouco eu preciso ter, resolvi não contar tudo por aqui, só as coisas mais importantes.
Recapitulando: eu era um safadão mentiroso e bom de cama, a Lia não valia nada, e eu nunca havia amado alguém de verdade. Muito bla-bla-bla depois, chegávamos perto do fim da consulta.
- Agora chegou aquele momento em que você pode tirar as dúvidas que restaram. Você pode escolher cinco perguntas. Então você vai escolher cinco cartas e fazer uma pergunta, mentalmente, pra cada carta que será virada.
- É só "sim" ou "não"?
- Só "sim" ou "não".
Rá. Ela não diria nomes, não era tão confiável. "Sim" ou "Não" é loteria. Embora tivesse acertado 80% do que falou, os 20% restantes é que valiam mais pra mim. Então eu continuava não acreditando em nada. Mas essa história de fazer uma pergunta na mente e tê-la respondida, possivelmente, de maneira correta, me deixava bastante curioso. Escolhi as cinco cartas. Antes que ela virasse a primeira, eu pensei numa pergunta. E disse "Ok, pode virar."
- É. Com certeza não. Aliás, acho que tá na cara que não né?
Surpresa, de certa forma. Minha pergunta era se um amigo que vive rodeado de mulheres era virgem. Algo que perguntei só pra testá-la. Se a resposta fosse "sim", eu iria ter certeza de que a mulher não sabia de nada. Ou que meu amigo era um homossexual enrustido.
Feita a primeira pergunta, parti para o que realmente interessava. "A Lia vai ficar comigo?". Eu esperava um "não", embora, no fundo, quisesse ouvir um "sim"..
Ao virar a carta, notei que era uma cartinha com coraçõezinhos. Ou seja, uma carta de copas, que não lembro o número. Podia ser coincidência, mas aquilo me fascinou.

E a resposta mais ainda.
- Hum. Essa é a pergunta que mais te interessa né? Sim, e com certeza. Sem sombra de dúvidas. É só uma questão de tempo.
Agora eu coçava a cabeça, e me sentia até um pouco feliz. Será? Fiz mais duas perguntas sem importância e me restou a última. Como aconselhado pela Camila e pela Paulinha, resolvi repetir. Perguntar a mesma coisa. Se a resposta fosse a mesma, a mulher realmente sabia do que estava falando. "A Lia vai ficar comigo?"
- Sim, e eu já te respondi. Por que é tão difícil acreditar?
Pensei em passar o endereço do blog pra ela. Pensei em contar toda a história. Só pensei. E pensei mais.. Quem ela pensa que é pra me deixar esperançoso assim? Por que ela não me dava logo um "Não" duplo e fim de papo? Seria mais um motivo pra eu "cair na real." Embora não tivesse perguntado, ela respondeu.
- Quem sou eu? Eu sou a mulher que diz aquilo que você não consegue enxergar. E se eu estou dizendo, pode acreditar que é verdade.
Parei de pensar. O susto era maior. Resolvi abrir a boca.
- E quando vai acontecer?
- Quando você quiser. Só depende de você.
Me despedi, paguei a consulta (20 reais), e fui andando até o portão, junto com as meninas. Incrédulo, ainda. Mas e se fizesse sentido? Eu fui pra lá disposto a acabar com todas as dúvidas que eu tinha, e ganhei mais uma pra coleção.
Antes de sairmos, ela falou pra Paulinha, que voltou lá pra pagar a consulta.
- Eu não sei o que ele veio fazer aqui. Tá tudo tão bem. E ele tem uma menina que o ama..
A única coisa que eu saí de lá acreditando fielmente, embora viesse a descobrir depois que ela falou o mesmo para as minhas amigas, é o negócio de ser "bom de cama."
João Eduardo, 17 anos de safadeza, um "sex machine". Prazer.

Se não vai, não desvie a minha estrela. Não desloque a linha reta.. Gram - Você pode ir na janela
E eu continuo devendo a história da vidente, mas não poderia deixar de narrar minha aventura na cozinha. Não, eu não me aventurei tentando seguir os passos de algum famoso chef francês. Eu só queria comer alguma coisinha, mas daí surgiu....
