Perdão, pretendo voltar. Sem querer fazer promessas, já fazendo.
Final de semana.
Velhas desculpas..
Sim, o blog está parado há vários dias. Óbvio que foi tempo suficiente para que acontecessem várias coisas, que eu devo relatar em posts por aqui. Como estão as férias de vocês? Eu estou indo para o pré-vestibular todos os dias à noite. À tarde eu me matenho distante do computador e pregado nos livros, mesmo que não esteja verdadeiramente estudando, senão meus pais reclamam. E de manhã.. de manhã eu durmo. Aí o tempo anda escasso. Mas não se preocupem, o blog não acabou, só precisei dar uma pausa.
Comunidade no Orkut.
A paixão quer sangue e corações arruinados. E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago. Legião Urbana - Longe do meu lado
É tanta coisa acontecendo, que às vezes falta tempo pra escrever. Mas o que tem acontecido será narrado aqui, é só esperar. Um pouco. Uns dias.
Feliz ano velho para aqueles que podem olhar pra 2006 e dizer: "Esse foi um bom ano!".

Como um anjo caído, fiz questão de esquecer, que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira. Legião Urbana - Quase sem querer
Acordei pra almoçar, mas logo parti para minha sesta. E olha que minha sesta, em tempos de férias, pode durar mais de 5 horas. No ápice do sono, eis que o telefone toca. Já estava pensando em xingar o safado que ousava atrapalhar meu sono, mas vi que era o Fred.
- João Eduardo!
- Fala, Fred!
- Como vai?
- Sonolento! E você?
- Isso é hora de dormir, cara? Bom.. Você vai pra missa de formatura hoje?
- Vou sim. Mas é só às 7 horas, não é?
- Sim, 7 horas. É que tenho algo pra lhe dizer. Você acredita em Deus?
- Ahn? Acho que sim. Creio que ele que não acredite em mim.
- Então vá preparado pra rezar. Porque a Lia tá solteira.
- Essa piada animou uma tarde chuvosa do meu avô em 1941.
- Falo sério, meu caro! A Gabi comentou comigo. Disse que eles vivem terminando e voltando. Mas que dessa vez parece que não tem volta. João, a Lia tá solteira! Faça alguma coisa, pelo amor de Deus! Não permita que ela volte para aquele mala do Leonardo.
- Pena que não posso fazer nada..
- Pode sim, João. O que não pode é ficar parado aí. Bom, já dei o recado. Agora é com você.
- Ok, ok! Obrigado, Fred!
- De nada. Eu tenho uma aposta pra ganhar. Hehe.
- Ora, seu safado!
Desliguei o telefone e voltei pra cama. Grandes merda. Tentei retornar à minha sesta.
*
Não consegui. 1 minuto depois, levantei-me da cama. Não conseguia dormir. Era tanta ansiedade, tanto receio, tanta felicidade. Tudo se misturava. Andava pra lá e pra cá, no meu quartinho minúsculo. Mais um pouco e faria um buraco no chão. Respirei fundo, controlei meu nervosismo e comecei a falar sozinho, em voz alta.
- Ok! Certo. Então.. É hoje! É agora ou nunca, João! Vê se faz alguma coisa que te orgulhe ao menos uma vez na vida, seu bundão!
Saí do quarto e fui assistir TV. Mas não prestava atenção em nada. Peguei um jornal, tentei ler. Li várias vezes a mesma notícia. Minha irmã falava comigo, mas eu nem sabia do que ela tava falando. 5:30. Fui tomar banho, me arrumei, e sentei na cama. Fiquei pensando o quanto poderia ser importante aquele dia. Fiquei imaginando que minha timidez iria me frustrar novamente. Eu precisava fazer alguma coisa, e só força de vontade não era suficiente. Lembrei da bebida. Lembrei do efeito que ela me fazia. Corri pra geladeira e encontrei umas cervejas que meu pai havia comprado. Eu odeio cerveja, já comentei aqui.
Abri uma latinha e bebi tudo. Joguei no lixo e abri outra. Bebi toda, também. Voltei pro meu quarto. Vasculhei minhas gavetas atrás de um remédio. Rivotril. Dizem que dá sono, mas em mim costuma surtir o efeito contrário. Eu fico elétrico. Sempre tomo, quando vou viajar de avião, porque tenho um certo "medinho", e sob efeito do remédio eu fico tranquilo. Na última vez, a aeromoça estava apavorada com a turbulência sem fim, enquanto eu quase tirava o cinto de segurança e dançava um mambo no corredor, tamanha era a empolgação.
Tomei uma pílula. Vi que não era suficiente. Encontrei uma cartela de Maracujina. Tomei 4, de uma vez, e guardei o resto no bolso. 6:20. Procurei na minha carteira e achei um Dramin. Resolvi não tomá-lo, ainda. Voltei pra cozinha e peguei mais uma cerveja na geladeira. Estava quente, terrível, mas pouco importava. Após ter ido ao banheiro, pra não correr o risco de ficar "apertado" em plena missa, resolvi partir. Minha irmã me viu arrumado e perguntou.
- Pra onde você vai?
- Uma festa ali! Tchau.
Resolvi não contar para minha família que era a missa de formatura. Certamente, eles iriam querer ir também. E, além de me sentir mais livre sem eles, eu não sabia como me comportaria naquela condição.
Porque uma hora caiu a ficha. Eu estava praticamente drogado. Mas a timidez parecia ter ido embora. Ver imagens em movimento olhando, parado, para um ponto estático, não era exatamente um problema.
Peguei um táxi, por garantia, e cheguei na igreja.
Fiquei um tempinho olhando as pessoas chegarem, alguns rostos conhecidos, alguns amigos de "Oi e Tchau". Até que chegou o Fred.
- João!
- Ê.
- Você tá estranho, cara.
- Eu tô ótimo, cara. Ótimo. Nunca estive tão bem. Ótimo. Ótimooooooo.
- Tá bom, não precisa ficar repetindo.
- Cadê a Lia? Cadê aquela diabinha?
- João, você tem certeza que.. ?
- Tô brincaaaaaaaaando, meu amigo! Que é isso, cara. Tá tranquilo. Foda-se a Lia! Opa, "foda-se" não, porque estamos na casa do Senhor! O Senhor é meu pastor e nada me faltará. Foi mal aí, Deus.
Entramos na igreja e fomos andando, até encontrar a Gabi. Consegui me controlar. Sabia que não estava normal, mas algo mais forte parecia me dizer que eu deveria me comportar. Cumprimentei direitinho a Gabi, e ficamos ali. Boa parte dos meus amigos estavam lá, alguns com seus pais. Eu falava pouco, pra não correr riscos. Embora até ficar em pé fosse uma missão complicada. Avistei a Lia, entrando.
E..
Eu não sabia se era graças à minha ebriedade, mas eu nunca tinha visto ela tão linda. Aquela imagem não sairia fácil da minha cabeça, pude prever. Meti a mão no bolso e, disfarçadamente, tomei um Dramin.
- Oiii!
- Oi Lia!
Trocamos uns beijinhos, e ficamos conversando um pouco. Quer dizer.. Meu grupo de amigos, porque eu permanecia calado. Não por timidez, mas por receio de falar besteira. Senti uma vontade de ir ao banheiro.
- Vou ali! Já volto.
Corri pro banheiro, com dificuldade pra enxergar as pessoas que estavam na minha frente, aqueles obstáculos humanos. Cheguei ao banheiro, bem amplo, e fechei a porta. Olhei-me no espelho, tentando reconhecer um João Eduardo no reflexo. Da exaltação, parti para a depressão. Botei as mãos na cabeça e abaixei-me até o chão. Fiquei sentado ali. Levantei-me e olhei para o espelho novamente. Olhei, e perguntei: "Quem é você?".
Meu estado de perturbação mental era tamanho, que comecei a me socar. Vi que não sentia tanta dor, e fui batendo cada vez mais forte. Estava aflito, não sabia o que fazer, e a raiva aumentava a cada hora. Fiquei refletindo por alguns minutos. Se tudo isso valia a pena. Fiquei pensando como conseguia ter chegado à tal ponto. Droguei-me com remédios e bebida, porque era o que havia, mas se tivesse acesso à cocaína ou outra droga pesada, certamente faria uso dela. Voltei a olhar para o espelho. Dei mais um soco no meu rosto, sentia que merecia. Mas eis que alguém chegou, assustado.
- Meu filho! O que é isso?
Era um homem de batina. Sim, era o Padre, só podia ser. Consegui me descontrolar ainda mais.
- Isso? Isso é o Capeta, padre! Tô tirando o capeta do corpo! Ele não sai de jeito nenhum, esse desgramado!
- Você precisa de ajuda. Conte-me. O que há com você?
- Eu sou um drogadinho, padre! Eu sou um perdido na vida! E olha que eu não gosto dessas coisas naturebas não. Maconha? Isso é coisa pra criança! Eu gosto é de cocaine! Padre.. você não imagina no que eu estou pensando agora. Você não imagina que tipo de pensamento está passando pela minha cabeça agora. Eu vou pro inferno, padre!
Nota: pensamentos diabólicos REALMENTE passavam pela minha cabeça. Prossegui.
- Ontem eu comi 3 menininhas, sabe. 3 putinhas. Novinhas, fãs de RBD.
- Santo Deus!
- E dei pra dois caras, padre. Eu não estou certo sobre minha opção sexual, entende? Eu acho que quero assumir! Mas.. Mas isso tem sido um problema. Eu não sei! Sabe? Sei lá. Padre, eu quero dar pra você!
- Minha nossa senhora! Acalme-se, meu jovem. Eu tenho que rezar a missa, tente se acalmar. Qual seu nome?
- Ok, padre, pode ir! Vá em paz! Meu nome é.. Leonardo. Leonardo Freitas.
- Fique com Deus, meu filho, vamos resolver isso!
- Acredito! Acredito...
O padre saiu, ainda assustado comigo.
- ..só acreditoooooo no semáforooooo! Só acredito no aviãooooooo! Não acredito no relógiooooooooo!
(Vanguart - Semáforo)
Cantava e dançava. Comecei a rir, diabolicamente. Lavei o rosto, respirei fundo e voltei pra missa.
Fui andando devagarzinho para perto dos meus amigos. Estavam todos quietos, olhando pra frente. Peguei aquele jornalzinho e comecei a tentar acompanhar o que o padre dizia. Vez ou outra, olhava pro lado, pra Lia. Não queria falar nada. "Só queria estar ali. Sempre ao lado dela." (Legião Urbana - Ainda é cedo)
* * *
Palavras e mais palavras.
" - Iniciando esta celebração de Missa de formatura, fomos convidados a agradecer a Deus por nos ter chamados à luz da verdade. Celebramos, ao mesmo tempo, a superação das trevas da ignorância e a esperança num futuro feliz e num mundo melhor. E o fazemos à luz da Palavra de Deus e da Eucaristia, para que sustentem a caminhada em busca da verdade, da justiça e do amor."
Não prestava atenção. Ouvia tudo que era dito, mas não prestava atenção. Vez ou outra, somente, algumas frases conseguiam superar aquela enorme barreira e entrar no meu pensamento.
" - Vocês não estão sozinhos. Jesus Cristo, Nosso Senhor e Mestre, ao despedir-se de seus apóstolos, de seus discípulos e dos que o acompanhavam, lhes disse: Eis que estou convosco todos os dias até o fim dos séculos.."
Cânticos, orações, ensinamentos. Durou um bom tempo, não lembro quanto. Eu não lembro de muita coisa, pra ser franco. Só estou contando aqui aqueles fatos mais importantes que, mesmo após tanta bebida e remédios, permaneceram na minha memória. A missa estava chegando ao fim. Podia esquecer de tudo, menos da cena final. O padre, olhando para as pessoas ali da frente, aparentemente procurando alguém, começou a falar.
- E hoje eu gostaria de dedicar essa última oração para uma pessoa que aqui está. Eu não sei onde ele está. O nome dele é Leonardo Freitas. É um jovem que anda com alguns problemas, que certamente serão superados, com a graça de Deus. Vamos dar as mãos e pedir, não só pelo Leonardo, mas por todos nossos irmãos que vivem situações parecidas.
Eu não sabia se ria ou se fingia surpresa. O queixo da Lia caiu uns dois metros. O Fred ficou me olhando, quase feliz. E o Leonardo..
Bom, o Leonardo estava ali perto. Estava nitidamente envergonhado. E revoltado. Mal acreditava. Seus pais, então, estes é que deviam estar se perguntando "O que há de errado com meu filho?". O Leonardo já saiu falando, em voz alta.
- Eu não conheço esse maluco! Esse padre é doido! O que deu na cabeça desse idiota?
- Meu filho, por favor, tenha respeito! Estamos numa igreja, fale baixo. Depois a gente conversa.
- Mas mãe, que loucura é essa? Que palhaçada é essa? Eu sabia que não devia ter vindo nessa merda de Igreja. Eu nunca gostei dessa porra! Falô pra vocês!
E saiu andando apressadamente até a parte externa.
O padre acabou não vendo, havia muita gente na igreja. Nem mesmo chegou a me avistar. Os comentários não paravam. Todo mundo queria saber o que havia de errado com o Leonardo. Mas a Lia parecia saber.
- Nossa. Acho que contaram pro padre.
- Contaram o quê?
- É um probleminha aí. Gente,vamos lá pra fora, tá quente aqui.
Mas, quando todos já iam saindo, vi que os pais do Leonardo foram falar com o padre. Fiquei curioso, pensando se não deveria ficar ali perto ouvindo, mas ele poderia me ver. Fui lá pra fora, com o Fred, a Gabi e a Lia. Pensei que aquela seria uma boa oportunidade de passarmos vários minutos conversando, mas a Lia resolveu ir embora.
- Gente, já vou! Tô muito cansada. Beijo pra vocês.
E se foi. O Fred já demonstrava uma certa "intimidade" com a Gabi. Achei melhor deixá-los à sós, e me despedi também. Mas, na saída, vi os pais do Leonardo falando com ele. Aproximei-me, discretamente, e fiquei próximo à um carro, como se estivesse esperando alguém. Eles falavam tão alto que nem precisei ficar tão perto pra ouvir. E nenhum deles notou minha presença ali.
- Olha, Léozinho. A gente quer que você saiba que estamos contigo, independente de qualquer coisa.
- Do que vocês tão falando?
- Filho, não minta pra nós. Por favor. Não complique mais as coisas. Já sabemos de tudo.
O Leonardo olhou pro chão, com a cara fechada. E respondeu.
- Tá, tá bom. Mas eu não quero ir pra uma daquelas clínicas! Eu posso parar a hora que eu quiser! Eu não sou viciado!
- Estamos com você, meu filho. Nós vamos te ajudar no que for preciso. E sobre opção sexual.. É uma escolha, filho! Você pode mudar essa escolha. Você tava namorando a Lia e tudo mais! Eu nunca imaginei..
- Calma aí, pai! Eu posso usar droga, posso beber pra caralho, fazer muita merda, mas viado eu não sou não!
- Filho..
- Quem colocou isso na cabeça de vocês? Que merda!
- Eu atendi o seu celular, uma vez. Desculpe-me, sei que não devia. Mas atendi. Não sei o que aconteceu, acho que o rapaz pensou que eu fosse você, deve ter confundido, já que nossas vozes são parecidas. Ele me contou tudo, filho. Pensando que falava com você, mas contou.
- Contou o quê? Vocês estão loucos!
- Sobre o cinema.. sobre o bilhetinho..
- Eu vou me matar.
- Filho! Nós estamos com você! Pelo amor de Deus, você não precisa tomar nenhuma decisão dura. Isso vai passar. Vamos embora.
- Tá. Eu não vou me matar.
- A morte não é solução pra nada!
- Eu vou matar esse padre. E vai ser agora!
O Leonardo tentou correr em direção à Igreja, mas foi contido por seus pais e por um primo que estava com eles.
- Vamos embora! Entra no carro, filho! Fique calmo!
Senti que o "show" já havia acabado e tomei o rumo pra casa. Já estava quase sóbrio, apenas com um pouco de sono. Fui andando e pensando que, mais uma vez, havia fracassado. Mas havia um sentimento de vitória pelo que aconteceu com o Leonardo. Vingança? Talvez. Uma atitude deplorável, certamente. Mas, veja só, no final das contas, serviu pra alguma coisa. Não só eu, como os próprios pais dele descobriram o "terrível" segredo do Leonardo. Fiquei olhando pro nada, pelo caminho. E acabei reconhecendo que, nesse dia, eu era igual à ele. E eu não queria ser. Eu não devia ser. Por mais que aquele jeito permitisse à ele conseguir o que eu mais queria na vida, a Lia, senti que não estava disposto a pagar este preço pelo meu desejo. E voltei pra casa, ainda sonhando. Afinal, a formatura ainda estava por vir.
Minha última chance, talvez.
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If I could be who you wanted.. All the time, all the time Fake plastic Trees - Radiohead
Último dia de aula. Fim de um ciclo. Esperei tanto por esse dia! Nos piores momentos da minha época de estudante de colégio, quando eu precisava fazer prova e tinha que passar horas estudando, ou mesmo quando eu olhava pra cidade, da janela da sala, e me sentia preso ali, naquele lugar fechado e cheio de gente, sempre sonhava com o dia em que, finalmente, eu terminaria o ensino médio. O dia em que eu não precisaria mais me preocupar em acordar cedo, ou dar satisfações para um diretor chato. O dia em que eu não precisasse mais estudar um monte de matérias que odeio e aturar professores que adoram pegar no meu pé. O dia em que, finalmente, eu conquistaria a minha liberdade! Parece besteira, mas é assim que eu imaginava que seria.
Mas no último dia de aula, por incrível que pareça, não me senti feliz. Afinal, é triste deixar de conviver com tantas pessoas que passaram a fazer parte da minha vida. Sei bem que as maiores amizades continuarão existindo, mas muitas delas certamente irão sumir, e outras perderão força. E o colégio, por mais que tenha seus "contras", sempre foi palco de grandes acontecimentos, que não irão se apagar facilmente da minha memória.
No último dia de aula, encontrei meus melhores amigos do colégio e resolvemos fazer algo diferente. Combinamos de nos encontrar na frente do colégio e seguirmos outro rumo. Fred, Augusto, Daniel, Gustavo, Renato. Muitas das histórias contadas até aqui tiveram estes personagens. A partir de hoje, não sei quantos deles ainda terão alguma participação importante na minha vida.
Pode soar um pouco melancólico às vezes, mas a vida é assim. As pessoas vão e vêm, às vezes seguimos caminhos diferentes. E o que hoje é uma grande amizade amanhã pode se tornar apenas uma boa lembrança. Tenho consciência de que, quando entrar na faculdade, minha vida mudará por completo. Conhecer pessoas novas, perder contato com amigos do colégio, precisar ter mais responsabilidade. Novas oportunidades, emoções. Mas, hoje, eu só queria pensar no dia de hoje. Que já era especial mesmo antes de começar.
Nos encontramos e partirmos.
- E a gente vai pra onde?
- Caras.. Que tal um shopping?
- Depende. A gente tem que fazer algo diferente. Pra ficar marcado mesmo. Pô, é o último dia de aula! Já fizemos bem em não ter ido assistir.
- Não há muito o que se fazer de diferente em plena manhã. Vamos pra um praça jogar conversa fora. Vamos andar por aí. Acho que só o fato de não estarmos na aula já me deixa feliz.
- Isso aí, não temos muita escolha. Galera, eu tenho uma graninha aqui. Vamos comprar bebida e sair bêbados por aí. Em plena manhã de sexta-feira! Isso vai ser memorável.
Passamos num barzinho, e o Renato, que tem 18 anos, foi comprar umas cervejas. Eu nunca tinha bebido na vida. Um gole ou outro, mas nunca enchi a cara.
Sentamos no banco de uma praça e começamos a beber. Descobri que odeio cerveja. Mas "ice" é até agradável. Entre várias conversas, o Fred comenta.
- O ano tá acabando e o João não ficou com a Lia!
- Porra, João! Botava fé em você.
- Ah, mas é isso aí cara, agora tem que beber pra afogar as mágoas.
- Eu tinha apostado 30 mangos em você, cara! Pelo visto vou perder a aposta.
- Você o quê? 30 mangos? Vocês são loucos, eu nunca gostei dela.
- Aham. Aquele Leonardo tem uns podres, não sei como a Lia fica com ele. Eles não combinam.
- Que podres?
- Uns lances aí. Não posso falar, mas procura saber.
- Vocês ficam me usando pra fazer aposta, seus safados!