A incrível saga de João Eduardo contra a Barata Assassina.
Chego na cozinha, disposto a fazer um lanche rápido e deter o terrível ronco que ressoava do meu estômago. Peguei o pão, coloquei um pedaço de queijo dentro dele e deixei-o em cima de um prato, enquanto ia na geladeira pegar um suco.
E vejo uma barata. Ela estava na pia, perto dos pratos, me encarando, desafiadora. Encarei-a também, e aproximei minha mão direita do mata-baratas. Vi que esta não seria uma boa arma, pois poderia contaminar os pratos que estavam na louça, jogando aqueles gases venenosos. Busquei então uma vassoura. Um método arcaico, porém mais limpinho. Me posicionei para o combate, gritei "AHHHHHHHHH!" (grito de quem vai atacar uma barata com a vassoura) e taquei a vassoura naquele bicho asqueroso.
Mas errei o alvo. Ela, percebendo que ainda estava viva, correu em direção aos pratos. A situação se complicou ainda mais para o meu lado. Não podia golpeá-la com a vassoura, pois certamente quebraria os pratos. Tive, então, uma idéia genial. Iria matá-la afogada. Liguei a torneira e a água subiu lentamente, enchendo toda a pia. Ria malignamente. A barata, com uma sagacidade incrível para um inseto tão insignificante, fugiu novamente e, num ato heróico de suicídio, caiu numa panela cheia de água. Morreu. R.I.P.
"We are the championnnsss, my frieeeeeeeeeeend.."
Mas nem tudo eram flores. Eu precisava remover aquela coisa suja da panela e não sabia como fazer isso. Resolvi, então, derramar todo o líquido que estava na panela junto com a barata. Na pia. Meu plano era lavar a panela em seguida. No entanto, novamente o acaso se lançou contra mim. A pia entupiu. Fiquei horrorizado com a pia toda entupida e aquele monte de água suja. Precisei, então, pensar em uma maneira de desentupir a pia. A barata já estava em segundo plano, removê-la dali não seria tão complicado. Idéia. Corri atrás de um arame e tentei desentupir. Só que o arame não era lá muito duro e não adiantou muita coisa, entortou facilmente. Dei o braço a torcer e resolvi esperar um pouco e pensar numa atitude. "Ah, daqui a umas 3 horas a água desce pelo ralo...". Enquanto isso, me lembrei de limpar os pratos e a panela. E a pia em geral. Como não sou lá muito cuidadoso com essas coisas, me contentei em jogar álcool em cima de tudo pra desinfetar. Acho que gastei todo o vidro de álcool nessa operação.
*
Minutos depois, já relativamente recuperado daquela desagradável surpresa, resolvi comer o sanduba. Eis que a luz apaga. Comer no escuro é algo um pouco complicado, pelo menos pra mim, já que eu gosto de verificar o que tô comendo. Tive a sensata idéia de procurar uma vela. Meti a mão em algumas gavetas e, depois de muito procurar, finalmente achei. Só restava achar um fósforo. Procurei pelas mesas, quase derrubei alguns copos, mas achei o bendito fósforo. Acendi a vela, joguei o fósforo na direção do lixo e fui comer em paz.
*
Quer dizer, quase.
Parte da pia pegava fogo. Surreal, eu sei, mas em se tratando de João Eduardo, parece que nada é impossível. Derramar aquele álcool todo não havia sido uma idéia muito inteligente. Eu não sou muito bom atirando coisas em determinado alvo, e o fósforo foi na direção errada, passando longe da lixeira. Como disse o meu amigo Max, nem a polícia do Rio é tão incompetente em suas operações. Pra matar uma mísera barata, eu estava incendiando a casa.
Felizmente, o fogo não havia se alastrado tanto, mas corri para o quintal e achei um balde cheio de água. Não tive dúvida, joguei a água na pia e consegui conter o quase-incêndio. A luz acendeu logo em seguida. Meu pai acordou e veio ver o que tinha ocorrido.