- João, entenda uma coisa. As mulheres gostam de caras idiotas. Elas morrem negando, dizem que sonham com um príncipe num cavalinho branco que vai fazer tudo que elas querem, mas a gente sabe que não é verdade. Você é um cara legal, bacana, todo mundo aqui sabe disso. É uma espécie em extinção naquele colégio. Já o Leonardo é o tipo de gente que eu não gosto nem de ver por perto, é aquele tipo de sujeito desprezível que contamina a nossa sociedade.
- Fred, a bebida te deixa mais inteligente hein? "Contamina a nossa sociedade".
- Eu sou burro mesmo, se eu fosse inteligente eu não tava aqui, tava na sala estudando pro vestibular. Mas de algumas coisas eu entendo. João, não se preocupe! Ainda há tempo de se tornar um idiota. Vai, bebe aí, enche a cara, e depois vai fazer merda. Repita isso todo os dias e você será o queridinho das mulheres.
E, pela primeira vez, eu fui tomando todas aquelas bebidas e, aos poucos, deixando de ser o que sou, pelo menos por alguns momentos. Parecia um retardado. Mas notei que, pelo menos, a bebida me tirava a timidez. Fazia sentido o comentário do Fred. A bebida podia me abrir portas, mesmo que me fizesse um idiota.
*
Conversamos sobre tudo, andamos por aí sem destino, relembramos algumas coisas, planejamos outras. Estávamos bêbados, porém relativamente comportados. Alguém se lembrou de olhar pro relógio e viu que já passava de meio-dia. Nos despedimos e cada um seguiu o seu caminho.
- A gente se vê por aí! Depois liguem pra marcar alguma coisa.
- Valeu, velho, abração!
Cheguei em casa, levemente embriagado, corri pro quarto e desabei na cama. Só acordei à noite.
- João!
(zzzzz)
- João!
- Qhsd.. foi?
- Não vai pro pré-vestibular?
- Pré o quê?
Ó, dura vida de estudante.
No dia seguinte, acordei às 6:00 em ponto. Levantei-me, fui até o banheiro, enxuguei meu rosto. Foi aí que eu notei que havia algo de diferente.
- Calma aí. Eu tô de férias! Por que acordei à essa hora da madrugada?
Voltei pra cama e dormi até meio-dia. Acho que nunca me senti tão feliz. E deve ser assim de agora em diante. Isso que é vida!
Foi bom ter dormido muito, descansado. Porque era o dia da missa de formatura. E vocês não fazem idéia do que aconteceu.
*
Sei que tô virando uma espécie de "João Kléber" mesmo, mas aguardem. Logo mais eu conto!
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Calma aí!
Último dia de aula, Missa de Formatura e otras cositas más..
Logo mais, não mude de canal.
She was standing beneath the chandelier.. I offered her chocolate and some beer.. She said no, I said why, she said no, I said why.. And stayed dancing alone.. Elefant - Tonite let's dance
Fui pra aula e encontrei um amigo no pátio, o Alex, um dos maiores CDFs do colégio. Contou-me que havia pego a nota do prova de redação com o professor e que tirou 10.
Parabenizei ele, disse "Pô cara, você é fodão mesmo! Parabéns!". Ele agradeceu, orgulhoso.
Entramos na sala e o professor foi comentar sobre as redações. Todos em silêncio, e ele começou.
- Bom, vamos falar então sobre as redações. Tivemos aqueles que tiraram nota máxima, que fizeram tudo certinho, sem nenhum erro. Gente com o Alex, a Patricia, o Vinicius. Estou muito orgulhoso de vocês.
Ficou calado por alguns segundos. Depois, demonstrando desapontamento, comentou:
- Por outro lado, tivemos alunos que não seguiram a mesma linha. O que me deixou frustrado. Gente como o João Eduardo..
O susto foi enorme. A vergonha veio logo em seguida, junto com a tristeza, que tentei disfarçar com um sorriso amarelo. A sala inteira olhando pra mim, alguns com olhar de pena. Ouvi uma menina, ali perto, falar "Tadinho...".
Abaixei a cabeça, ruborizado, e esperei aquilo tudo passar.
E eis que o professor prosseguiu.
- Eu tenho que confessar que me deixa frustrado pegar a redação de um aluno como o João Eduardo. Deixa-me frustrado ver que, depois de tantos anos de profissão, dando aulas de redação, de tantos livros lidos, de tanta experiência, eu não tenho a genialidade que esse menino de apenas 17 anos tem, pra escrever um texto. Eu espero, e vocês podem esperar também, o dia em que nós vamos ver este menino fazendo sucesso na imprensa ou escrevendo livros, e não apenas sendo bem sucedido na redação do vestibular. Meus parabéns, João!
E ele começou a aplaudir, e toda a sala fez o mesmo. Gente gritando, alguns amigos vieram me cumprimentar. Eu, que já tava morto de vergonha, quase tive um ataque do coração. Mas dessa vez com um sorriso no rosto e muito orgulho.
É óbvio que foi exagero dele, mas achei incrível a maneira que o professor achou pra me elogiar. Ele me deixou pra baixo, fez eu me sentir um merda, pra depois me reverenciar. Às vezes acho que o nosso amigo lá de cima também faz isso. Acredite você ou não, não vamos entrar no tema "religiosidade". Mas eu acredito, e acho que ele faz isso pra que a gente dê mais valor para as conquistas. Porque é certo que as pessoas não costumam dar o devido valor para aquilo que é fácil de ser conseguido.
E depois de se sentir no fundo do poço, é indescritível a sensação de voltar ao topo, e até passar das nuvens.
De tudo ao meu amor serei atento.. Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto.. Que mesmo em face do maior encanto.. Dele se encante mais meu pensamento. Vinicius de Moraes - Soneto da Fidelidade
O pré-vestibular é parecido com o colégio. Talvez porque seja no colégio também. Na mesma sala. Só as pessoas que mudam.. e nem tanto assim. O mais bacana é estudar à noite. Espero que, assim que entrar na faculdade, possa estudar à noite. Não aguento acordar cedo pra ir pra aula.
No intervalo das aulas, saio com alguns amigos pra comer alguma coisa lá fora, porque a lanchonete do colégio não funciona à noite. E o lugar mais perto é onde vende um hamburguer terrível, que meus amigos adoram. Como eu não tenho muita escolha, tenho que comer por lá mesmo. Já insisti pra mudarmos, porque eu também não quero ir comer sozinho em outro lugar, pois assim perco as conversas..
- Que tal se a gente for naquele lanche ali perto?
- Muito caro.
....
- E se a gente for naquele..
- Muito longe..
....
- Po, esse sanduíche é ruim pra caralho!
- Eu gosto..
...
Desisti. Enfio tudo goela abaixo e pronto. Meu estômago que se acostume. Geralmente a gente passeia um pouco pelas redondezas, jogamos conversa fora e voltamos 20 minutos depois do término do intervalo.
Só que aí "encontramos" um SESC ali perto. Tem uma biblioteca, algumas salas vazias e... um cinema! Um pequeno cinema. E descobrimos que todas as noites, logo após o intervalo do colégio, são exibidos alguns filmes. Dependendo do filme, já nem voltamos mais para o pré-vestibular. Assistimos e vamos direto pra casa depois. Tudo bem que a gente já não estuda tanto, mas.. precisavam colocar um cinema, de graça, tão perto? Dia desses passei a ver tudo por um bom ângulo. O cinema também ensina. Dia desses, por exemplo, estava passando o famoso filme do Pelé. Digo "famoso", porque é famosa a expressão do Chaves "Preferia ver o filme do Pelé." Pois é, nós também. E, ao invés de assistir uma aula chata de química, saímos todos conhecendo a incrível carreira e os maravilhosos gols deste gênio do futebol.
Outro dia, a sessão terminou bem antes do normal e caiu uma baita chuva. Aí tivemos que tomar um belo banho até chegar ao colégio. Mas é o preço que se paga pra ter acesso à cultura.
Dia desses, numa dessas idas ao cinema, avistamos uma bela garota. Eu, Renato e Augusto. O Pablo e o Márcio faltaram, e o Samuel achou melhor ir pra aula. Ah sim, vocês não conhecem nenhum deles, com exceção do Augusto. Pois bem, são estes meus companheiros do pré-vestibular. O prazer é todo deles.
Mas falávamos da bela garota.
Ela estava parada ali no hall de entrada, olhando alguma coisa no mural. Cabelos castanho-claros, olhos verdes, alta. Um deleite para os nossos olhos. Mas, como era "muita areia pro nosso caminhão", e não poderíamos fazer nada além de admirar, achamos melhor entrar logo na sala e não perder o filme. "Os sonhadores".

Já tinha ouvido falar, mas não sabia do que se tratava. Nas primeiras cenas vi um grupo de estudantes, vi uma manifestação. E vi a Eva Green! Pronto, não importava se o filme era bom, já havia um bom motivo para assisti-lo. Haviam poucas poltronas vazias e não consegui sentar perto dos meus amigos. Procurei um lugar ali atrás e achei. Olhei pro lado direito e havia um sujeito meio.. err.. afeminado. Sorrindo. Sorrindo pra mim. Virei rapidamente a cabeça pro outro lado.
Começaram algumas cenas mais quentes. Eva Green pelada. Ó, céus! Na verdade, a coisa era bem mais impactante: a sua personagem estava dormindo na mesma cama com o irmão, também peladão. E um amigo, que eles haviam conhecido no mesmo dia e já estava hospedado na casa deles, observava a cena, surpreso. Em outra cena, o irmão safadão está se masturbando na frente da irmã e do amigo, por "ordem" da irmã. O gay, sentado do meu lado direito, pega na minha mão. Olho pro lado. Ele me olha com um "olhar 43", aquele assim, meio de lado, louco por mim. Fico constrangido com a situação, me levanto e vou saindo. Mas antes que eu dê um passo, lá vem ela. A bela garota que eu admirava com meus amigos minutos atrás.
Ela dá um meio-sorriso pra mim. E que beleza de meio-sorriso! Resolvo me sentar novamente. Ela fica do meu lado esquerdo. Mentalizo no meu pensamento: "Não olhar pro lado direito. Não olhar pro lado direito. Não deixar minha mão de bobeira."
Dou uma olhadinha rápido pra deusa. E ela responde o olhar. Nossos rostos ficam tão próximos, que me bate aquela velha e malfadada timidez. Fico vermelho e olho pra frente. Mas noto que ela continua olhando pra mim. As cenas do filme ficam mais fortes. Sexo explícito.
- Qual seu nome?
Fico olhando pra tela, e confirmo que o filme não era dublado e nenhum dos personagens falava português.
- Hein?
- É.. é... João..
- Prazer, meu nome é Marina.
- Pra-prazer.
Fico sem reação.
- Quer pipoca?
- Ahn?
- Quer pipoca?
- Nã-não, obrigado.
- Hehe.
Ela tá rindo. Deve estar rindo da minha cara. "Que mané, fica gaguejando só porque tá falando comigo!". Mas, mesmo me sentindo assim, o meu ego começa a inflar. Será?
- Quer halls?
- Não, valeu.
- Você não aceita nada que eu queira te dar?
Fico mais vermelho que minha camisa do Manchester United. Com um filme daqueles passando, uma menina tão linda dizendo algo que parecia ser dúbio, eu mal sabia como me comportar. Até que recebo um papelzinho branco, onde está escrito.
"Te achei muito lindo. Anota seu telefone aqui.."
E não era da menina.
Um espírito diabólico toma conta de mim e tenta contornar a situação.
Procuro no meu celular o número do Leonardo e anoto no papel. Entrego pra ele e pisco o olho direito.
Volto a assistir o filme. Uma cena mais romântica aparece. Tudo bem que é um incesto romântico, mas me lembra alguém que estava longe dali...
*
Uma menina linda me dando bola, ao meu lado, e eu pensando na Lia. A alegria dá lugar para a tristeza. E pouco tempo depois, a menina resolve ser mais direta.
- Você tem namorada?
- Ahn? Tenho..
TENHO? QUEM, MEU DEUS? QUEM? Não sei como respondi isso. A vontade é de dar um soco na minha cara. Recebo outro papelzinho.
- Pega o número do meu celular. Me liga algum dia. Tenho que ir.
E ela se vai. E eu fico ali um tempinho pensando. Que besteira que eu tô fazendo.
O filme acaba, e eu saio logo, quase correndo. Eu havia piscado o olho e dado o meu suposto telefone pro cara do meu lado, era provável que ele viesse atrás de mim. Não é que eu seja homofóbico, só não é minha praia. Avisto meus amigos e comento.
- Vamos logo que eu tô atrasado!
- Calma aí cara, vamos esperar pra ver se aquela gatona não aparece..
- Ela já foi! Ela me deu o telefone dela.
- Tua bunda!
- Vamos logo!
- Por que a pressa, cara?
- Tá vendo aquele gay ali olhando pra cá? Ele também me deu o telefone dele. Simbora!
E assim terminou mais um dia do pré-vestibular.
Enquanto aguardava meu pai vir me buscar, vi um orelhão ali perto.
Fui até lá e liguei..
Pra ela. Ficava feliz de ouvir aquela voz.
- Alô?
- ....
- Alôô?
Coloquei o fone no gancho e fiquei refletindo.
É.. O ano tá acabando, as aulas estão acabando. Fora do colégio, dificilmente eu vou conseguir ter contato com a Lia. Então vocês podem aguardar por algum desfecho, porque eu já não aguento mais guardar isso aqui dentro.
Avisando e pensando
Acho que alguns leitores que falam comigo já sabem, mas para que todos tenham a informação, lá vai: eu me mudei para o Rio de Janeiro faz algumas semanas - quase 2 meses, aliás.
Aqui é sensacional, sensacional. Se um dia eu voltar para São Paulo, vai ser por trabalho ou sei lá, por eu ter engravidado alguma filha de chefe do tráfico de drogas aqui do Rio de Janeiro. Como a segunda possibilidade é bem pequena - tipo zero -, então creio que eu fique aqui no Rio por um bom tempo.
Agora eu moro sozinho, hell yeah. Quer dizer, sem meus pais. Divido o apartamento com uma amiga. Amiga amiga, ok? Amiga amiga. Amiga do tipo que, sei lá, que eu posso ver pelada que não penso em nada.
Mas é claro, eu evito vê-la pelada porque eu sei que acabo pensando em alguma coisa. Se tem nego que vê a MÃE pelada e já fica meio "Quem sabe... essa coroa é jeitosinha", acho totalmente normal pensar em pular em cima da colega de quarto pelada. Então eu evito.
Por enquanto tem tudo corrido bem aqui e eu tento dar um pulo em São Paulo a cada 15, 20 dias. Mas esses pulos vão tendo cada vez mais hiatos. E com isso eu deixo as coisas ruins e as coisas boas para trás. Inclusive, isso, a minha quase cliente de utensílios sanitários. É a vida.
Mas me mudei porque achei que seria divertido. Só por isso. E não vale a pena mudar só por que é divertido?
O ano tá acabando e eu preciso ao menos pensar nas maneiras possíveis de me dar bem nas provas, já que eu não estudo, por isso o tempo é curto. Eu tenho um post novo pra vocês, falando do pré-vest, vou publicar hoje ou amanhã.
Palavra de político!
Atualizado:
Vocês acreditam que eu fui editar o texto e percebi que havia perdido metade dele?
Vou ali me matar e já volto.
Utensílios Domésticos - Parte 2
E no dia seguinte, eu fui ver a Patrícia.
Ok, vá, não demorei tanta assim para atualizar.
O fato é que no dia seguinte, eu fui na tal festa assistir a banda dela, e quem sabe, você sabe, (alguém sabe?), falar com ela com mais calma numa noite de punk rock sujo e gritado. Parece até aquelas comédias do Hugh Grant.
Me arrumei, mas não demais. Fui normal. Mas não tão normal. Tive a idéia de usar um terno todo rasgado.
Fiz uns ROMBOS aonde fica o cotuvelo, manja? Ficou massa. Meti um broche dos Sex Pistols e um da Spice Girls, porque dava um contraste bacana e as pessoas iam pensar que isso é atitude.
Eu nem sei o que aquela atitude ali era, mas as pessoas iam pensar... "Wow. Revolucionô o cara. Subverteu os conceitos estéticos, transgredindo a própria moda punk com elementos pop."
"Viado" - ou então diriam isso. "Mas que puta viado."
Cheguei na festa cedo, mas não muito cedo, apenas o suficientemente cedo para ver o sol se pôr e acabarem de desvirar as cadeiras.
É, eu tenho esse defeito. Eu não consigo ser um festeiro tão legal quanto a Paris Hilton. Eu chego REALMENTE cedo. Se me convidam para uma festa de Reivelón, eu vou vestido de Papai Noel, porque, bem, eu vou chegar dias antes mesmo. Hohoho.
Quando o bar abriu, eu pedi uma cerveja para entrar no clima. Tomei 2, 3. Pedi um ABSINTO. E fui matando tudo.
Infelizmente, não havia clima para entrar, pois as pessoas não haviam chegado ainda e eu já estava completamente bêbado e sem clima. Que merda, como eu consigo estragar as coisas assim?
Resolvi sentar quietinho numa cadeira e pedir só refrigerantes, na tentativa deles irem cortando o efeito da birita, ou algo do tipo. Enquanto ia compensando todo o álcool com miligramas e miligramas de açúcar, as pessoas foram chegando - na verdade, já haviam chegado, eu que não notei enquanto estava brincando de rodar palito de dentes no nariz.
E então, chegou a Patrícia com o pessoal da sua banda. Ela estava realmente linda e não se tratava duma "miragem de banco". Seja lá que porra isso for. Acho que é algo relacionado ao fato de no banco, tudo ser tão entediante, que qualquer coisa razoavelmente boa, se torna maravilhosa. Mas não era o caso dela, ela era realmente maravilhosa.
- E aê, meu.
- Haha então, e aí. Só. Só. E aê... só.
Não sei se era o efeito do álcool ou minha timidez pela situação, mas eu estava agindo tipo aquele menino da campanha anti-drogas, manja? Aquele que puxava o brinco e se ouvia uma descarga.
- Qual é o seu nome, aliás?
- Max.
- Max?
- Mentira.
- Qual é?
- Maximiliano. Mas eu prefiro Max.
- Dá para entender.
- Quer beber alguma coisa?
- Você tá me paquerando... ou na verdade, VOCÊ quer beber alguma coisa e me chamou só para não me deixar aqui falando sozinha?
- As duas coisas.
- Já é um bom começo.
Fomos pro bar. Pediu cerveja. Achei legal ela não pedir um desses drinks coloridos. Eu realmente ia pedir mais uma cerveja, mas achei melhor não. Primeira boa idéia no dia todo. Talvez no mês.
- Então Patrícia, eu acho que tô só te paquerando.
- Gozado você falar assim.
- Assim como?
- Assim... sabe, "tô te paquerando". Geralmente quem está paquerando, não diz essas coisas.
- Ah, haha. Eu entendo. Foi um dos truques que eu aprendi com o Joey, na época que...
- ... seu pai vendia privadas para astros do rock.
- Exato!
- É óbvio que você tá mentindo.
- Sabe o que eu gosto em você, quando afirmar que isso é mentira?
- O quê?
- É que você acredita, e não se conforma com isso.
- Touché, mutherfucker.
Quem essa mulher é para me chamar de "mutherfucker"?
Ela não pensa é nada. Ela sabe exatamente.
Mexeu no meu cabelo e disse "Vou ali. Vou rockar. Não foge, rapaz. Quero comprar uma privada depois."
Eu honestamente não lembrava da última vez que havia conhecido uma menina tão foda quanto ela. Sabe, alguém que no flerte, se deixa levar, mas de vez em quando te dá umas porradas? Vocês entendem o que eu tô falando ou é papo-de-gamadinho?
Subiram 2 bandas fracas. Depois uma boa. Encontrei um "amigo de internet" muito sem querer, e de uma forma bem peculiar. Ficamos conversando um pouco. Era o Vinícius, gente boa, gente de fé. Fã de Ramones e Steven Seagal. O louco é que no ICQ, no orkut, Myspace, o diabo, ele usa umas fotos de um cara branco, mas o Vinícius é negro. É algum tipo de piada, até agora não entendi exatamente. E eu só fui saber disso ali. Quase não acreditei que era ele, precisou rolar um lance meio "coisas que só nós sabemos". Tipo Ghost, aquele filme da Demi Moore.
Mas então, enfim veio a banda dela. E no palco, foi um lance meio de "deusa" para mim. Ela às vezes olhava para mim por segundos intermináveis e depois desviava olhar, para tomar uma atitude blasé, olhando para o nada. E depois bebia uma cerveja num copão de plástico e coçava a cabeça. Sabe, eu devia tá muito encantado, porque aquilo tudo parecia lindo. E não esqueçam que eu havia bebido pra caralho mais cedo.
Acabou o show, e eu fui lá para fora. Gosto de sentar na calçada durante a madrugada. Eu gosto desse clima meio tosco da cidade. Mendigo, puta, traveco, viciado em crack, e eu ali...
... com muito medo daquela porra toda! Levantei na hora e fui andando rapidinho para dentro do clube!
Mas aí a Patrícia saiu. Tinha tirado a jaqueta. Tava de jeans e uma regata branca. Veio andando séria para mim. Fui cortar o gelo enquanto ela caminhava:
- Hahaha vocês foram tão bons, que tô pensando em patrocinar a banda toda, com privadas. Daí vocês só precisam falar na MTV que usam as privadas da Rock-Toilett, as privadas que até os rock-...
Me deu um beijo.
..Let's make love.. and listen to..
Peraí. CSS não.
I may not always love you.. but long as there are stars above you.. you never need to doubt it.. Beach Boys - God only knows
Tô em época de provas no colégio. O ano tá acabando, o vestibular chegando, sabe como é. Então vamos deixar a Lia um pouco de lado e narrar o que ocorre além disso. Afinal, eu não vivo só por ela, claro.
Estou lá fazendo o simulado e o Daniel cutuca as minhas costas.
- Ei.. psiu..
Certifico-me que o professor não está olhando e resmungo.
- "Quié"?
- Passa o gabarito.
- Tô naquele nosso velho esquema cristão.
- Qual?
- "C" de Cristo e "D" de Deus.
- Fudeu, eu também.
A carteira vazia na minha frente complica mais as coisas. Favorece a visão do professor para as minhas tentativas de contato visual e verbal com o pessoal em volta. E é uma pessoa a menos, que poderia estar me fornecendo informações se estivesse sentada ali. Coloco a mão na testa e tento invocar o espírito de Chico Xavier. De tanto pensar que estava ferrado, eis que Deus atendeu as minhas preces, manifestadas ao marcar a prova pensando Nele. O professor chama o Paulo Henrique.
- Paulo, vem cá. Esse povo atrás de ti tá colando muito, senta aqui.
O professor aponta a cadeira à minha frente, e o Messias vem chegando.
Paulo Henrique é o cara mais CDF do colégio inteiro. Minha vontade é de levantar as mãos pra cima e abrir um sorriso, mas me contenho e faço cara de quem estuda. Sim, eu sou ótimo ator, como vocês já devem ter percebido.
O Daniel me cutuca fervorosamente.
- Aee! Agora pega tudo!
Resmungo um "hum", e me concentro para tentar pegar o melhor ângulo de visão da prova do Paulo.
Depois de tentar colar as questões, percebo que ele tem dúvidas em algumas, por marcar mais de uma opção, e acabo achando melhor esperar ele passar para o gabarito, que é coisa certa e definitiva.
O tempo passa, mas eu não tenho a moral, por não conhecê-lo direito, e nem a cara-de-pau de pedir com todo carinho para que ele seja breve de uma maneira sutil: "ANDA LOGO, DESGRAÇA!".
45 minutos depois, eis que ele pega o gabarito e começa a anotar. Ajeito o pescoço, me mantenho ereto, e tento olhar, disfarçadamente, as respostas. O ângulo não é lá dos melhores, mas dá pra pegar. Vou marcando direto no gabarito, pra não perder tempo. Está quase no final. Já começo a imaginar como vai ser bacana aparecer entre os primeiros na classificação geral. Até que, subitamente, ele pára.
Ele pára.
E eu paro também.
Eu olho pra ele, mas não sei o que dizer. Ele nem sabe que eu tô colando. Ele olha pro professor. Levanta a mão e o chama.
O professor vem se aproximando e eu volto a fazer a minha cara de CDF.
Olhando fixamente pra prova, apenas ouço.
- Eu errei o gabarito, será que o senhor poderia me dar outro?
O meu espírito se levanta da carteira, o agarra pelo pescoço, grita "SEU INFELIZ, COMO É QUE VOCÊ FAZ ISSO?", e depois o enche de porrada. Mas meu corpo permanece inerte. Pedir outro gabarito agora seria deveras suspeito. Respiro fundo e resolvo, dessa vez, copiar as respostas na prova.
Tarefa trabalhosa e cansativa. Chego a pensar que seria mais fácil ter estudado. Mas logo termino, e o Paulo se levanta e vai embora.
Agora é tempo. O Daniel me passa um papelzinho pra que eu coloque as respostas. Mais trabalho, mas é bom, porque ajuda a passar o tempo. Preciso enrolar tempo suficiente pra poder pedir outro gabarito sem soar tão suspeito.
O professor vem andando e anuncia:
- Faltam só 10 minutos. Vamos lá, galera.
Simulo que estou muito nervoso, e vou copiando tudo no gabarito. E então digo, em voz alta.
- Ah não..
E coloco a mão na cabeça.
Para minha sorte, o professor escuta.
- O que houve, João?
- Fui marcar apressado e errei. Você podia me dar outro gabarito?
- Claro, João.
- Obrigado, professor!
- Você tem cara de CDF, rapaz. Aposto que vai estar entre os primeiros da sala.
- Também..
O bom senso e a "humildade" puxam minha orelha..
- Também não é pra tanto né..
Termino de marcar as questões e saio feliz da sala.
Agora é só esperar o resultado e saborear a glória.
*
Alguns dias depois, lá está a lista, pregada no mural. O meu 3º lugar não é exatamente uma surpresa. O que me causa espanto é o segundo: Paulo Henrique. E me assusta ainda mais o 1º.
"1º - Daniel Franco"
Não me perguntem como isso aconteceu.
Fico um tempinho ali perto do mural, esperando os cumprimentos. A Lia está por ali. O Fred percebe e, mesmo sabendo que eu só estava tão bem posicionado por causa da malandragem, exclama:
- Caralho, João!
- Hê.
- Você é CDF mesmo! Parabéns meu velho, quando crescer quero ser igual à você.
O Paulo Henrique olha um pouco de lado pro Daniel. Imagino que esteja se roendo de raiva por não ter sido o primeiro. Eu acho tudo muito engraçado. Se eu estivesse em último lugar, talvez ficasse chateado. Mas eu sou o 3º! Tenho mais é que achar tudo engraçado mesmo.
*
Mais tarde eu conto pra vocês como está sendo a vida no pré-vestibular.
Olha só! A Ana e a Priscyla criaram uma comunidade pro nosso blog no Orkut. Entrem lá!
Clique aqui ó.
Voltamos já. Paz no coração de vocês.
O Max pegou Caxumba. Por isso a ausência dele por estas bandas.*
*
Escrever neste blog é como escrever uma novela. Baseada em fatos reais. Vou escrevendo capítulo por capítulo , e o público vai acompanhando e comentando. A diferença é que eu não faço idéia de que rumo essa novela irá tomar. Sou tão curioso quanto vocês pra saber como será o "final". Porque taí uma coisa que devo dizer: este blog terá um final, claro. Talvez porque a história vá se prolongar tanto que vocês ficarão cansados de acompanhar. Ou porque eu finalmente ficarei com a Lia, e aí o tempo que eu gasto escrevendo aqui, usarei com ela. Ou ainda porque irei jogar a toalha e desistir.
Acho que isso deixa as coisas mais interessantes pra quem visita este blog. Independente do final, eu e o Max já chegamos a imaginar isso aqui se transformando em um livro. E até numa minisérie ou filme, sabe-se lá. Um pouco exagerado, mas essas coisas passam pela minha cabeça.
O namorado da Lia foi sim ao cinema. Embora tenha ficado triste, é complicado desistir. Motivos não faltam, eu sei. Mas é difícil. Quem já se apaixonou sabe como é complicado esquecer. Ainda mais quando não se tem coragem de ser direto, de falar e esperar uma resposta, seja boa ou ruim. Então vou seguir tentando. Dizem que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura".
E aguardem os próximos capítulos!
* Ok, inventei a "caxumba" do Max, mas tinha que pensar em algo pra explicar o sumiço. É só vocês fingirem que acreditam e desejarem melhoras pra ele.
Oh don't don't don't, get out.. i can't see the sunshine.. i'll be waiting for you, baby.. 'Cause I'm through.. sit me down! Shut me up.. i'll calm down.. and I'll get along with you.. The Strokes - You only live once
E então?
Lá vamos nós.
Eu sei o que você está se perguntando.
E aqui vai a resposta..
*
Duas da tarde. Assisto alguma coisa tosca na TV. Um programa de clipes. Olho para o relógio da sala. 2 horas e 1 minuto.
Pego uma revista. Folheio. 2:10.
Mudo o canal. Estão ensinando uma receita de "Porco no Rolete" em algum programa obscuro destes que passam à tarde. Eu não sei o que é Rolete, eu não me imagino comendo porco. Cozinhar então..
Mas eu assisto. "Dissolver 1 kg de sal num copo de vinho, com um pouco de água que deve ser passada nas partes internas e externas do porco." 2:20.
Olho pra estante e tem uma revista "Boa Forma" dando sopa. "Boa Forma"! Eu leio. 2:40. Ô dia interminável. Penso em dormir, mas temo que vá dormir tanto que não acorde à tempo de ir pro cinema. Leio na "Boa Forma" que dormir faz bem pra pele. Ainda que eu já soubesse disso, aquilo me motiva. Não quero ter rugas tão jovem. Vou tirar um cochilo.
********
18:40. O celular toca. É o Fred.
- E aí João? Tu vai, cara? Já tô chegando aqui no cinema.
Tenho, sei lá, uns 15 minutos pra tomar banho, vestir uma roupa, calçar os tênis, escovar os dentes, arrumar o cabelo, passar um perfume.. Comer, nem pensar. Vou com fome mesmo. Nunca me apressei tanto na vida.
E 10 minutos depois eu tô pronto. Cabelo bagunçado (hoje em dia é estiloso, vide Strokes e cia), camisa um pouco amassada, mas que sobreviveu à bagunça do meu quarto, calça jeans suja, porém apresentável. Perfume.. não tenho mais. Acabou. Pego um qualquer que vejo ali pela sala. Não sei de quem é, mas parece bom. Antes que eu avise pro meu pai, ele me chama.
- Cadê teu material?
- Ahn?
- Você tá atrasado pro pré-vestibular, vamos logo!
Isso. Maldito pré-vestibular. Havia esquecido. Meu pai iria me torrar a paciência e não me daria carona se eu disesse que faltaria a aula para ir ao cinema. Pego minha mochila e vou até o carro. O cursinho é perto do cinema, dá-se um jeito.
Assim que cheguei lá, esperei meu pai ir embora e fui andando até o cinema. Andando não, correndo. 19:10. Estava atrasadíssimo, mas me surpreendi ao ver o Fred lá na frente. E muitas outras pessoas.
- Grande João! Foi mal cara, me confundi, o filme só começa 19:30..
- Bom saber, cara, bom saber! - digo, ofegante e um pouco suado.
- Vamos ali, cara, as meninas tão ali. Conheço esse perfume.
- Ah! Você usa também?
- Eu não, minha mãe.
E lá vai o coração, parecendo que vai sair do corpo e ficar pulando na calçada.
Mesmo nervoso, me aproximo pra falar com ela, mas ela faz isso antes, e com um sorriso no rosto.
- Oii!
- Oi Lia!
Beijinho pra cá, beijinho pra lá. O mesmo com a Gabi.
Até que a Lia comenta.
- Esse perfume que tu tá usando.. Carolina Herrera né?
- Acho que é..
- Mas é feminino, né?
Devia ser.
- Unisex!
- Tem certeza?
- Não..
Não tinha ué, vou mentir? Usar perfume de mulher não é exatamente um mico pra quem já passou por coisa muito pior. Incrível como agora o tempo passa devagar e cada palavra trocada ganha uma importância imensurável. Me sinto até vencendo a timidez, consigo conversar, mesmo sem jeito.
Me viro pro Fred e pergunto.
- Vocês gazetaram a aula também?
- Não, a gente não tem aula hoje. O cursinho vai mudar de local e ainda estão arrumando. Amanhã a gente vai pra um prédio novo..
A Lia olhava, quieta. Ela, o Fred e a Gabi tinham uma desculpa pra estar ali, eu não. Eu era um gazeteiro vagabundo. Me mantive calado enquanto o Fred conversava com as meninas, falando sobre uma tal briga que houve no curso. De tanto boiar naquele assunto, prestava atenção na vitrine da loja, na porta do elevador se fechando, na franjinha emo da menina ali perto.
Até que a Lia ignorou a conversa, se aproximou de mim e falou:
- É legal no Objetivo?
- Mais ou menos. Acho que o curso de vocês é melhor.
- E por que você não estuda com a gente?
Encarei aquilo como um convite e fiquei feliz.
- É mesmo.. Acho que vou mudar.
Estampava um sorriso raro no rosto. Tudo ali era motivo de felicidade. Estar ali, simplesmente. E a cada palavra trocada, mais feliz eu ficava. Até que veio o balde de água fria. A Lia olhou no relógio e exclamou.
- Gente, já vai começar e nada do Leonardo chegar!
O sorriso se foi. Olhei pro Fred. Vi um sorriso amarelo, ele também olhava pra mim. Se sabia, não quis me dizer.
Embora tentasse, era difícil esconder o incômodo que aquilo me causou. Olhava direto para o relógio, um pouco impaciente. Pensando em sair dali o mais rápido possível. Até que o Fred me chama pra conversar.
- Vou comprar uma pipoca ali. Vocês querem? João, vem comigo. Fiquem aí esperando que a gente compra pra vocês.
....
- Você não disse que eles não estavam mais namorando?
- Foi mal cara, eu me enganei. Nem eu sabia que o cara ia vir. Fiquei sabendo agora.
- E agora, cara? Eu não posso ficar aqui.
- Fica aí, talvez o Leonardo nem venha..
- Não, melhor não. E se ele vier? Vou virar vela dos casaizinhos? Vou ter que ficar vendo eles dois juntos? Não, cara. Tenho que ir embora. Me ajuda a encontrar uma desculpa convincente. Também não quero ir embora assim, sem motivo. Elas vão saber que é por causa disso..
- Sei. Tá bom, então. Você não tem aula hoje? Pode dizer que lembrou de uma matéria importante.
- É, né. Será que convence?
- Faz um teatrinho, diz que tinha esquecido que hoje tinha revisão de Física pro simulado. Vai até parecer que você é CDF. Pega o celular, finge que algum amigo te ligou. Eu dou corda.
- Tá certo, já sei o que fazer.
Peguei o celular, fingi estar recebendo uma ligação. Fiz todo o teatrinho. E então nos aproximamos das meninas e eu comentei.
- Pô galera.. Vou ter que ir..
- Por quê João, o que houve? - A Lia é a primeira a perguntar, com cara de espanto.
- É que hoje tem revisão pro simulado de Física, e eu não posso perder. Tinha esquecido, nem lembrava. É agora no segundo horário, dá tempo de chegar lá.. O Augusto acabou de ligar pra me avisar.
- Ah sim..
- CDF é outra coisa! Hehe. - o Fred tenta "colaborar".
Ainda que tímido e sem graça, às vezes me acho um bom ator. Usei minha frustração por saber que o Leonardo iria, para simular que o motivo da minha lamentação era, na verdade, ter que sair dali para ir ao cursinho. É uma coisa que eu sempre faço, direcionar emoções, tentar dar um motivo diferente para elas, quando convém. Se eu tô triste por alguma coisa e não quero que as pessoas saibam, finjo que é por outra razão, uma besteira qualquer. Graças à isso, acho que fui bem convincente.
Lamentei novamente não poder ver o filme, me despedi e saí caminhando até a saída. Liguei o mp3 player e coloquei na minha música favorita. Essa que dá nome ao blog. Andar dali até a saída era mais humilhante que a saída de um soldado derrotado numa guerra. E era mais ou menos isso. Mais uma derrota pra coleção.
Até deixei meu ingresso pro Fred entregar pro Leonardo, se ele fosse. Depois dessa, pelo menos devo ser o primeiro na porta que leva ao Paraíso.
Me disseram que você estava chorando.. e foi então que percebi, como lhe quero tanto. Legião Urbana - Quase sem querer
E ontem eu ia chegando no colégio, quando fui abordado por uma menina, com quem eu quase não tenho contato, mas já devo ter trocado algumas palavras, por estudar na minha sala e ser namorada de um conhecido meu. Aí ela vai se aproximando de mim e pergunta:
- Eii! Qual teu signo?
- Hein?
- Qual teu signo?
- Câncer.
- Ah tá..
Antes que eu perguntasse o motivo, ela se foi. Olhei pro Daniel com cara de "Hein?" e perguntei.
- Hein?
- Vai pegar hein? Sortudo..
- Por que diabos a menina quer saber o meu signo?
- É isso aí, ela te quer.
- Ela tem namorado, Daniel!
- E daí?
E daí? É mesmo. Como se ter namorado representasse alguma coisa, hoje em dia. Embora passasse pela minha cabeça que ela era simplesmente maluca, e perguntou por perguntar, ou pra satisfazer alguma curiosidade estranha, fiquei um bom tempo pensando se fazia algum sentido o comentário do Daniel. Não que eu estivesse interessado nela, mas só o fato de saber que a garota tinha algum tipo de atração por mim já me dava um novo ânimo pra continuar na minha missão.
Uma das meninas mais bonitas do colégio queria saber meu signo, assim, sem motivo aparente. "Grandes merda", eu sei, mas quando você quer dar um determinado sentido pra certas coisas, não há quem o faça mudar de opinião, nem mesmo sua consciência, que sempre fica martelando que você é um bobão e que vê coisa onde não tem. Como eu sou tímido demais pra ir lá e perguntar, eu vou deixar a dúvida com vocês e, a menos que algo anormal aconteça, não teremos uma resposta.
Essa coisa de horóscopo é engraçada. Eu vivo olhando estes sites de astrologia. Não acredito nem desacredito. Quando eu vejo meu horóscopo e ele diz "Você vai ser feliz e ganhar uma bolada de dinheiro hoje", eu faço questão de botar toda fé e passo o resto do dia esperando ganhar encontrar uma nota de 100 reais na rua ou ao menos achar 10 reais perdidos no bolso da calça, ainda que 10 reais não seja lá uma "bolada". Ser feliz é consequência. Mas quando ele diz o contrário, eu fico pensando em como é balela ver significado pra coisas da vida observando o céu e os astros.
De tanto refletir sobre astrologia, mulheres, dinheiro perdido, tempo perdido, lá se foi mais uma aula. Ao entrar no pátio, eu vi a Lia, sentada numa cadeira, olhando pro chão. Algumas pessoas estavam em volta, conversando com ela. Me aproximei um pouco e vi que ela estava chorando. Não sabia o motivo e havia tanta gente ao redor, que nem me aproximei. Ah, mas que vontade de ir lá, dár-lhe um abraço e consolá-la, seja lá qual fosse o motivo da tristeza. E, como sempre, fiquei só na vontade, observando. O Fred estava por ali, e perguntei pra ele a razão daquilo.
- É que ela tirou zero em inglês..
- Como?
- Não acertou nada no simulado, ué.
Engraçado, ela parecia tão inteligente, tão dedicada. Vai ver por isso que estava chorando. Se um aluno desleixado como eu tirasse zero em inglês, só iria tentar descobrir uma maneira de fazer com que meus pais não soubessem. Fazer prova final e recuperação é algo que eu tô acostumado desde a 7ª série..
Algum tempo depois, lá vem o Fred falar comigo.
- E aí cara, vamos sair com a galera hoje à noite?
- Hum...
Sair? Eu não sou muito de sair..
- ..A Lia vai.
Mas talvez estivesse na hora de mudar isso.
- Claro, cara! Pra onde? Que horas?
- Pro cinema! Eu, você, a Lia e a Gabi. É que.. bom, eu tô interessado na Gabi. Chamei ela pra ir pro cinema, e ela disse que ia, mas que queria levar a Lia, porque ela tá triste e tal. Aí, sabe como é, "vela" não me ajuda. E como todo mundo sabe que você é doidinho pela Lia..
- Como assim "todo mundo"?
- Você já viu seus olhos quando conversa com ela? Pois é, se pudesse ver, saberia como eles te denunciam. Tá na cara, João! Todo apaixonadinho.. hehe. Até o Adeilson sabe!
- Eu? Eu não! Acho ela gatinha e só..
- Sei!
- Mas a Lia não tá namorando?