- Que fumaça é essa, menino?
- Ah.. hm.. eu fui fritar uns ovos pra colocar no meu sanduíche e acabou passando do ponto.
- E essa pia toda encharcada? E esse balde?
- É que tava muito suja, pai. Pensei em limpar e..
- Limpar a pia? Você?
- Hê.
.....
- Ei!
- Que foi?
- E essa barata andando em cima do teu sanduíche?
- Ah, eu mat...
- .....
- COMO ASSIM "ANDANDO"?

Queria achar outro lugar a começar, não sei se vale a pena te esperar. Cansei, não vou perder minha vida inteira por você.. Ramirez - Me diz
Como diria o Zé da Luz: "Ah, se sesse". O trecho da música acima não representa bem o meu pensamento, mas bem que gostaria que representasse. Aqui tem o poema completo.
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Devo pra vocês a história da minha ida à vidente, mas antes vou contar do meu sonho, que é algo que pode ser contado em poucas linhas. Eu não lembro como começou, aliás, meus sonhos são sempre sem pé nem cabeça. Mas estava em algum lugar, bem amplo e com uns banquinhos. Eu, a Lia e um amigo dela. E eu nunca vi esse amigo dela, mas parecia que éramos amigos de infância. E, sim, eu também era amigo da Lia.
Aí chegou um ator de Hollywood. Não era tão bonitão assim como um galã de Hollywood, e falava português sem nenhum sotaque. Eu não conhecia aquele rosto, ninguém o assediava, e ele não chegou trazendo nenhuma prova de que era ator, muito menos de Hollywood. Mas meu sonho o definiu como um "ator de Hollywood", e quem sou eu pra questionar? E ele foi se aproximando da Lia, e eles conversavam, aparentemente como bons amigos. Embora estivéssemos bem próximos, a Lia não falava comigo, só dava atenção pra ele.
Enquanto isso, o outro amigo da Lia, que, coitado, não ganhou nenhuma descrição no meu sonho fora ser um "amigo da Lia", conversava comigo sem parar. Falava, falava e falava. Eu não lembro de nada do que ele falava. Mas ele falava. E eu ficava calado, só dava alguns sorrisinhos e comentava "É..", "Hum..", "Pois é..". E, ainda assim, ele parecia me achar um cara legal. Talvez por finalmente encontrar alguém que concordasse com tudo o que ele dizia. E a Lia e o ator de Hollywood conversavam cada vez mais, e aproximavam suas faces, e sorriam. E seus olhos pareciam brilhar, como em toda história romântica de casais apaixonados. Enquanto isso, eu ficava só observando, um pouco de lado, pra não chamar tanta atenção. Não queria que me notassem. Mas a Lia não parava de olhar pra mim.
E quando o ator de Hollywood tentou lhe dar um beijo, ela se esquivou, sorriu, e comentou alguma coisa com ele. E ele parecia questioná-la, e tentou novamente lhe dar o beijo, mas ela, embora desejasse, parecia não querer ali, naquele momento. E eu parecia ser o motivo, talvez porque ela enxergasse através da minha alma e soubesse o quanto eu não queria ver aquilo.
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Em um dado momento, o meu amigo falante notou que estávamos atrapalhando e disse que deveríamos sair dali. Eu acabei concordando, não sei até onde a Lia resistiria, e precisava me preservar. Como diz o ditado: "O que os olhos não vêem, o coração não sente".
Eu não sei como terminou, só sei que o despertador tocou logo depois. Já faz um tempo que eu não vejo a Lia, por causa de vários feriados seguidos, desencontros no colégio, e por estar em época de provas. E esse foi o meu segundo sonho seguido com ela, mas eu não lembro do outro. Sei que era igualmente "nonsense". E, olha só, talvez seja um sinal. Talvez um dia eu não lembre mais do meu sonho de ter a Lia pra mim. E a única coisa que ficará na minha memória é que essa história foi algo completamente sem sentido.