- Acho que eles terminaram. Não estão nem se falando. Não notou?
- Não!
- Hoje às 19 horas! Esteja lá e não vai se arrepender!
- Hum. Certo. A propósito, quem é Adeilson?
Olhei no relógio e ainda era 11 da manhã. Mais algumas horas e eu teria a grande chance da minha vida. Sabe o que é sentir "borboletas no estômago"?
Eu volto hoje à noite ou amanhã pra contar o que aconteceu.
Utensílios Domésticos - Parte 1
Fui pagar um boleto do Submarino - coisa que não preciso mais fazer, pois agora tenho um cartão de crédito! - no Bradesco, e na fila tinha uma mocinha com cabelo castanho claro, que sei lá, deve ser o meu tom favorito.
Bom, naquelas, eu não tenho essas preferências também. Morena, branca, negra, loira, japonesa, eu prefiro sempre o que está sendo exibido na hora. Pode ser anã, pode ter um braço só...
... bom, não, não pode ter um braço só. Mas pode não ter as duas pernas, que nem naquela música do Adam Green: "There's no wrong way to fuck a girl with no legs". Concordo.
Bom, eu confesso, acho que tenho uma ou outra predileção... gosto das de castanho claro e daquelas que se pareçam um pouco com a Lois Laine ou a Mary Jane. Ah, vale Elaine Bennes (Seinfeld) e Monica Geller (Friends) também. Eu tenho esse defeito de tentar achar essas personagens de quadrinhos e sitcoms na vida real. Coisa de nerd, credo.
Fora essa predileção acentuada, eu não sou muito chato. Bom, de qualquer forma, eu acho que só sou mais chato que o meu avô, que não era nada exigente e gostava de proferir a clássica frase: "Coração tá batendo, então vai fundo, meu neto!" Mas aí é impossível ser menos exigente que isso.
Se bem que antigamente, no Egito, os embalçamadores tinham o direito de, você sabe, se aproveitar das defuntas antes de embalçamá-las. Sério, tu imagina que freak. O cara lá: "Amorzinho, você parece distante, não se concentra aqui no que estamos fazendo..." É, deve ser porque ela tá REALMENTE distante. Ou outro caso, vai que um embalçamador curte uma "mina" tanto a ponto de se apaixonar por ela? "Eu pensei que isso fosse só atração física... mas rola um sentimento. Eu vou ficar mais uns dias com você..." E sei lá, uma hora a mina vai se decompondo e tal. Credo, chega.
Acho que menos exigente que meu avô, só esses embalçamadores egípcios. Mas enfim, chega de história necrófila egípcia por hoje.
Depois de 10 minutos observando a menina na fila, que usava uma camisa do Ramones, resolvi falar com ela:
- Ramones, hein.
Que PORRA de puxada de assunto é essa? Aonde eu estava com a cabeça? "Ramones, hein"? O que alguém espera depois puxar assunto assim?
- É, Ramones. - ela disse sorrindo. - Elas são os Ramones.
- Eu tinha uma banda.. e a gente tocava umas dos Ramones.
- Quais?
- Life's A Gas. KKK Took My Baby Away... só essas. A gente não tocava tantas assim.
- Legal.
- É. Era legal.
E aí ficou um silêncio. Eu ia perguntar o nome dela, mas ela foi se viraaaaaando para frente e eu fui perdendo o espaço. Virou.
Tive uma idéia idiota.
- A gente conversava muito.
- Quem?
- Eu e o Joey.
- Joey? - virou pra mim novamente.
- Ramone. Joey Ramone. Esse moço aqui na direita na sua camisa. - e encostei na barriga dela. Mas de leve, só pra apontar.
- Não mesmo! - Disse ela rindo. - Você não tem idade para ter conhecido o Joey Ramone!
- Não, eu era bem pequeno, mas é verdade. O meu pai era vendedor e conhecia o Joey.
- Seu pai vendia o quê? Crack?
"Essa é das minhas!", eu pensei. Não podia perder essa chance e caprichei na mentira.
- Ele vendia... privadas. E todo a variedade de utensílios sanitários. Vendia pro Joey. Pra toda a galera do rock. Meu avô vendia pros Beatles. Reza a lenda que meus ancestrais vendiam para Bethoven, mas acho que ISSO é exagero.
- Calma, deixa eu ver se entendi: seu pai vende privadas pra rock stars?
- Foi a grande sacada do meu pai quando a gente viveu em New York. Chama "Rock-Toilett" a empresa dele.
- Isso é TÃO mentira.
- Não, não é! Daí o Joey aparecia lá na loja e...
- Ok, ok. Esse é xaveco MAIS MENTIROSO DO MUNDO. Mas eu, sei lá... enfim, eu também tenho uma banda que toca Ramones. Toma aqui o folder. Vai ver a gente amanhã.
Chegou a vez dela na fila, ela pagou, deu um sorriso para mim e foi embora.
- O meu nome é Patrícia. A gente se fala melhor lá.
(Continua...)
Oba, oba.
Saudades daqui. Tenho novidades para contar, amanhã volto aqui com uma delas.
Mas como prometido anteriormente pelo João, publico aqui o endereço dos profiles que fizemos no orkut para vocês manterem contato conosco e tal e coisa e patatí patatá:
João Eduardo e Max Surita no orkut.
É isso aí. Adicionem, façam testemunhos emocionados e mandem flechas de coração... esse treco parece promissor!
Fiquem legais! Até!
Me disseram que você estava chorando.. e foi então que percebi, como lhe quero tanto. Legião Urbana - Quase sem querer

Depois eu explico.
* * * * *
Vou criar um orkut, só para adicionar leitores e leitoras do Tempo Perdido. O motivo de ter um orkut próprio só pra isso é pra tentar continuar mantendo em "segredo" a existência do blog, já que nenhum dos meus amigos ou conhecidos sabem de sua existência. Brevemente postarei o link aqui.
Gosto muito de saber quem visita, se você vem por aqui, deixe um recado..

If I could, you know I would just hold your hand.. and you'd understand, i'm the man who loves you Wilco - I'm the man who loves you
E eu ia contar a história da minha ida à vidente, mas antes eu..
Ok, "enrolations no more", vou contar a história da vidente. Antes que eu me esqueça.
Era uma segunda como outra qualquer na vida de João Eduardo.
05:00 - Saio da internet, como alguma coisa e vou pra cama dormir.
06:00 - Estou no meio de um sonho sexual, e acordo com o despertador tocando.
06:01 - Desligo o despertador e tento voltar ao sonho a tempo de ainda dizer "SIM", quando a go-go-girl me pergunta "Você quer ir ali?". Sem sucesso.
06:10 - O despertador toca de novo. É um despertador eletrônico inteligente, adaptado pra gente como eu, que costuma desligá-lo na primeira vez em que ele toca, dizendo "vou dormir só mais 5 minutinhos.." Embora ele seja inteligente, eu não sou, e desligo-o novamente.
06:20 - Quem chama desta vez é o bom e velho "despertador-pai" que, com toda sutileza, bate dócilmente 10 vezes na porta "sussurrando", num tom de voz um pouco alto: "ACORDA MENINO, VOCÊ TÁ ATRASADO! BORA, ANDA!".
07:10 - Vou chegando no colégio, ainda pensando em como seria bom se tivesse uma cama na sala de aula. O diretor fala alguma coisa pra mim, que eu já nem lembro do que se trata, com uma cara não muito amigável, e eu respondo com um "Bom dia pra você também.".
08:00 - Olho pra professora e tento não dormir.
08:30 - Uma bola de papel atirada na minha cabeça, enquanto eu cochilava, me lembra do que eu estava tentando não fazer há 30 minutos atrás. Eu olho pro lado e tá todo mundo com cara de santo. Atiro a bola de volta no primeiro que dá um sorrisinho.
12:30 - Saio do colégio.
13:00 - Almoço.
13:30 - Vou dormir um pouco.
13:35 - A Paulinha me liga.
- Joãoooo! É hoje hein! Tá pronto?
- Grmshsh.
- Beleza então! Tô passando aí pra gente ir.
- Hnmsmss.
Tomo um guaraná, dois copos de café e um calmante. É que, sabe-se lá porquê, o calmante faz o efeito contrário em mim, e me deixa ligadão.
E fomos, finalmente. Eu, Paulinha e uma amiga dela que eu não conhecia, a Camila. No caminho, a Camila, única que já tinha ido lá, narrou suas experiências e as de suas amigas. Após ter ido duas vezes, ela virou uma espécie de representante da cartomante, levando alguns amigos toda semana para o local. Eu, sempre incrédulo, não via com tanta surpresa as milhões de supostas previsões certas no currículo da vidente, que a Camila narrava detalhadamente e a Paulinha ouvia esperançosa, esperando que também pudesse ouvir o que mais queria. Independente da pergunta, a resposta mais agradável é sempre "Sim." Sim! Firme, convicto. A menos que você pergunte se algo ruim vai acontecer, o que é pouco improvável, porque você morre de medo de ouvir um "sim" como resposta.
E chegamos. Eu esperava encontrar uma casa bem humilde, talvez até com uma fachada sombria e misteriosa. E encontrei uma casa de classe média, com dois carros na garagem, que não parecia nem de longe com aquilo que eu imaginava. Fazer vestibular pra quê? O negócio é entrar no ramo de previsões.
Eu nem vi a mulher, mas logo que entrei já ouvi uma voz, vinda do além:
- "Pode vir."
Pode vir? Quem? Já? Fingi que olhava algo no celular.
- Vai lá João! Vai primeiro.
- O quê? Hein?
- Arrr! Tá, eu vou.
E lá foi a Paulinha. Que menina de coragem. Sentou-se numa mesa junto com a vidente, chamada "Gleuda". Não era visível do ponto onde eu estava sentado junto com a Camila, mas podíamos ouvir um pouco da "consulta". A Camila não parava de narrar os fatos sobre a vidente e sua boa fama. Em um dado momento eu fiquei pensando se ela não era uma representante oficial ou algo do tipo..
Quando ela parou um pouco, a cartomante falou:
- Mas se ele brochar, não se preocupe.. isso acontece. É normal.
A gente, até por respeito, precisava fingir que não tinha ouvido nada, mas é fato que ouvimos, e não deu pra segurar a risada, cujo motivo foi questionado horas depois pela Paulinha. E aquilo atiçou ainda mais minha curiosidade e me deixou ainda mais ansioso. A mulher falava até sobre a vida sexual! O que diria ela sobre mim? "Certo, vamos falar sobre sua vida sexual. Hum.. hum.. Ahn.. Tem algo errado aqui, eu não vejo nada."
45 minutos depois, acabou a sessão da Paulinha. Fiquei esperando que a Camila fosse, mas soube que ela só foi nos levar até o lugar, e que não iria se consultar. É, não tinha jeito. Era a minha vez.
Observei o ambiente e, novamente, nada de anormal. A cartomante parecia com uma tia minha, e não usava nenhuma roupa estranha. Simpática e engraçada, ela me deixou bem à vontade. Eu não parava de rir, só imaginando o que seria dito ali.
- Ok. Escolha uma flor.
- Hm.. É que eu não conheço muitas flores, sabe?
- Não se preocupe, escolha qualquer uma aí, é só pra eu poder iniciar..
- Hm.. Uma rosa!
Pronto. Que significado teria aquilo? Escolher uma rosa me descreveria como um rapaz romântico ou como um gay que ainda não descobriu sua sexualidade? Ela separou as cartas, pediu pra eu "cortar" em 5 ou 6 partes, e começou a falar. Eu era apenas um ouvinte. Até porque havia sido aconselhado a não comentar nada e fazer cara de paisagem, pra ela não achar que estava acertando nas coisas que falaria sobre mim. Eu não parava de rir. Fora isso, enganar e fingir são algumas de minhas especialidades.
- Você é o rei da mentira!
Em meio a tantas frases, isso me chamou a atenção. Como assim? Ela já me chegava com essa? E como fica minha credibilidade? Eu não vivo mentindo, oras, só minto quando necessito..
- Mas veja bem, isso não é ruim, pelo contrário. É uma grande qualidade! É algo que pode ser bem aproveitado, tanto na sua vida pessoal, quanto profissional. Você só precisa saber usar.
Novamente: Pra quê fazer vestibular se eu tenho talento pra política?
- E a safadeza está no sangue, isso não tem como tirar. É, meu amigo, quem nasce assim fica assim pra sempre..
Mas hein? Continuava rindo. Dessa vez do absurdo que a mulher me falava. Safadeza? Um cara que ignora todas as mulheres à sua volta e só tem olhos pra uma, é chamado de safado? Ou eu era um safado e não sabia? Já começava a imaginar que daqui a alguns meses eu não escreveria mais um blog romântico, e sairia pegando uma menininha nova por dia. Minha safadeza estava no sangue, eu só precisava ir pras festas e aproveitar.
- Mas "benzadeus" hein! Você na cama.. nossa senhora!
Ponto! Eu era um safado bom de cama. E eu aqui perdendo meu tempo com essa balela de "amor"..
- Mas.. Agora vamos falar sobre essa menina aí que você gosta.
Parei de rir um pouco. Agora queria ouvir tudo atentamente.
- É.. ela não vale nem o chão que você pisa! E, cá entre nós, eu acho que isso não é amor não. Vai acontecer, mas você vai ver que não era nada daquilo que você esperava. Mas você é um safado mesmo, aposto que nunca amou na vida..
Novamente, ela dava combustível pra minha incredulidade. Ela não podia estar falando da Lia. E nem de mim. Mas, ao menos, era engraçado o jeito como ela falava. Sem meias palavras, me xingando mais que tudo. Parecia uma amiga, bem íntima. Mas uma amiga que sabia muito de mim. Mais do que qualquer outra pessoa. Porque, apesar de ter narrado essas coisas que não "batem" com a realidade, ela falou muita coisas que fazem todo sentido. Por questão de espaço, pra não deixar o texto muito longo, e de privacidade, porque pelo menos um pouco eu preciso ter, resolvi não contar tudo por aqui, só as coisas mais importantes.
Recapitulando: eu era um safadão mentiroso e bom de cama, a Lia não valia nada, e eu nunca havia amado alguém de verdade. Muito bla-bla-bla depois, chegávamos perto do fim da consulta.
- Agora chegou aquele momento em que você pode tirar as dúvidas que restaram. Você pode escolher cinco perguntas. Então você vai escolher cinco cartas e fazer uma pergunta, mentalmente, pra cada carta que será virada.
- É só "sim" ou "não"?
- Só "sim" ou "não".
Rá. Ela não diria nomes, não era tão confiável. "Sim" ou "Não" é loteria. Embora tivesse acertado 80% do que falou, os 20% restantes é que valiam mais pra mim. Então eu continuava não acreditando em nada. Mas essa história de fazer uma pergunta na mente e tê-la respondida, possivelmente, de maneira correta, me deixava bastante curioso. Escolhi as cinco cartas. Antes que ela virasse a primeira, eu pensei numa pergunta. E disse "Ok, pode virar."
- É. Com certeza não. Aliás, acho que tá na cara que não né?
Surpresa, de certa forma. Minha pergunta era se um amigo que vive rodeado de mulheres era virgem. Algo que perguntei só pra testá-la. Se a resposta fosse "sim", eu iria ter certeza de que a mulher não sabia de nada. Ou que meu amigo era um homossexual enrustido.
Feita a primeira pergunta, parti para o que realmente interessava. "A Lia vai ficar comigo?". Eu esperava um "não", embora, no fundo, quisesse ouvir um "sim"..
Ao virar a carta, notei que era uma cartinha com coraçõezinhos. Ou seja, uma carta de copas, que não lembro o número. Podia ser coincidência, mas aquilo me fascinou.

E a resposta mais ainda.
- Hum. Essa é a pergunta que mais te interessa né? Sim, e com certeza. Sem sombra de dúvidas. É só uma questão de tempo.
Agora eu coçava a cabeça, e me sentia até um pouco feliz. Será? Fiz mais duas perguntas sem importância e me restou a última. Como aconselhado pela Camila e pela Paulinha, resolvi repetir. Perguntar a mesma coisa. Se a resposta fosse a mesma, a mulher realmente sabia do que estava falando. "A Lia vai ficar comigo?"
- Sim, e eu já te respondi. Por que é tão difícil acreditar?
Pensei em passar o endereço do blog pra ela. Pensei em contar toda a história. Só pensei. E pensei mais.. Quem ela pensa que é pra me deixar esperançoso assim? Por que ela não me dava logo um "Não" duplo e fim de papo? Seria mais um motivo pra eu "cair na real." Embora não tivesse perguntado, ela respondeu.
- Quem sou eu? Eu sou a mulher que diz aquilo que você não consegue enxergar. E se eu estou dizendo, pode acreditar que é verdade.
Parei de pensar. O susto era maior. Resolvi abrir a boca.
- E quando vai acontecer?
- Quando você quiser. Só depende de você.
Me despedi, paguei a consulta (20 reais), e fui andando até o portão, junto com as meninas. Incrédulo, ainda. Mas e se fizesse sentido? Eu fui pra lá disposto a acabar com todas as dúvidas que eu tinha, e ganhei mais uma pra coleção.
Antes de sairmos, ela falou pra Paulinha, que voltou lá pra pagar a consulta.
- Eu não sei o que ele veio fazer aqui. Tá tudo tão bem. E ele tem uma menina que o ama..
A única coisa que eu saí de lá acreditando fielmente, embora viesse a descobrir depois que ela falou o mesmo para as minhas amigas, é o negócio de ser "bom de cama."
João Eduardo, 17 anos de safadeza, um "sex machine". Prazer.

Se não vai, não desvie a minha estrela. Não desloque a linha reta.. Gram - Você pode ir na janela
E eu continuo devendo a história da vidente, mas não poderia deixar de narrar minha aventura na cozinha. Não, eu não me aventurei tentando seguir os passos de algum famoso chef francês. Eu só queria comer alguma coisinha, mas daí surgiu....
A incrível saga de João Eduardo contra a Barata Assassina.
Chego na cozinha, disposto a fazer um lanche rápido e deter o terrível ronco que ressoava do meu estômago. Peguei o pão, coloquei um pedaço de queijo dentro dele e deixei-o em cima de um prato, enquanto ia na geladeira pegar um suco.
E vejo uma barata. Ela estava no balcão da cozinha, perto dos pratos, me encarando, desafiadora. Encarei-a também, e aproximei minha mão direita do mata-baratas. Vi que esta não seria uma boa arma, pois poderia contaminar os pratos que estavam na louça, jogando aqueles gases venenosos. Busquei então uma vassoura. Um método arcaico, porém mais limpinho. Me posicionei para o combate, gritei "AHHHHHHHHH!" (grito de quem vai atacar uma barata com a vassoura) e taquei a vassoura naquele bicho asqueroso.
Mas errei o alvo. Ela, percebendo que ainda estava viva, correu em direção aos pratos, na pia. A situação se complicou ainda mais para o meu lado. Não podia golpeá-la com a vassoura, pois certamente quebraria os pratos. Tive, então, uma idéia genial. Iria matá-la afogada. Liguei a torneira e a água subiu lentamente, enchendo toda a pia. Ria malignamente. A barata, com uma sagacidade incrível para um inseto tão insignificante, fugiu novamente e, num ato heróico de suicídio, caiu numa panela cheia de água. Morreu. R.I.P.
"We are the championnnsss, my frieeeeeeeeeeend.."
Mas nem tudo eram flores. Eu precisava remover aquela coisa suja da panela e não sabia como fazer isso. Resolvi, então, derramar todo o líquido que estava na panela junto com a barata. Na pia. Meu plano era lavar a panela em seguida. No entanto, novamente o acaso se lançou contra mim. A pia entupiu. Fiquei horrorizado com a pia toda entupida e aquele monte de água suja. Precisei, então, pensar em uma maneira de desentupir a pia. A barata já estava em segundo plano, removê-la dali não seria tão complicado. Idéia. Corri atrás de um arame e tentei desentupir. Só que o arame não era lá muito duro e não adiantou muita coisa, entortou facilmente. Dei o braço a torcer e resolvi esperar um pouco e pensar numa atitude. "Ah, daqui a umas 3 horas a água desce pelo ralo...". Enquanto isso, me lembrei de limpar os pratos e a panela. E a pia em geral. Como não sou lá muito cuidadoso com essas coisas, me contentei em jogar álcool em cima de tudo pra desinfetar. Acho que gastei todo o vidro de álcool nessa operação.

*
Minutos depois, já relativamente recuperado daquela desagradável surpresa, resolvi comer o sanduba. Eis que a luz apaga. Comer no escuro é algo um pouco complicado, pelo menos pra mim, já que eu gosto de verificar o que tô comendo. Tive a sensata idéia de procurar uma vela. Meti a mão em algumas gavetas e, depois de muito procurar, finalmente achei. Só restava achar um fósforo. Procurei pelas mesas, quase derrubei alguns copos, mas achei o bendito fósforo. Acendi a vela, joguei o fósforo na direção do lixo e fui comer em paz.
*
Quer dizer, quase.
Parte da pia pegava fogo. Surreal, eu sei, mas em se tratando de João Eduardo, parece que nada é impossível. Derramar aquele álcool todo não havia sido uma idéia muito inteligente. Eu não sou muito bom atirando coisas em determinado alvo, e o fósforo foi na direção errada, passando longe da lixeira. Como disse o meu amigo Max, nem a polícia do Rio é tão incompetente em suas operações. Pra matar uma mísera barata, eu estava incendiando a casa.
Felizmente, o fogo não havia se alastrado tanto, mas corri para o quintal e achei um balde cheio de água. Não tive dúvida, joguei a água na pia e consegui conter o quase-incêndio. A luz acendeu logo em seguida. Meu pai acordou e veio ver o que tinha ocorrido.
- Que fumaça é essa, menino?
- Ah.. hm.. eu fui fritar uns ovos pra colocar no meu sanduíche e acabou passando do ponto.
- E essa pia toda encharcada? E esse balde?
- É que tava muito suja, pai. Pensei em limpar e..
- Limpar a pia? Você?
- Hê.
.....
- Ei!
- Que foi?
- E essa barata andando em cima do teu sanduíche?
- Ah, eu mat...
- .....
- COMO ASSIM "ANDANDO"?

Queria achar outro lugar a começar, não sei se vale a pena te esperar. Cansei, não vou perder minha vida inteira por você.. Ramirez - Me diz
Como diria o Zé da Luz: "Ah, se sesse". O trecho da música acima não representa bem o meu pensamento, mas bem que gostaria que representasse. Aqui tem o poema completo.
*
Devo pra vocês a história da minha ida à vidente, mas antes vou contar do meu sonho, que é algo que pode ser contado em poucas linhas. Eu não lembro como começou, aliás, meus sonhos são sempre sem pé nem cabeça. Mas estava em algum lugar, bem amplo e com uns banquinhos. Eu, a Lia e um amigo dela. E eu nunca vi esse amigo dela, mas parecia que éramos amigos de infância. E, sim, eu também era amigo da Lia.
Aí chegou um ator de Hollywood. Não era tão bonitão assim como um galã de Hollywood, e falava português sem nenhum sotaque. Eu não conhecia aquele rosto, ninguém o assediava, e ele não chegou trazendo nenhuma prova de que era ator, muito menos de Hollywood. Mas meu sonho o definiu como um "ator de Hollywood", e quem sou eu pra questionar? E ele foi se aproximando da Lia, e eles conversavam, aparentemente como bons amigos. Embora estivéssemos bem próximos, a Lia não falava comigo, só dava atenção pra ele.
Enquanto isso, o outro amigo da Lia, que, coitado, não ganhou nenhuma descrição no meu sonho fora ser um "amigo da Lia", conversava comigo sem parar. Falava, falava e falava. Eu não lembro de nada do que ele falava. Mas ele falava. E eu ficava calado, só dava alguns sorrisinhos e comentava "É..", "Hum..", "Pois é..". E, ainda assim, ele parecia me achar um cara legal. Talvez por finalmente encontrar alguém que concordasse com tudo o que ele dizia. E a Lia e o ator de Hollywood conversavam cada vez mais, e aproximavam suas faces, e sorriam. E seus olhos pareciam brilhar, como em toda história romântica de casais apaixonados. Enquanto isso, eu ficava só observando, um pouco de lado, pra não chamar tanta atenção. Não queria que me notassem. Mas a Lia não parava de olhar pra mim.
E quando o ator de Hollywood tentou lhe dar um beijo, ela se esquivou, sorriu, e comentou alguma coisa com ele. E ele parecia questioná-la, e tentou novamente lhe dar o beijo, mas ela, embora desejasse, parecia não querer ali, naquele momento. E eu parecia ser o motivo, talvez porque ela enxergasse através da minha alma e soubesse o quanto eu não queria ver aquilo.
*
Em um dado momento, o meu amigo falante notou que estávamos atrapalhando e disse que deveríamos sair dali. Eu acabei concordando, não sei até onde a Lia resistiria, e precisava me preservar. Como diz o ditado: "O que os olhos não vêem, o coração não sente".
Eu não sei como terminou, só sei que o despertador tocou logo depois. Já faz um tempo que eu não vejo a Lia, por causa de vários feriados seguidos, desencontros no colégio, e por estar em época de provas. E esse foi o meu segundo sonho seguido com ela, mas eu não lembro do outro. Sei que era igualmente "nonsense". E, olha só, talvez seja um sinal. Talvez um dia eu não lembre mais do meu sonho de ter a Lia pra mim. E a única coisa que ficará na minha memória é que essa história foi algo completamente sem sentido.
Outra História do Tempo De Namoro
ou
A Última História Do Tempo De Namoro
Uma coisa que eu não queria fazer era voltar para cá contando histórias do namoro. Na verdade, uma coisa que eu não queria fazer era voltar para cá, porque isso seria um sinal de que eu não estava mais namorando. Não que eu não tenha prazer em falar das coisas gozadas que acontecem na minha vida, aqui, ao lado do João, mas é que a gente sempre quer dividir essas coisas com uma menina só. Sério, quando eu comecei a namorar, peguei a senha do blog, fui em Configurações -> Mudar Senha - e digitei qualquer coisa, para poder me libertar de vez do "loserismo".
O ruim, é que tem que colocar a nova senha duas vezes, e era meio impossível digitar qualquer coisa no teclado 2 vezes seguidas. Tentei por 5 minutos e não consegui. Daí pensei "Vou colocar uma frase que nunca vou me lembrar." E a senha ficou "lavemocebolaocaraleoeletanervoso" (Lá vem o Cebolão. Caralho, ele está nervoso).
Não anotei em papel, nem nada. Podia curtir minha vida de namoro sem as tristezas da solidão.
Assim eu pensava.
Há umas semaninhas, a Jéssica (a namorada) resolveu ir para a praia. Então tá. Eu gostava disso porque ela ia ficar corada, bonita e tal. A não ser que ela ficasse muito tempo no sol, daí ela ia ficar vermelha. Mesmo com medo de ser pego por alguma entidade de defesa das questões raciais, eu tenho que declarar que não ia gostar muito se ela ficasse vermelha.
- Bacana, vai lá. Só não vai muito pro fundo. - eu falei, serenamente.
- Como assim?
- É perigoso. E eu tenho medo desses tubarões. A gente nunca sabe o que acontece dentro d'água.
- Não, como assim "vai lá"?
- Assim você me assusta. "Vai lá" é uma frase muito fácil de entender.
- Não Max, você tá querendo dizer que não vai?
- É.. isso. Eu não vou.
- Mas você não pode fazer isso comigo!
- Isso o quê?
- Me deixar ir sozinha.
Sabe, meninas. Eu não entendo muitas coisas no mundo. Eu não entendo como o homem foi à Lua há quase 40 anos, e simplesmente nunca mais voltou lá. Nem para buscar as chaves. Não entendo como até hoje não bolaram uma forma de engessar a perna dum cavalo, ao invés de simplesmente meterem-lhe uma bala na cabeça, quando esse quebra a pata. E a outra coisa que eu não entendi, foi o motivo da raiva da Jéssica, pelo fato deu deixá-la ir à praia sozinha. Ela queria o quê? Que eu arrumasse uma máquina do tempo, nos transportássemos para 1930 e eu dissesse "Mulher, você não sai de casa sem mim."
- O que você quer que eu faça? - respondi, com os olhos arregalados.
- Arrume uma máquina do tempo e nos transporte para 1930. Segure meu braço e diga "Mulher, vocÊ não sai de casa sem mim!" Me mande para cozinha para preparar um porco assado para você.
- COMO???
Não, não foi isso. Mas seria bem interessante, e esclarecia as coisas na minha cabeça. E sem contas que um porco assado seria delicioso, ao invés daquela discussão desagradável. Mas a verdade é que a coisa continuou assim...
- O que você quer que eu faça? - respondi, com os olhos arregalados.
- Vá comigo.
- Eu não gosto de ir à praia.
- Nem comigo?
- Hey, eu sou sincero com você. Sempre. Eu já disse que iria até o Inferno com você. Mas quem disse que o Inferno é pior lugar do mundo? Lá é muito legal, isso sim. Todos os comediantes e rock stars devem estar lá. É pra lá que eu quero ir. Mas existem lugares que eu não iria nem por você. Um deles, seria um show do Bruno & Marrone. O outro, uma praia. O terceiro, a casa do seu avô, porque quando eu demoro no banheiro, ele grita pela casa que eu estou me masturbando e isso não é gentil.
- E?
- Como e?
- O que você decidiu?
- É lógico que não vou!
- E me deixa ir sozinha?
- Vai! A vida é sua! Desde que você não venha me abraçar com o corpo sujo de areia, eu estou feliz!
- Meu Deus... nem se a gente ficasse junto na areia.. e você sabe...
- Isso só funciona na novela das 8. Na vida real, a sua bunda enche de areia.
- Você é ridículo.
Sabe.. eu senti que a conversa tomou um rumo diferente depois disso.
- Comparando com o menino das Casas Bahia, eu sou bem elegante.
- Não, você é ridículo mesmo. Você não pode me deixar sozinha, de biquini, com um monte de gente.
- Eu confio em você.
- Mas vai ter um monte de gente olhando.
- Sim, mas uma coisa que você tem que aprender sobre os homens, é isso: pra gente, não importa se está com muita ou pouca roupa. A gente apenas imagina vocês nuas, fazendo as coisas mais nefastas na cama. Então isso não faz muita diferença pra mim. Aliás, tem um monte de menina na praia, e os olhares acabam se espalhando por tooooooda a praia. Se bobear, ninguém vai olhar para você.
- E minhas amigas?
- Talvez olhem para elas. Talvez sim, talvez não, eu não tenho como saber, porque eu não vou.
- Não... elas vão com seus namorados.
- Sim...
- E eu vou sem?
- Você tem que entender que a praia é uma coisa sua. Não minha.
- Olha, eu cansei.
- Que bom. Mas aproveite a praia, querida.
- Não, não tem mais querida.
Eu não vou transcrever o resto da nossa conversa, porque... aí a coisa é um pouco mais séria, e eu não costumo me abrir a esse ponto. Espero que me respeitem por essa decisão. Mas posso dizer que o fim, o fim mesmo, foi ameno, foi pacífico, (bem) mais do que estas linhas publicadas acima. O fim foi digno e respeitoso. A gente não servia um pro outro. Eu era apenas o cara-engraçado e gentil que ela sempre quis; mas não era um monte de outras coisas que ela queria muito mais. Como por exemplo, essa pessoa que se sacrifica ao extremo. Eu nem sou tão engraçado e gentil assim, então nem tem como compensar. Essa discussão foi apenas o estopim, a gota d'água. A gente sempre se achou legal, mas não éramos "alma-gêmeas". Eu acho que era isso.
Mas você sabe, a vida continua. Terminar um relacionamento é sempre muito doloroso, ainda mais quando a gente tenta, tenta... se esforça, ignora os pequenos erros... e chuta pra fora. Mas, é a vida.
É a vida.
Quando não houver esperança. Quando não restar nem ilusão. Ainda há de haver esperança.. Titãs - Enquanto houver sol
Eu já pensei nas mais variadas estratégias pra conquistar a Lia, como vocês acompanham aqui. Agora eu pensei em algo diferente: eu tenho que ver o que o futuro me reserva. Assim eu poderei me preocupar menos. Ou mais. Logo, irei numa vidente. Pra mostrar meu caminho até a vidente, tenho que apresentar uma pessoa nova na história. Eu tenho uma amiga, que estudou comigo no colégio anos atrás. Perdemos um pouco o contato, mas retomamos via MSN, e hoje somos grandes amigos. Seu nome? Paula. Todas a chamam de Paulinha, mas quando eu a chamo de Paulinha ela me chama de Jãozinho (assim mesmo, dessa maneira), então concordamos em não usar nossos nomes no diminutivo, para poder manter a amizade. E aí, após várias discussões sobre a vida, sobre nossos amores, sobre a economia do Haiti e sobre os ursos brancos do leste da Austrália (ainda que não existam ursos brancos por lá), ela me veio com algo que pode ser a resposta pra grande parte dos meus dilemas. Ir numa vidente. "Ela acerta tudo", me garante a Paulinha. Ops, Paula. Então resolvemos ir, os dois.
Depois de amanhã. Apesar de morrer de medo, acho que pode ser uma experiência legal.
E vocês, o que acham?
Eu gosto de valorizar a participação dos leitores aqui, acho que este blog não conta somente uma história, ele diverte, ele ensina (ainda que seja "o que você NÃO deve fazer"). Tenho certeza de que não sou o único que lê os comentários, então é sempre bacana ver os conselhos, os relatos e as observações sobre o que postamos aqui e sobre esse tema que atormenta ou alegra tanto a nossa vida: o amor. Minha vida virou uma novela quando eu decidi criar este blog junto com o Max. Tenho consciência disso. E talvez, assim como nas novelas, quando o diretor é obrigado a mudar algumas cenas por pressão do público, vocês possam mudar o curso dessa história.
É só clicar aqui embaixo e expor o que você tem a dizer.
I never wanted to love you, but that's ok. I always knew that you'd leave me anyway. But darling when I see you, I see me.. The Magic Numbers - I see you, You see me.
Estava com o Fred e observei quando uma amiga dele chegou para conversar. Olhava para o nada, completamente alheio a tudo que ocorria à minha volta. Até que falaram a palavra mágica.
- Quem? O namorado da Lia?
- É, o Leonardo.
O pastel de queijo parecia não querer descer para o estômago. Por mais que eu já tivesse todas as evidências, era diferente ouvir uma confirmação. Sim, eles estavam namorando.
A Lia não foi pra aula hoje. Ou pelo menos não saiu da sala.
E minutos depois o Leonardo chegou na minha roda de amigos. Como de costume, cumprimentou a todos, com um sorriso no rosto. Dei a mão pra ele sem muito entusiasmo, mais por educação. O Leonardo sempre foi um cara legal, gente boa, mas agora eu o odiava do fundo da minha alma. Sim, que sujeitinho sou eu! Cheio de rancor e direcionando todo o meu ódio para alguém que não merecia isso. Mas é complicado lutar contra o ciúme. Em alguns momentos eu conseguia controlar, mas quando ele se aproximava da Lia a vontade era chegar nele dando uma voadora no melhor estilo "Lindomar, o sub-zero brasileiro".
Já em casa, voltei a pensar no assunto, que havia saído da minha cabeça apenas por alguns segundos, quando meu pai perguntou como estavam minhas notas. Ludibriei ele como de costume dizendo que estava "tudo ok" e ele não insistiu no assunto.
A raiva me consumia por completo. Dei várias voltas pela cozinha, pra lá e pra cá. Até mesmo enquanto comia. Aliás, já não sentia fome. Amassava o pão e enfiava na boca, sem mastigar direito.
Senti que precisava relaxar. Mas a minha raiva incontrolável me fez socar a parede várias vezes, até tornar a dor nos meus punhos insuportável. Se eu estivesse lá fora e alguém me provocasse neste momento, não responderia pelos meus atos. Tendo um estilo de vida quase parecido com o de um adepto do Hare Krishna, eu havia me transformado num membro do Ku Klux Klan. E pouco importava se o Leonardo era mais branco que eu.
Mas era preciso relaxar. Deitei na cama e coloquei um cd para tocar. No player, Eminem. A faixa "Kim", de sua fase "malvadão bad-boy", que conta a história de um cara quando ele descobriu que sua mulher o traía e a matou enterrando-a viva. Vi que isso só piorava as coisas e corri para o computador.
Achei que jogar algum game era uma boa válvula de escape. Já comecei mal, deixando de lado o Fifa Soccer de sempre e partindo para o Delta Force, um joguinho de guerra. Me armei até os dentes e iniciei o jogo, atirando pra todo lado. Matei todos os inimigos que via pela frente. Ria diabolicamente a cada novo corpo que caía no chão. Mas a matança logo teve um fim. Não que eu estivesse mais calmo. E sim porque eu já havia cumprido a missão do jogo, que era só uma demo que veio numa revista, com uma única fase, já que eu não tinha dinheiro para comprá-lo completo. Voltei então e comecei a atirar na minha própria base acertando meus companheiros nos piores lugares que um homem poderia ser atingido, mais endiabrado do que o Zé Pequeno de Cidade de Deus. E todos os meus alvos eram o Leonardo. Um exército de Leonardos.
Antes que me ocorresse a idéia de chegar na escola com uma arma na mão, achei melhor parar.
Arrumei-me para a primeira aula do pré-vestibular. Eu havia optado pelo curso que meus amigos escolheram. Não sabia da Lia, esperava que ela tivesse tomado a mesma decisão. Meu pai já havia pagado a primeira parcela, seria complicado mudar.
Já fiquei desanimado ao chegar. Não, ainda nem tinha visto os alunos. Mas aquela figura na porta era inconvenientemente familiar.
- Olha só quem vai estudar aqui! Já estão entrando na sala, João, corra pra não chegar atrasado. E se precisar ir ao banheiro, é melhor ir logo.
Era demais pra mim. Eu tinha que ver o infeliz do diretor de manhã, à tarde, nas aulas de inglês, e agora até de noite, no pré-vestibular. Via mais aquela face desprezível do que a minha família.
Mas o curso parecia bom. Quase todos os meus amigos, nada do Leonardo. Sala lotada, alguns conhecidos e muita gente que nunca vi na vida. Qualidade do ensino ou dos professores? Ah, que diferença faz? Tentando mudar um pouco meu estilo de vida e me preparando para me tornar um rapaz estudioso num futuro próximo (ou nem tanto), sentei ali pelo meio. Ao menos no cursinho pré-vestibular não faria parte da turma do fundão.
Aliás, todos os meus amigos optaram pela mesma localização. Teriam todos a mesma consciência de que era necessário estudar, já que estávamos próximos do vestibular, ou elegeram um novo ponto para aterrorizar os professores? A aula começou e ouvi um barulhinho. Olhei pro lado e era o Augusto ouvindo seu mp3 player. E notei que ele só estava com um fone de ouvido na orelha direita, parecia querer ouvir música e prestar atenção na aula. Ou pelo menos ficar ligado se fizessem alguma piadinha sobre ele ou o professor lhe perguntasse alguma coisa, o que parecia mais provável. Primeira aula do pré-vestibular: Física. Eu bem que queria me esforçar, mas.. Física? Falei com o Augusto.
- Tá tocando o quê?
- Opa.. The Killers - When we were young.
- Deixa eu ouvir com o outro fone?
- Opa, pega aí.
The Killers, Strokes, Raconteurs, Libertines, White Stripes, Franz Ferdinand, Foo Fighters e.. Fresno.
"Já tentei fazer com que você voltasse, também já tentei sozinho encontrar a solução.."
- Ô Augusto, pega aí.
- Não vai mais ouvir?
- Não, vou estudar.
Aquela frase ficou na minha cabeça. "Não! Vou estudar". Estudar. Eu olhei pro professor e ele sorria pra mim, parecia ter ouvido. Senti-me feliz com aquilo, com a simpatia, e sorri de volta, tentando retribuir.
- João Eduardo! Diga-me.. Qual destas fórmulas está correta?
Cocei a cabeça, olhei pro lado e vi o Rodrigo fazendo um gesto com as mãos, levantando dois dedinhos.
- A segunda?
- Nada disso. Vou dar outra chance.
O que me deu na cabeça pra confiar no Rodrigo? Fui, então, pela minha intuição.
- A terceira!
- Também não, João. É a primeira. Eu acabei de explicar, pensei que você tivesse prestado atenção..
O pior é que, dando uma rápida olhada pras pessoas em volta, era como se todos zombassem da minha burrice. Nitidamente, a questão não era difícil pra quem não ficava viajando na maionese, era como se todos ali soubessem. Menos o Rodrigo e o Augusto. O Daniel bateu no meu braço e falou.
- Pô, tu é muito burro. Essa aí até minha avó sabia..
O Daniel, meu amigo que só queria saber de jogar RPG. Era o fim da picada.
E todo esse mico só porque eu quis ser simpático. Fechei a cara e pedi o fone de ouvido novamente pro Augusto.
*
Acabou a aula, e meu pai foi me buscar. E em seguida fomos pegar minha mãe no colégio onde ela trabalha como professora. Ela sai 30 minutos depois do término da minha aula. De um lado da rua fica o colégio dela, e do outro.. o cursinho da Lia e do Leonardo, descoberta que tive assim que o carro parou ali perto e pude ver os alunos saindo. 10 horas da noite, tocando "The Cure - Just Like Heaven" na rádio. Eu sentado no banco de trás, que me atrai por ser mais espaçoso, graças ao outro lugar que fica vago. Meu pai em silêncio, olhando o movimento das pessoas e vendo se minha mãe aparecia. E eu pensando, observando timidamente as pessoas no cursinho, como se tentasse me esconder. Pra não correr o risco de ser visto, me deitei ali mesmo, e depois de refletir um pouco vi que era melhor assim: eu aqui, ela lá. Acho que a distância é mais benéfica. Não adianta nada estudar na sala dela morrendo de ciúmes. Distante, eu ao menos não enxergo aquilo que meus olhos odeiam ver.
You... lost and lonely. You.. just like heaven... - The Cure - Just Like Heaven
E eu voltei
Claro que peço desculpa às meninas - e aos rapazes, por que não? - que visitam o Tempo Perdido por minha ausência. Mas é claro, vocês tiveram as histórias do João para ler, então tenho certeza de que não sentiram muito minha falta.
Seguinte, a coisa é bem simples: eu andei namorando. E se estava namorando, não tinha "probleminhas amorosos" para contar aqui. E eu não quero ser um daqueles caras que posta foto do casal se beijando, envolto à estrelinhas piscando freneticamente, e filtros de Photo-Shop que CEGAM se você olha por mais de 30 segundos minutos.
Então me afastei. Mas tô postando aqui agora, então significa que...
- Acabou.
- Leitora esperta.
Acabou porque tinha de acabar. Mas boas histórias aconteceram no meu "tempo de namoro". Uma delas foi na primeira vez que eu passei um fim de semana lá.
Eu estava já muito ocupado umas 2 semanas. Rotina simples, mas dura e cansativa: da faculdade para a locadora, da locadora para dar um pulo na namorada, e do pulo na namorada para casa. Chegava em casa, engolia alguma coisa e cama. Nisso eu já estava com um cabelo imenso e a barba já atraiando areia.
"Barba atraiando areia". Gosto dessa expressão para barba grande.
Então numa quinta-feira, feriado, a Jéssica (a namorada) me chamou para dormir na casa dela até segunda. Confesso que isso me deixava meio meio nervoso e relutar a aceitar. Não que eu não quisesse passar agradáveis momentos com ela, mas você sabe, tem toda a família dela lá. Eu não me sinto bem nessas situações. Em algum momento eu vou fazer alguma piada que ninguém vai entender e vai ficar um clima chato na sala e, cara, eu sei como são essas coisas. O pai dela vai acabar enfiando uma... uma faca em mim no almoço, cara, eu sei que vão... e - ok, vocês entenderam meu medo e pânico com essa coisa toda.
Mesmo assim eu aceitei. E quinta à noite, antes de irmos pro cinema, eu decidi fazer a barba - já na casa dela. Peguei na minha mochila todo o aparato necessário para tal. E fui fazendo, sem muita habilidade, confesso. Na verdade, eu fico um pouco preocupado com isso em mim, no lance de ser homem e tal. Eu não sei fazer a barba. Isso tira um pouco o valor do "Sexo: Masculino" nos meus documentos de identificação.
Eu me corto muito - não que eu seja um daqueles caras emocores que se cortam - e rapaz, dói. No primeiro corte, eu soltei um gemido. "Uuufffh." Mais dois: "Ghhh". "Ouch". Bem baixinho. Pelo menos eu achei. Ouvi de fora do banheiro o avô dela "Tem alguém se masturbando aí dentro? Quem está aí dentro?"
- O Max, vovô, o namorado da Jéssica. - disse a tia.
Gente, essa menina tinha uma tia na casa dela. Que família imensa e unida. Que horror, que horror.
- Pois o Max está se masturbando, minha filha.
- Masturbando?
- Ou você está jogando um barro, garoto?
Cara... eu sabia. Eu sabia. Muita gente numa casa só. Tinha que dar problema.
- Não... não Senhor... Senhor... - gaguejava eu.
- Bittencourt.
- Sim, isso. Não, não. Não estou me masturbando Senhor... Bittencourt. Nem fazendo a outra coisa.
- Que coisa?
- O lance da... da cerâmica. - eu sempre tento ser sutil nessas horas.
- Cerâmica?
- É.. o...
- Não entendi.
- Sr Bittencourt, apenas não se preocupe.
- Sim... certo, garoto. Mas cuidado com esses ladrilhos hein, hahahaha.
Ele saiu e eu ainda o ouvi comentando com alguém na sala "Na idade dele, eu vivia me masturbando! Hahahahaah!"
Pronto. Pelo menos por essa passei. Mas vinha mais coisa. Lembra do lance de não saber fazer a barba? Então, um outro problema que tenho é na quantidade de creme-de-barbear. Eu acabo colocando muito. Daria para depilar o Tony Ramos durante o verão inteiro - e no inverno não precisaria. Deve ser até legal aquela proteção toda.
Mas eu passo muito e um pouco acabou escorrendo para o meu tórax. Eu poderia agir como um cara normal e simplesmente limpar, certo? Mas quem disse que eu ajo como um cara normal (especialmente quando isso é ALTAMENTE RECOMENDÁVEL)? Eu tive a infeliz idéia de raspar um pouco os pêlos do tórax.
Comecei, estava indo bem. Estava me sentindo um verdadeiro nadador. Me empolguei com a brincadeira e me cortei. Duas vezes. "Ugh". "Ouch". O terceiro corte foi mais forte. "AI CARALHO."
- Eu vou entrar é agora nesse banheiro! Esse cara tá se masturbando na minha casa! - gritou o avô.
E o Sr Bittencourt invandiu o banheiro com toda sua delicadeza de militar. E toda a família viu que eu estava depilando meu tórax.
Agora o mais triste, o mais pavoroso, o mais doloroso disso tudo, é que eu fui obrigado a conviver com essa gente até a segunda-feira.
Quem dera se eu estivesse me masturbando. O avô não diria "Ô metrossexual, me passa a manteiga?" nas manhãs. Aliás, ele não iria querer que alguém que estivesse se masturbando, passasse qualquer coisa para ele.
Havia um tempo em que eu vivia, um sentimento quase infantil. Havia o medo e a timidez, todo um lado que você nunca viu.. Paulo Ricardo - A cruz e a espada
A minha nova idéia para conquistar a Lia parecia sensacional. Um amigo comentou que eu deveria fazer alguma simpatia. Por que não tentar? Eu não acredito nisso, mas eu também não acreditava nas correntes e hoje repasso todas.
Chegamos ao ponto nevrálgico do plano. Era preciso conseguir uma calcinha da pessoa amada.
Já desanimado, me ocorreu outra idéia. Eu não conseguiria a calcinha da Lia, mas poderia comprar uma e dar pra ela de presente.
- Mas aí eu não sei se funciona. Tem que ser da pessoa..
- Mas será, oras! Não dá pra colocar a simpatia, feitiço, macumba.. ou sei lá o quê na calcinha antes da pessoa usar?
- Hm. É, talvez.
Estava convencido de que era um gênio. Só precisava ir numa loja e comprar uma calcinha. Só. Ir numa loja. Comprar uma calcinha. Apenas. Somente.
Parei de refletir sobre o assunto antes que ele me assustasse mais e saí decidido de casa, rumo à loja.
- Filho, aonde você vai?
- Comprar um negócio na C&A..
- Ah, eu vou com você! Tenho que comprar uma sandália nova e..
- Não, mãe! Eu quero ir só.. é que.. eu preciso.. Não dá pra explicar agora, tá bom? Vou lá!
Minha mãe ia fazer algum questionamento mas, estranhamente, calou-se e abriu um sorriso. E ainda perguntou se eu queria carona.
Neguei a carona. Vai que ela se empolgava e resolvia entrar lá comigo? Não dava. Eu ia pra sessão feminina da loja comprar uma calcinha. Até que eu explicasse pra ela que era um presente pra minha "paquera", ela já estaria desconfiada e reclamando pelos cantos por não ter me impedido de brincar com as bonecas da minha irmã, na infância.
Entrei na C&A e fui direto para a área feminina, pela primeira vez na vida. Olhei em volta e só haviam mulheres. Cheguei perto de onde escolheria meu presente e fiquei avaliando todos as cores e modelos, sob olhares desconfiados da senhora do meu lado. Até fiquei um pouco mais à vontade quando vi um homem bem próximo à mim no mesmo local. Mas me aterrorizei quando notei que ele se aproximava de mim com um sorriso no rosto.
- Olá!
- Olha, eu só tô comprando calcinha pra minha namorada, ok? Eu não sou ga.., hm, homossexual. Não sou preconceituoso também. Mas a minha praia é outra..
- Ahn? Não, não, eu só queria lhe fazer uma pergunta. Você já tem o seu cartão C&A?
Suspirei aliviado e disse que não. E então o rapaz começou a me falar de todas as vantagens de ter um cartão C&A. Ele falava tanto e de um modo tão simpático que eu estava com vergonha de cortá-lo e dizer que não, eu não queria o cartão C&A. 10 minutos depois, mudei de idéia e resolvi ser bem direto.
- Não quero, obrigado!
- Mas é rapidinho! Você só precisa me dar o número do seu CPF. Me empresta o seu CPF só pra eu ver uma coisa, é bem rápido!
Fiquei sem jeito e dei o documento pra ele, que pegou um telefone e ligou pra alguém, possivelmente querendo saber se eu tinha a ficha limpa. E claro que eu tinha, eu nunca havia comprado nada na vida, era sempre meus pais que compravam.
Mais 5 minutos se passaram e ele me devolveu meu CPF.
- Está tudo ok! É rapidinho. Você só precisa assinar esse formulário aqui..
- Ô meu caro, muito obrigado, mas é que realmente eu não quero fazer esse cartão. Eu só vim aqui comprar minha calcinha. Digo, pra minha namorada!
- Mas é rapidinho!
Fui um pouco mais direto novamente e insisti que não queria. Ele insistia, e eu precisava insistir negativamente. Uma hora ele se cansou, me agradeceu e largou do meu pé. E, enfim, pude escolher a calcinha direito. Peguei uma singela, com o desenho da Hello Kitty.

Não fazia idéia quanto ao tamanho, então resolvi tirar a medida em mim. Se desse em mim, daria na Lia. Certifiquei-me de que não havia ninguém olhando e, timidamente, coloquei a calcinha na frente do meu short, tentando imaginar se havia escolhido o tamanho correto. Para minha falta de sorte, o rapaz do Cartão C&A passou neste exato momento e me deu uma dica.
- Assim fica difícil, acho que é melhor você experimentar. Tem um provador bem ali, pode ir ali ó, naquela portinha.
- Mas não é pra mim! É pra minha namorada!
- Ah sim, claro, foi o que eu pensei. Essas aqui estão na promoção, você leva 3 por apenas 30 reais. E ainda ganha um desconto de 10% com o seu cartão C&A!
E lá vinha ele com o maldito cartão C&A. Disse "Legal", peguei a calcinha e fui direto pro caixa. Já nem me importava tanto se havia feito uma boa escolha, se livrar daquele chato era uma missão mais importante.
Entrei na fila pra pagar e havia um sujeito bem afeminado na minha frente, que havia comprado umas blusinhas e umas calcinhas. A mulher do caixa perguntou se era pra presente, não querendo ser indiscreta, apenas pra saber se devia colocar num pacote especial ou não. E ele logo respondeu:
- Não, minha querida. São pra mim mesma!
Chegou a minha vez, ela pensou um pouco, levantou as sobrancelhas como se tentasse descobrir a resposta sem me consultar, mas mudou de idéia.
- São pra você mesmo?
Apressei-me em dizer que eram pra presente e até esqueci de citar "minha namorada", o que afirmaria com mais veemência minha opção sexual perante a todos que ali estavam.
Não tinha um espelho, mas era como se eu pudesse me enxergar completamente ruborizado. As gotas de suor também denunciavam minha vergonha, o que fez até a atendente se desculpar pela pergunta.
Cumprida a missão, saí da loja aliviado, com meu pacote na mão. Lembrei que o pacote despertaria a curiosidade da família toda e logo me ocorreu que precisava disfarçar a embalagem. Passei no McDonald's e comprei um lanche pra viagem, podendo assim me livrar da sacola com a marca da C&A e esconder o pacote numa insuspeita embalagem do MacDonald's.
Cheguei em casa e tentei passar despercebido até o meu quarto. Mas assim que entrei, vi minha mãe arrumando tudo e limpando. Não falei nada e guardei o presente no armário, esperando que ela não me perguntasse nada. E, surpreendentemente, não perguntou. Nem mesmo fez o fatídico comentário sobre a bagunça eterna que era o meu quarto e como eu conseguia viver naquela "zona". Arrumava tudo e ainda cantava. Que felicidade a minha ter minha mãe num dia feliz, nem precisaria pegar meus cadernos e fingir que estudava até passar alguns minutos e eu poder usar o computador sem maiores objeções.
Fui dormir pensando em como faria para entregar a calcinha pra Lia, depois de fazer a promissora "Simpatia". Felizmente o dia seguinte era um sábado e eu não teria aula, o que me daria mais tempo para executar meu plano.
Acordei, passei no banheiro, e fui até a cozinha tomar café. Minha irmã estava chegando também, com uma sacola na mão. E exclamou, ao ver nossa mãe:
- FELIZ DIA DAS MÃES, MÃEZINHA!
Elas se abraçaram e eu me apressei para fazer o mesmo, e tentar esconder que eu não fazia a mínima idéia e que nem me passou pela cabeça que aquela data tinha algo de especial. Meu pai chegou na cozinha, e minha mãe comentou, feliz da vida.
- Eu fiquei impressionada que até o João comprou um presente pra mim esse ano, né Joãozinho? E ainda tentou disfarçar, escondeu o pacote numa embalagem do MacDonald's, foi sozinho na loja, não sem antes dizer que eu não podia ir.. Esse meu filho!
- Sério mãe? Essa eu quero ver! Cadê o presente, João? - disse minha irmã, pouco antes de correr até o meu quarto a procura do presente.
Nem preciso comentar como me sentia, creio. Mas mesmo assim comentarei. Fiquei estático, balbuciando algumas palavras que formavam frases incompletas e sem sentido..
Não queria acabar com a ilusão da minha mãe, mas sabia que estava ferrado. Minha irmã chegou com o pacote.
- Arrá! Vamos ver se seu irmão tem bom gosto..
...
- Ahn.. humm.. Olha só.. é uma.. uma..
Minha irmã, boquiaberta, não parava de rir. Minha mãe analisava a calcinha como se não acreditasse. Resolvi confessar.
- Mãe, eu tenho que te dizer que.. essa calcinha.. ela não é pra você.
O charuto do meu pai caiu de sua boca, subitamente. Minha mãe empalideceu. Minha irmã deu um meio sorriso e fez um gesto bem.. gay.. com as mãos.
- Não, claro que não é pra mim, pô! Eu comprei pra uma menina.. mas eu achei melhor esconder, porque.. porque é algo bem pessoal.
Dessa vez quem abriu um sorriso e estufou o peito foi meu pai. Minha mãe, apesar de decepcionada por descobrir que o presente não era pra ela, tinha ficado feliz ao ver que a calcinha não era pra mim. E minha irmã me olhava com certa desconfiança.
- E desde quando você tem namorada?
*
Passadas algumas horas, estava na sala assistindo TV. Minha mãe havia saído com minha irmã. Meu pai veio andando do banheiro até a sala e me jogou contra a parede.
- Mas você tá usando camisinha né, filhão? Olhe lá, acho que ainda não está na minha hora de ser avô.
- ....
- É.. chega uma hora em que não tem jeito, seu filho já está fazendo a felicidade das menininhas por aí. Bom saber, meu filho, bom saber.
- Humm....
- Eu pessoalmente prefiro calcinhas vermelhas. São mais sexys. Essa que você comprou parece de criança. A sua mãe de calcinha vermelha, nossa, me dá um.. hm..
- ....
- ....
- Tá em qual parte do filme?
- Segunda.
- Ah tá..
E assim terminou o meu primeiro diálogo sobre sexo com meu pai.
De provável veado eu passei a ser o garanhão da família. Menos mal.
"Me fiz em mil pedaços, pra você juntar, e queria sempre achar explicação pro que eu sentia.." Legião Urbana - Quase sem querer
O pior dessa busca desesperada por um amor são as atitudes que você começa a tomar para tentar conquistá-lo.
Eu não acredito nessas merdas de correntes. Pura perda de tempo, que só gera mais e mais perda de tempo. Sem contar que considero todo e qualquer sujeito que participe disso um indivíduo estúpido e patético.
E, exatamente por não acreditar, hoje eu participei da primeira, na vida inteira. Já deixei de repassar algumas centenas, e o aviso no finalzinho era sempre claro: não ignore, pois será infeliz no amor. Não ignore, pois vai ter uma decepção. Não ignore, porque não vai pegar ninguém a vida inteira. Eu realmente não acredito nisso mas, bom, se essas coisas vão acumulando, comecei a achar que já era hora de tentar reverter a situação. Afinal, poderia estar aí a razão para tantos insucessos no amor.
Não só repassei as correntes que recebi, como também busquei na internet várias outras e mandei para todos meus amigos. E até para alguns e-mails que eu achei no blog. Não fiz as contas, mas devo ter enviado umas 70 correntes, só hoje. Mas estas eu não enviei com meu nome, fiz um e-mail qualquer usando um nome fictício só para isso. Afinal, já havia aprendido que quem manda é o primeiro "alvo" da pessoa que recebe, e minha caixa postal ia ficar abarrotada de textos inúteis.
Comecei a pensar de um modo diferente. Se eu realmente tiver me ferrado no amor graças às terríveis correntes, ao menos queria ter o gostinho de me vingar. Se eu não vou pegar ninguém, que ninguém mais pegue. E assim teremos um mundo de indivíduos assexuados. Talvez o pansexualismo comece a mexer com a cabeça das pessoas e elas encontrem a felicidade seguindo este caminho, mas até lá vão todos sofrer por amor e ninguém vai ser feliz. Exceto os caras do Fresno, que vão ter cds e mp3 disputados como água no deserto.
*
Encontrei o Fred e a Lia no pátio, conversando. Dei o meu "Oi Lia!" costumaz pra ela e recebi outro "Oi" como resposta. Me agradava tanto o som daquela voz que eu ficaria feliz se ela pudesse falar um pouco mais. Um "Oi João", ao menos.
O Fred, logo que me viu, já foi falando comigo, deixando a Lia um pouco de lado.
- Pô João, tem um trabalho de Português pra amanhã, lembra?
- Lembro.. - agora que ele havia comentado, eu lembrei. Vagamente.
- Pois então.. Tu pode me enviar as questões que você responder pro meu e-mail?
- Beleza cara!
- Você já respondeu algumas?
- Claro, claro - respondi tentando passar convicção, afinal a última coisa que eu queria era que a Lia achasse que eu era um sujeito largadão que não tava nem aí pros estudos. E, mesmo eu sendo exatamente isso, sempre achei que poderia omitir certas coisas ao meu respeito até que chegasse um momento em que ela fosse tomada por um amor incondicional por mim e não ligasse mais para esses.. detalhes.
Sentado na carteira, fiquei um pouco receoso sobre as questões do trabalho de Português. Provavelmente ia me dar mal. Mas nem tudo estava perdido, afinal eu já sabia que havia um trabalho para amanhã e que era constituído de algumas questões. Só era preciso pegá-las com alguém ali do lado que tivesse feito. Olhei pro lado, refleti um pouco e notei que as coisas começavam a ficar difíceis, a partir do momento em que me veio à mente o motivo pelo qual os meus amigos e companheiros mais próximos da sala faziam parte da apelidada "juventude perdida".
- Daniel! Você já respondeu as questões do trabalho de Português?
- Trabalho? Que trabalho? É pra hoje?
..
- Ô Rodrigo, você tem as questões do trabalho de Português?
- Opa! Tenho sim, cara. Qual você quer?
Cheguei a pensar que o Rodrigo estava no lugar errado. Mas que aluno dedicado. O trabalho era só pra amanhã e ele já tinha respondido tudo.
- Mas.. peraí.. e as respostas?
- Ah, aí você tá querendo demais..
Melhor do que nada.
- Não entendi o que tá escrito aqui..
- Onde?
- Aqui ó.. "Canstiuo"..
- Construa!
- Ah. E aqui?
- Deixa eu ver. Hm.. é.. ah, não lembro. Pega o caderno da Rafaela.
O que eu teria feito em 30 minutos tentando decifrar os códigos que o Rodrigo escrevia eu faria em uns 5 minutos tendo que copiar algo que estava escrito com uma letra feminina.
À tarde, consegui responder algumas questões. Não que tivesse me tornado um aluno exemplar, mas sabia que já ia me ferrar na prova, então precisava pelo menos ganhar alguma coisa no trabalho. E lembrei do Fred também, que havia me pedido para ajudá-lo. Como esquecê-lo? Ele me apresentou a Lia, devia muito à ele. Sou preguiçoso mas não mal-agradecido. Mandei as respostas pro e-mail dele com a sensação de dever cumprido.
*
No dia seguinte, ele veio correndo falar comigo.
- Ô João, você mandou as respostas?
- Mandei, ué. Não chegou o meu e-mail?
- Pô cara, acho que não, minha caixa postal estava cheia e eu não conseguia receber mais nada. Fui olhar meu e-mail só ontem e haviam 350 mensagens, um monte daquelas merdas de correntes! Deletei tudo, nem li, mas acho que você já tinha enviado o e-mail..
- Ah.. err.. é, pois é, mandei ontem cedo..
- Foda, cara. Espero que eu ainda tenha aquelas mensagens na lixeira, pra ver pelo menos quem foi o corno desgraçado que entupiu meu e-mail. Ah, se eu pego o safado!
Cheguei a temer um pouco, até lembrar que não havia enviado as mensagens usando meu e-mail, logo, ele não saberia que fui eu. Mas minha consciência não me deixava em paz..
*
O Daniel, que estuda comigo, se aproximou e me pediu as questões, mesmo achando que não teria tempo para copiar 30 questões e entregar.
Quando ele viu que eu havia respondido só 5, ficou feliz.
- Ae! Copiar só 5 dá. Pensei que tivesse que copiar dezenas!
Eu só tenho amigos estranhos.
"She is your marrow, and your ride home, you can't avoid her, she's in the air, in between molecules, of oxygen and carbon dioxide.." Weezer - Only in dreams
A música é o melhor remédio para minha paixonice aguda. Ou talvez só ajude a piorar. Dia desses, estava ouvindo o famoso Freno, ícone da música emo nacional. Vi numa comunidade que o Fresno sempre ajuda a te consolar nessas questões amorosas. Ouvi "Onde está?", um dos hits deles, pelo que vi na internet.
"Já tentei fazer com que você voltasse
Também já tentei sozinho encontrar a solução"
Já pára por aí. Como assim "voltar", se nem foi? E eu já tentei sozinho encontrar a solução, sim. Ouvir Fresno.
Um pouco adiante tem outro trecho. Este sim, faz sentido:
"Tenho medo que pra ti eu seja apenas mais um que te quer". É. E o Leonardo tá um passo à frente. E ontem exibia sua felicidade para todos que estavam ali perto. Eu não devo ser o único a querer a Lia, afinal. Ainda analisando Fresno..
"Você vai me ouvir no rádio e achar que é uma música qualquer. Preste atenção." Sim, imagina só. Se eu fosse um rockstar, a Lia talvez gostasse de mim. Mas eu nunca vou ter uma banda, pelo simples fato de que eu não sei tocar nada e tenho uma preguiça imensa de aprender. O cara do Fresno já deve ter pego a menina que ele queria depois que a música dele tocou na rádio. Rapaz de sorte, sem dúvida.
"Já tentei fazer com que voltasse, Já tentei fazer com que você chorasse ao me ver" De novo, a volta dos que não foram. E chorar ao me ver? Mas.. hein? Não era pra ela ficar feliz quando me visse?
Tô vendo os relatos da comunidade do Fresno. Gente que diz que já chorou ouvindo Fresno. Eu tô tentando, eu tô tentando. São mais de 10 mil pessoas que já choraram ouvindo Fresno.
*
Não sei quanto a vocês, mas eu tenho a impressão de que o tempo está passando tão rápido..
Já tenho que me matricular num curso de pré-vestibular. O vestibular está chegando. E parece que foi ontem que eu comecei o terceirão. E estou chegando naquela fase de ficar em dúvida sobre o que farei amanhã. Não exatamente amanhã, mas ano que vem. Sei que todo mundo passa por isso, e cá estou eu, na mesma. Eu não faço idéia do que cursar. Meu pai quer que eu faça Direito. Eu sinto que não tenho talento na área. Mas sinto também que não tenho talento em nenhuma outra área. Aí na falta de opção, acho que vou nessa mesmo.
*
A cena que marcou o dia hoje foi no intervalo. Conversando com meus amigos vi, de longe, a confirmação do que eu já sabia. O Leonardo conversava com a Lia, beijava a mão dela. Os dois sorriam, novamente. Eu ainda tento pensar que não há nada, mas eu sei que há. Vocês também. E nessas horas, eu não sei bem o que fazer. Porque eu não vou morrer por causa disso, minha vida não vai acabar. Mas dói. Dá um aperto no coração. Deve ser só um amor, destes que passam rápido, mas neste momento é como se fosse o grande amor da minha vida. E, bom, eu não penso em desistir tão cedo. Quero que, ao menos, a Lia possa me conhecer direito. Aí, quem sabe..
Hoje me matriculei num curso pré-vestibular. São dois os cursinhos mais disputados por aqui, preciso saber qual ela vai escolher. Meus amigos vão para o curso oferecido pelo colégio, por isso optei por ele. Mas tem outro. Os dois são à noite. Como eu não tenho sorte, me arrisco a prever que ela vai escolher o outro. Porque eu queria muito poder estudar com ela. Porque, imagino, eu a amo e queria poder demonstrar pra ela. Mas.. pensando bem, talvez seja melhor eu não ficar tão próximo. Já sofro tanto tão distante, melhor não piorar.
"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim."
Los Hermanos - Sentimental
Meu pai me deixou hoje na esquina perto do colégio, como faz todos os dias. Saí do carro e fiquei parado esperando ele ir embora. Mas o trânsito estava um pouco congestionado e ele ficou parado também. Depois de alguns instantes, ele olhou pra mim com um "olhar de questionamento" (POR QUE TU AINDA NÃO FOI PRA AULA SEU MOLEQUE SAFADO?) e eu percebi que deveria partir. Me virei e fiquei olhando pra vitrine de uma loja. Ele continuava parado e me olhando. Aí vi que não tinha jeito e fui andando lentamente até o colégio. Fingi que tinha machucado o pé e parei mais um pouco. Olhei pra trás e meu pai continuava lá. Maldito trânsito! Segui minha direção, fingindo estar mancando. Olhei novamente. Lá estava o carro do meu pai. Quase desistindo, me aproximei da porta da escola. Pra variar, o diretor estava lá. E exclamou. "Mas que milagre João, chegou cedo! Tá tomando jeito hein?"
Resmunguei um "Ahn" e não resisti a virar a cabeça novamente. O trânsito fluía. Percebi a chance e saí correndo. Andei, andei, andei, até chegar na papelaria. Entrei lá e perguntei pra atendente: "Oi.. err.. tem grafite aí?". Ela respondeu afirmativamente e me trouxe umas 5. "Não, quero só uma!". Ela tirou uma e deixou 4. "Não, você não entendeu! Só uma!". Ela, um pouco decepcionada, separou uma grafite pra mim. Antes de dizer o preço, ainda perguntou: "Só uma mesmo?" Saí de lá feliz e guardei a grafite na mochila. Tão feliz que dei um sonoro "Bom dia" para o diretor, que me olhou boquiaberto.
*
As aulas eram tão iguais que nem vale a pena comentar o que ocorria. Até porque eu não sabia o que se passava mesmo, do ponto de vista didático. Sabia que havia uma professora lá na frente falando, falando e falando. De vez em quando chamava a atenção de algum aluno perto de mim. Sim, a turma do fundão tem esse problema. O colega do meu lado chegava a roncar. Outros conversavam: "Aí eu peguei a Natália lá na festinha. Tá loco! Muito gostosa! Mas tô cansando dessa vida cara, uma mulher diferente toda semana."
E eu tô cansando dessa vida. Não pegar ninguém toda semana. Talvez eu devesse me aproximar deles. Talvez eles pudessem me ajudar. Talvez eles fossem rir da minha "MAS COMO ASSIM TU NUNCA COMEU NINGUÉM?".
É, eu ia virar a piada da sala. Ou talvez já fosse.
*
Mas a Lia..
Por que a Lia iria ficar com um cara tão loser?
Por que eu insistia em acreditar nisso?
Por que a Lia?
*
E chegou mais uma aula de inglês. Não a encontrava no intervalo, mas haviam as aulas de inglês.
Fiquei conversando com um amigo, o Gustavo, primo da Lia. Ele me explicava um pouco do tal RPG. Já havia um bocado de gente na sala. E ela não havia chegado. Será que ela não viria? Comecei a me preocupar com isso. E se ela desistisse? E se ela resolvesse faltar sempre?
E se..
Enfim, ela chegou. Veio com uma amiga e um amigo. Sentaram juntos, 3 fileiras na frente da minha. O amigo parecia querer um pouco mais de intimidade com ela. A amiga parecia dar corda. E eu ficava com a grafite que eu comprei na mão, esperando que ela me pedisse novamente. Decerto ela não pediria.
"Leonardo" é o nome do cara que até era meu amigo, mas que agora eu queria jogar do alto de um prédio. Um sujeito simpático, gente boa. Mas que ameaçava atrapalhar meus planos, como se estes fossem muito promissores.
O desgraçado do Leonardo colocava a mão nas costas da Lia. Sorria pra ela. Cochichava coisas em seu ouvido. E os dois sorriam.
O Gustavo, que estava sentado do meu lado, me deu um soco, de leve, no braço. Ele tem essa mania, só pra encher meu saco. E não, ele (ainda) não sabe de nada sobre meus interesses amorosos. Minha reação foi devolver o soco como fazia sempre. Não que eu seja forte, mas ele quase caiu da cadeira. Tinha que descontar minha raiva em alguém.
Ele fez uma cara de dor e devolveu o soco, tão forte quanto. Sim, parecíamos alunos do primário. O professor notou e chamou nossa atenção "Ô, vamos parar de molecagem aí! Parecem crianças.."
Nem preciso dizer que todo mundo olhou pra gente né? Até a Lia e o corno do Leonardo. E o desgramado do Leonardo ainda dava um sorrisinho. Estava radiante. A Lia devia ter tido mais uma bela impressão minha. "Brigava", ainda que de brincadeira, com o primo dela. A aula continuou e eu não falei mais nada. O Gustavo continuou batendo do meu braço (chatice pouca é bobagem..), mas eu nem reagia. Sentia como se merecesse.
"The true love waits.." Radiohead
Hoje não teve aula. Nem ontem. Se por um lado é bom, porque aula às vezes é um saco, por outro é bem chato, porque não me sobra muita coisa pra fazer. Ontem fui dar uma volta com um amigo, o Jones. Andamos por aí sem rumo. O Jones é um garanhão, dá em cima de todas as meninas. Só não tem muito bom gosto, fica com cada uma que.. ah, com ele é assim, se for mulher, tá valendo, não faz distinção. Eu não tenho muitas amigas, o que é um grande problema. Se você quer uma namorada, é indispensável que tenha amigas. Seja para ficar com elas ou com as amigas delas. Amigas são uma peça fundamental na vida amorosa. E são elas que te detonam ou seguram a barra quando você tem problemas com a sua namorada. Mas enfim. Eu venho mudando, estou conhecendo as amigas do Jones, algumas até já sinalizaram que querem ficar comigo. Mas o bobo aqui só quer a Lia, vocês sabem. Então eu esnobo bonito. Por mais que digam que estou perdendo tempo, o que posso fazer? Amor é amor. Nem sei exatamente se é isso mesmo. Acho que queria ter uma chance pra saber, acho que terei que ter uma chance pra saber.
*
O pessoal sempre deixa uns comentários aqui, dando conselhos e tudo mais. Fico muito grato. Vou colocar aqui alguns e dizer o que penso.
"Cara, fica tranquilo. Um dia vocês vão se ver sozinhos em algum lugar e você não vai ter reação alguma." - Theo
Como assim não ter reação alguma? Seria isso bom ou ruim? O_o
Vocês são tão fofos que nem precisam ser bonitos... - Meiry
Puxa, obrigado! Pelo menos cutes nós somos. Mas se nós fossemos iguais ao Ronaldinho Gaúcho, será que, ainda assim, poderíamos ser somente fofos? Hê. Ah, tá bom, o Gaúcho pelo menos acerta 4 vezes uma bola no travessão..
meo, na boa? eu tô passando algo parecido...só que, no caso, eu seria a Lia.
E o infeliz do menino, contou pra TODO mundo que tá apaixonado por mim, inclusive pra mim.
Resultado: não consigo olhar na cara dele. A simples presença me perturba. Conselho? Aja no aninomato. Maquiavelismo. Estratégia. Essa paradinha do primo que vc falou, meo, pode dar certo...ou não, sei lá, mas NÃO conte a menos que vc tenha ABSOLUTA certeza de que será correspondido. Caso contrário...sério, vc pode estragar tudo antes mesmo de começar. - Lyvia
Isso muito me preocupa. Não tenho notado ela me evitando. Mas também nunca falei que era apaixonado, só demonstrei que estava interessado em ficar com ela. Acho que fica melhor assim, mesmo. Deve ser estranho ter alguém morrendo de amores por você e você não ter um sentimento igual pela pessoa. Nunca soube de ninguém que me amasse assim, por isso não sei dizer, fico só achando.
Joaooo...
eu te amo
olho pra vc e penso : como seria feliz c tivesse vc ao meo lado...
um bjo bem grande nessa sua boka linda...
te amo te amo te amo te amo
♥Fer♥
Err.. acho que estamos despertando fantasias nas meninas, talvez até surja alguma paixão platônica por algum de nós, sabe-se lá. Aí eu que seria a "Lia" da história. Já imaginaram? Eu não vou desencorajá-las não, ainda amo a Lia, mas a gente nunca sabe o dia de amanhã.
'Cause we, could be happy, can't you see? The Wonders - That thing you do
Sabe aquela coisa de "Semanas depois", que aparecem nas novelas? Ok, vamos usar isso pra tapar o buraco, já que faz tempo que eu não escrevo aqui. Desculpem por anunciar que ia escrever e não cumprir a promessa. Tive problemas no pc, depois perdi o ritmo dos textos, e.. Curiosamente, o Max também. Mas eu não sou ele, ok? Não somos a mesma pessoa.
Ah, vamos ver se agora tudo volta ao normal.
Passou-se um tempo. Eu continuo do mesmo jeito. Mal falo com a Lia, vejo-a no intervalo, mas ela está sempre com um monte de gente e eu nem chego perto. E também tenho meus amigos, tenho que conversar com eles. Dia desses ela estava sozinha, encostada na parede, olhando para o nada. Fiquei imaginando no que ela pensava. Certamente não era em mim. Mas fiquei sonhando que pudesse ser.
Chegou mais uma aula de inglês. Entrei na sala, vi o Daniel, meu amigo nerd, e a Lia. Só os dois. Mas não, claro que eles não estavam juntos. Se bem que nunca pensei nessa hipótese..Enfim..A Lia estava escrevendo alguma coisa na apostila e o Daniel estava 3 fileiras à frente dela, desenhando, pra variar. Entrei na sala, a Lia não me viu, ou fez que não viu, sei lá. Tá certo que eu chego discretamente, não saio batendo a porta com força, gritando, pulando ou algo do tipo. Cumprimentei o Daniel e fui logo sentando ao lado dele. Aí começamos a conversar sobre assuntos inúteis. Assunto inútil é o que não falta em nossas conversas. Quando falta, nós dormimos ou desenhamos. Simples assim. O Daniel pelo menos desenha bem. Tem futuro o rapaz.
..
Passados alguns minutos, a Lia me chamou "Eii! Psiu!". Olhei pra trás, mesmo pensando que ela podia estar falando com o Daniel, já que ela não falou o nome. Quando vi que era comigo, ia falar algo e ela já foi dizendo: "Você tem grafite 0.5?" Respondi com um "Tenho" bem inseguro e comecei a procurar. No estojo, na mochila, no bolso, perdido pelo chão. Revirei tudo e não achei. Tive a sensacional idéia de tirar da minha lapiseira pra dar pra ela. O Daniel, vendo meu esforço, comentou "Pô João, não tem nem pra ti cara!". Um pouco decepcionado, virei a cabeça e disse que não tinha. Ela sorriu, disse que não havia problema e pegou um lápis. Continuei conversando com o meu colega, mas pensando porque eu não tinha uma bendita grafite. Era uma ótima desculpa para ir até lá, falar com ela, enfim, ser solícito e tudo mais. Perdi a oportunidade. Outros alunos foram chegando, o professor entrou, e a aula começou. Conversando com o Daniel, descobri que o primo da Lia, o Gustavo, jogava RPG. Neste momento, minhas anteninhas subiram, apareceu uma lâmpada em cima da minha cabeça, meus olhos se abriram, e eu vi o quanto era burro. Minha próxima meta é jogar RPG. Jogarei todos os dias, até na aula. E então ganharei intimidade com o Gustavo, que eu conheço, mas que não é tão próximo. O Gustavo é primo da Lia, ressalto.
*
Bom, essa era a idéia. Eu sempre fui amigo do Gustavo. Mas não sabia desse grau de parentesco dele com a Lia. Aí agora eu me sentia estranho. Conversava com ele normalmente, como em outros tempos, mas me sentia forçado a ser mais simpático, amigável e tudo mais. Era como se eu fosse o ser mais interesseiro do planeta. Vai que ele me convidava pra uma festa na casa dele? Aí a Lia iria e então....
E então ela ia ficar com alguém e eu ficava lá num canto qualquer observando. Eu já disse pra vocês que eu não tenho sorte, não é mentira. Será que eu tô querendo demais? Ah, vai, eu sou bonitinho, se eu fosse ela me sentiria atraído por mim. Ou não. Sou tímido pra caramba, acho que as meninas não gostam de meninos muito tímidos. Não sei o que é namorar, pois nunca tive uma namorada. Acho que ela percebeu. Imagina, ela deve rir da minha cara, pobre de mim. E o pior é que eu sou bem cuidadoso ao escolher alguém para namorar. Notei inclusive que ela estava entre as primeiras da sala na classificação de notas, e achei muito bacana. É um pouco engraçado que eu repare nisso, pois não iria querer que ela fizesse o mesmo. Não é que eu seja burro (não tanto), é que eu não gosto de estudar um monte de coisa que não faz sentido pra mim. Só português, história, geografia e inglês me atraem.
Mas voltando à Lia.. Se fosse só por beleza, teria muitas outras opções além dela. Mas ela me encanta em vários aspectos, que eu não sei dizer. Lembro da primeira vez que a vi, talvez tenha ocorrido aquela coisa que nossos avós contam de "amor à primeira vista". É, tem uns caras galinhas que adoram usar isso como cantada, mas comigo foi real. Eu não me daria ao trabalho de criar um blog pra contar sobre tudo isso se não fosse. E assim, ela nunca vai ler isso aqui. Ela mal usa internet, pelo que sei. A razão de escrever aqui é porque eu não tenho coragem de contar pra nenhum amigo, não com tantos detalhes, então eu escrevo para desconhecidos poderem ler. Você mesmo, meu caro leitor desconhecido. Você nunca me viu na vida. Mas obrigado por ler meus textos. De alguma forma, me sinto melhor graças aos leitores.
ps: quem quiser me ajudar pode rezar, fazer macumba, bruxaria, mandar meu nome para aquelas listas de pessoas abençoadas na igreja evangélica, mandar presentes pra Lia no meu nome, etc etc. Pro povo da macumba, só não me peçam pra conseguir uma calcinha da Lia, pois, se isso for preciso, podem esquecer.
Hoje a gente - eu, meu tio e meu irmão - fomos a um puteiro
"Annnnnnnnd stop"
"Que legal isso hein tio, quantas meninas... er... gentis!", comentei enquanto passávamos pelos corredores do local. Ele apenas respondeu: "Max, você precisa virar um homem".
Comecei a pensar que diabos eu era até o momento, senão um homem. Seria eu um ornitorrinco? Ou um porco? Quem sabe uma jabuticaba italiana, daquelas docinhas, que quando chega o inverno... enfim, o fato é que eu estava surpreso e por que não, magoado com a afirmação do meu tio. Eu posso não comer ninguém? Posso. Posso agir de forma que demore mais uns... 2...3... 8 anos para comer alguém? Posso. Mas isso não significa de forma alguma que eu ano seja um homem.
- Tio.
- Sim.
- Eu não acho que deva ser assim, sabe?
- Não se preocupa...
- Uuuufa, que bom que você entende.
- ... essas meninas já fizeram isso milhares de vezes.
- Ahhh agora fiquei aliviado. Mas não era exatamente sobre isso que eu queria falar...
- Sim, você chegou atrasado em 2 dias essa semana, eu notei, você acha que eu sou bobo? Mas tudo bem, guri, hoje eu estou feliz demais... você é um garoto de ouro e eu já esqueci seus atrasos na locadora!
- Ah... que bom. - era bom sair da conversa enquanto meu salário ainda estava íntegro.
Sabe, esse puteiro mescla áreas de luxo com áreas... trash-garbage-buerão total. Tem uma parte lá, onde há mulheres sem os braços, molecada. E assim, não é uma metáfora. Falo realmente de seres humanos do sexo feminino sem os membros superiores.
Mas gentis, totalmente. Sorridentes.
Andamos mais um pouco e tem uma parte onde há as minas mais junkie, manjam? As ligadas em heroína, crack e livros do Paulo Coelho. Loiras, morenas, ruivas e negras, todas com narizes brancos. Uma delas piscava bastante para mim. Mas piscava de uma forma meio diferente, frenética... e arqueava a espinha dorsal para o alto, enquanto fazia um tique com a cabeça para esquerda, e com a boca para a direita. "Ou eu realmente não entendo nada das técnicas de conquista, ou essa mulher está tendo um derrame.", pensei. "Oh meu Deus, a mulher está babando. Agora ela caiu no chão! É, de fato é um derrame."
Coitada dela. Era tão peitudinha.
- Escolhe, Max. - meu tio mandou.
- Tio... eu não sei se vai rolar, hein.
- Como assim não sabe se vai rolar, hein?
- É porque... eu nunca imaginei que fosse assim. Eu imagino que seja de outra forma.
- Como assim é porque... você nunca imaginou que fosse assim e imaginava que fosse de outra forma?
- Imagino isso com alguém que eu goste bastante... alguém de quem eu lembre para sempre.
- Como assim imagina isso com alguém que você goste bas...
- TIO, VOCE QUER UM DICIONÁRIO?
- Oh, desculpa.
- Não, assim... não fique chateado comigo. Eu só não acho que funcione muito bem comigo esse... esse... método de iniciação sexual. Sabe, "pago".
- Eu entendo. Você é um daqueles garotos sentimentais.
- Er... não é assim, sabe, mais ou menos...
- Eu já fui assim, garoto.
- Sério?
- Já... há muito tempo. Um dia eu te explico melhor. Mas olha: valorize isso.
- Hm... certo!
- Agora vamos para casa.
- Certo... e pera, cadê o Emílio? - Emílio é meu irmão mais velho.
- Seu irmão agarrou uma negra e uma loira. Boa sorte para ele... a negra trabalhava comigo num banco e se chamava Tadeu.
- E a loira?
- Não sei o nome dele.
- HAHAHAHA!
- Vamos embora, guri. A propósito, eu vou descontar 3 horas de trabalho por dois atrasos de uma hora e meia essa semana.
- Ohhh boy...
Nesse dia eu aprendi uma lição: nada de ficar assistindo aos vídeos da Paris Hilton antes do trabalho! Você se atrasa e seu chefe desconta do seu salário!
Sabe qual é o problema deste blog?
Eu fico pensando que o Max vai atualizar e não atualizo.
O Max, por sua vez, pensa que eu vou atualizar e ele não atualiza.
Mas não se preocupem, já já tem coisa nova por aqui.
"Se ferrar", a gente já se ferra diariamente. Só falta contar..
Planos lamentáveis - parte 4 mil e cacetada
Eu já fiz muitas coisas lamentáveis para chamar atenção de uma menina. Você já deve ter feito, claro. Todos nós já fizemos. O gozado é que, não imagino, o Rodrigo Santoro pagando algum mico, armando alguma história, alguma mentira, etc...
Um dos "truques" que eu já testei e que como vocês inteligentemente podem deduzir, não deu certo, era o da troca de scraps com o João.
Se baseava no seguinte: uma vez que houvesse alguma menina com quem eu tivesse flertando - e ela fizesse uso do orkut.com -, eu pedia para o João deixar um scrap para mim, me alertando sobre uma menina que esteja muito a fim de me conhecer. Sabe, não existe essa menina. Mas a menina com quem eu estivesse flertando de verdade, ao ler o scrap aparentemente inocente do João, ficaria encucada, pensando "Hm... esse guri é desejado... vou correr atrás também."
Essa é uma verdade, ok? Mulheres gostam de caras compromissados ou visados, pelo menos. Tenho um amigo que recentemente arrumou namorada, e agora um monte de menininhas que há anos, chutariam a cabeça do pobre, hoje em dia, dão o maior mole para ele - chega a ser constragedor -, e ele vingativo que só, faz questão de dar foras hilários nas franguinhas.
Pois bem, hoje de manhã, no laboratório de Informática da faculdade, decidi tentar mais uma vez fazer esse plano dar certo. Peguei o João online e o desenrolo você confere agora...
Scrap do João:
João: E aí Maaax, meu velho. Saca só, sabe o Eduardo? Então, a irmã dela tem me irritado diariamente... ela fica falando de você. Você veio aqui UMA MÍSERA VEZ, e a guria me enche a paciência. Sabe, a minha irmã disse que ela disse pra ela - putz, que confusão! - que te achou bonito (hahaha!!), ai ai... mas sei lá, tá dado o recado, ok? A Priscila (irmã do Edu) gosta de você, moleque. Se liga. Abraço
É tudo manipulado, gente. Eu escrevo tudo e peço gentilmente pro João: "Cola isso pra mim?", e a coisa começa a correr lindamente.
Uma pausa: Vai, o plano é genial, né?
Ou pelo menos... parece!
Continuando: Uma vez que eu já ostento o scrap aí de cima no meu scrapbook, o próximo passo é fazer com que a minha paquera leia isso. Leia e pense "Cacetada, tem alguma franguinha ligada no Max... vou correr atrás!" - cismei com isso de "correr atrás" hoje. Paquera é como ônibus colegial de filme americano: Você tem que ser rápido para pegar o que quer, ocupar o seu lugar desde o primeio dia, e ser amigável com o resto dos passageiros. No namoro, os passageiros são os amigos e família dela. Você não precisa ser amigo das amigas dela, mas não deixe ela te odiar a ponto de lhe tacar uma bolinha de papel molhada e... putz, eu vejo muito desses filmes, tô ficando influenciado.
O fato é que agora eu tinha que fazer a minha paquera ler esse scrap. Pra isso é fácil, fui no scrapbook dela e deixei uma mensagem qualquer:
Max: Juliana... faltou aula hoje ein! Hehe, me diz uma coisa, seu pai tem todos os DVD's do Tarantino aí? Qual ele não tem? A minha ex-namorada - puta mentira! tem a coleção completa e quer se desfazer, então aí já viu, né? Lembrei na hora do Seu Osmar, que é fã do Tarantola, e se não me engano, ele me disse uma vez que tinha perdido o DVD do Jackie Brown! De qualquer forma, beijão, até segunda na faculis.
Sacaram a malícia? Agora ela vai parar no meu scrapbook e ler o scrap que o João me deixou!
Aliás, esse scrap que eu deixei foi deveras astuto. Pensem só: além de ajudar no meu plano com o João, eu ainda ganhei conceito com o coroa!
Me fazendo valer por uma incomensurável sorte, à noite, ela já tinha respondido:
Juliana - Ele tem o J Brown sim, o que não tem o Kill Bill vol 1. Ele emprestou pro titio, que nunca mais devolveu! ¬¬
Beijinho...
hm...
tá paquerado hein uhauhauhauhauha
ELA NOTOU! ELA NOTOU! ELA SABE QUE O MAX É UM CARA QUERIDO PELA MULHERADA!!!!
Mesmo que eu e vocês saibamos: é mentira.
Mas quem se importa? O que importa é que ela sabe! Ela sabendo, tudo pode acontecer a partir de agora e... hm... agora eu vou ali na cozinha pegar algo para comer, porque tô com uma baita fome!Mas os próximos passos serão:
- troca intensiva de scraps com o João;
- troca amena de scraps com a Juliana, para fazê-la ler minha troca intensiva de scraps com o João;
- cortar o cabelo, porque essa juba aqui já tá foda...
Antes de qualquer coisa, acho que devo uma explicação. Minha proposta era fazer posts diários, mas eu já vi que o negócio é difícil. Então, me vejo obrigado a omitir alguns fatos, mas podem ter certeza de que lhes contarei os mais interessantes. De qualquer forma, independente do dia, acho que o que importa é a história, o que anda ocorrendo. Então, vamos à ela:
"Deixa ser, como será, quando a gente se encontrar.. " Los Hermanos - Retrato pra Iaiá
Eu já havia pego emprestado o dicionário de espanhol da minha irmã e assistia pacientemente à CNN en espanhol. Li uma coisa na apostila e achei engraçado. Era algo do tipo "Si perito de Rita me irita, diga a Rita que troco uno perito por una perita". Leia isso rapidamente pra ver no que dá. Pensei em pegar músicas em espanhol, mas cheguei à conclusão de que era exagero. Afinal, eu não precisava, necessariamente, aprender o idioma. Só frequentar as aulas para ver minha menina (que, aliás, eu não posso chamar assim, porque ela, definitivamente, parece estar longe de ser minha..). Fui para a aula de inglês, no dia seguinte, à tarde, com a esperança de que a Lia estivesse por lá. Inglês pra mim sempre foi bem mais legal, e o número de alunos é menor, o que me permitiria ter mais contato com ela. Dessa vez eu cheguei cedo. Fiz questão de ficar perto da diretoria, só para o diretor chato me ver lá 50 minutos antes do início da aula. Mas acho que ele ainda estava almoçando, porque não o vi. Pena. Entrei na sala. Olhei e não havia ninguém. Estava com fome e, como havia chegado tão cedo, resolvi dar uma volta no shopping ali perto e comer alguma coisa. E assim fiz. Fui na Pizzamille.
A pizza demorou pra ficar pronta, mas eu não estava atrasado, então nem me preocupei. Sentado, esperando, vi um rosto conhecido se aproximando. Era um primo que não me via faz tempo e resolveu me contar sua vida inteira, além de apresentar a sua namorada que, segundo ele, seria sua futura mulher. Se eu não conhecesse meu primo galinha, até acreditava. Conversamos por vários minutos sobre coisas inúteis e nem vi o tempo passar. Até que olhei para o relógio e notei que estava atrasado pra aula, de novo. Expliquei pra eles, me despedi e fui correndo pro colégio. Cheguei 5 minutos depois. Quando ia entrando, vi o diretor diabólico que queria a minha alma. Era hoje que eu me ferrava de vez. Certamente ele iria me sacanear novamente por ter chegado depois do horário. Podia optar por não entrar no colégio e não levar bronca. Mas aí eu perderia a chance de, talvez, ver a Lia por lá. E, numa atitude quase heróica, resolvi enfrentá-lo. Não exatamente, claro. Para minha alegria, ele estava de costas para mim, então andei discretamente até a sala. Ele continou lendo alguma coisa e falando com um funcionário. Milagrosamente, tive sorte. Ele não me viu. Num momento de excitação, mostrei o dedo médio pra ele, seguro de que ninguém estava olhando. Ele virou a cabeça pro lado, e eu abaixei a mão rapidamente. Fui entrando na sala antes que ele tivesse a oportunidade de falar alguma coisa, caso tivesse visto. Mas acho que não viu mesmo.
Abri a porta, vi um professor que eu não conhecia anotando algo no quadro, e sentei numa carteira qualquer. Olhei em volta e não vi a Lia. Senti uma certa decepção, apesar de já imaginar que ela iria optar por fazer espanhol, escolha da maior parte dos alunos. Fiquei ali por alguns minutos, até ler o que estava escrito no quadro. Era algo sobre "Temas para redação". Não entendia como faríamos uma redação em inglês logo na primeira aula. Um conhecido, chamado Erasmo, olhou pra mim e perguntou porque eu havia levado o dicionário de inglês para a aula. Antes que eu respondesse, ele foi logo dizendo "Cara, inglês é na sala ao lado. Aqui é aula de redação!" O tom de voz dele é um pouco alto, não creio que tenha sido sua intenção, mas todo mundo ouviu e ficou olhando pra mim. Disse "obrigado!" ("Pô, valeu, falou!" na verdade) à ele e fui saindo de fininho, não sem antes ouvir uns risinhos do pessoal que estava por lá. Tudo bem, pagar mico já é minha especialidade, sem problemas.
Entrei na outra sala e haviam uns 50 alunos. Fui andando até achar um lugar e sentei lá no fundão. Felizmente, aquela era mesmo a aula de inglês. O professor já havia me dado aula no curso que fiz na Skill, e é bem simpático. Alguns conhecidos estavam por lá, entre eles o Daniel, meu amigo nerd rpgista. Lá do fundo, podia ver os longos cabelos da minha musa, que estava sentada na primeira fila. Estava tudo, enfim, perfeito. Quer dizer, quase. O Daniel não demorou pra tirar da mochila uns dados, um livro de vampiros e dizer "E aí, vamos jogar RPG?"
Disse à ele que queria estudar, e acho que ele não entendeu muito bem. Afinal, ele me conhece, sabe que eu não sou disso. Abri a apostila e acompanhei a explicação, e o Daniel continuava me olhando torto. E, talvez, me vendo com um exemplo a ser seguido, ele resolveu fazer o mesmo. Depois de uns 20 minutos, ele já me perguntava "O que foi que o professor disse?", numa clara demonstração de interesse pela aula. Sem saber o que responder, disse que não havia prestado atenção. E é claro que não estava, em nenhum momento da aula, pois eu continuava no mundo da lua, e só fazia pose de quem estudava. Olhava para o relógio um pouco impaciente, esperando a aula acabar. Quando acabou, foram todos saindo. A Lia foi uma das primeiras a sair. Tentei andar rápido e ir atrás dela para dar um "Oi", mas não consegui. Ela já havia ido embora, o pai dela provavelmente já estava esperando na frente do colégio. Que dificuldade é falar com essa menina! Mas desistir não está nos meus planos. Não agora.

É, eu desenho muito mal. É, eu não tenho o que fazer.
Quem aqui já arrumou namorada na Internet?
OBS: "Silvia Saint - Blowjob.mpg" ali no Windows Media Player NÃO é uma namorada, ok?
Então, eu já. Mais ou menos. A gente se conheceu num canal do mIRC, sobre indie rock - sempre o maldito indie rock.
Um dia, depois de muitas conversinhas românticas e apimentadas, ela me chamou para a casa dela:
- O que cê vai fazer nessas férias?
- Eu começo o trabalho na locadora do meu tio...
- Hm... por que não vem pra Minas?
- Porque a locadora é pequena. Não tem franquias... muito menos aí em Minas.
- Não, guri, vem ficar comigo.
- Contigo?
- Não tem locadora, então é comigo.
- Eu só posso ficar um fim de semana.
- Certo, vem, vem.
- OK!
Então eu fui para outro estado, conhecer a mulher da minha vida - nossa, que brega, dá um cd do Kenny G pra mim! A mulher que transformou a minha vida...
... num verdadeiro regime de semi-escravidão.
8:00 - "Leva o meu cachorro para passear? Mais tarde eu te dou atenção."
11:00 - "Ajuda a Socorro à descascar essas batatas? Vem minha família toda almoçar hoje..."
14:00 - "Nossa, como o carro do meu tio tá sujo... tomaí: sabão, ali tem a mangueira, aqui tá a esponja. Arrasa garanhão"
20:00 - "Tá cansado? Putz... agora que eu ia te dar atenção... vou dar uma saída com minhas amigas, quando eu voltar, a gente se pega!"
No domingo:
11:00 - "Olha, hoje à noite: eu e você. Agora: você e meu irmão. Leva ele pro Mineirão, é a final hoje."
E eu levei o pivete para assistir Atlético X Cruzeiro.
Um cara gritava pro juíz: "Otááááário!!!"
Aquilo me atingiu de uma forma pessoal.
Agora se você está achando que no fim do dia, eu não comi a garota, rá rá rá... como você adivinhou???
"Oh, whatcha gonna do, Katie? You're a sweet, sweet girl. But it's a cruel, cruel world.." The Libertines - What Katie Did
Estava num ônibus preto, com vários amigos, em algum lugar que eu não sei dizer onde, de madrugada. Haviam seguranças do meu lado, e parece que lá fora pessoas gritavam o meu nome. Era uma loucura. Os indivíduos vestidos de preto, com celulares na mão, nos conduziram para fora do ônibus e, em seguida, para um ginásio enorme. Um monte de meninas tentavam me pegar, mas não conseguiam. A segurança era pesada. Entramos no camarim, e eu tinha meu próprio camarim, onde finalmente entrei e pude ficar tranquilo. Fiquei pensando em como seria enfrentar aquele ginásio lotado e fazer mais um show de rock.
Até que, do banheiro, sai uma groupie alta, loira, magra, de olhos verdes. Pelada. Peladona. Ela vem andando na minha direção. Enquanto eu não penso em nada, como era previsível, ouço alguém batendo forte na porta do camarim e me chamando. Acho que era a hora do show. Gritei "Agora não! Agora não!". A menina me olha e, com uma voz suave e sexy, pergunta "Por que não?" Antes que eu tenha tempo de responder que não era com ela, alguém bate de novo na porta e me chama. Pra piorar, ouço um barulho alto e muito parecido com o de um despertador.
E, enfim, acordei. Olhei para o relógio e vi que estava um pouco atrasado. Meu pai me chamava insistentemente. Mas será possível que nem em sonho eu tenho sorte? Corri para tomar banho, comer alguma coisa e ir para o colégio.
Meu pai parou na esquina, eu saí do carro e fui andando alguns metros até chegar na escola. De um outro carro, mais à frente, a Lia saiu. Abaixei a cabeça e esperei que ela não me visse. Mas ela me viu. E sorriu, disse "Oii!". Aí eu acenei pra ela e falei um "Oi!" tão baixo que nem eu consegui ouvir. Ela estava quase correndo. Eu sabia que havia causado uma má impressão, mas não imaginei que tivesse chegado à tanto. Fui andando calmamente até lembrar de olhar para o relógio, e ver que estava realmente muito atrasado. Então pensei "Ora, é por isso que ela está correndo!". Então abri um sorriso e fiquei feliz. Ela havia falado comigo, lembrava de mim e ainda me disse "Oi". Comecei a dar risada, como um retardado mental.
Neste momento, ao passar pela porta do colégio, encontrei o diretor, que me olhava com uma cara feia. Parei de dar risada e abaixei os olhos. Ele falou "Bonito hein, João? Chegando atrasado de novo! Qual foi o problema dessa vez? Dor de barriga?". Estava tão feliz que nem dei bola pro diretor engraçadinho. O diretor falou, em tom ameaçador: "Da próxima vez você não entra! E ainda chamo seus pais aqui!". Resmunguei alguma coisa tipo um "hum" e fui rapidamente pra sala. Não contei pra vocês, mas sento numa das últimas cadeiras. Há um corredor no meio da sala e, de cada lado, umas 5 cadeiras. Eu tenho que passar por este corredor até chegar lá no fundão. Na frente ficam os CDFs. No meio, os que se esforçam de vez em quando, bem de vez em quando, pra estudar. Lá atrás, onde eu sento, fica a juventude perdida. Só tipinhos nerds, esquisitos e que não estão nem aí pros estudos. Sento na minha cadeira e o Daniel fala comigo: "Aí, vamos jogar RPG?". Respondo-lhe que não sei o que é isso, e ele resolve me explicar do começo ao fim.
Meu sono aperta, eu fico pensando no momento em que irei ver a Lia no pátio, a melhor hora do meu dia. E fico viajando, por horas. "Aí você preenche a ficha e coloca os atributos. Força, destreza..". Eu me lembro que estou na Terra e que alguém tenta, inutilmente, me explicar sobre o tal "RPG". Respondo com um "ahn". Aliás, quase me programo para falar "Ahn" a cada 10 segundos, para o Daniel não pensar que eu não estava prestando atenção nele. Depois de notar que eu estava falando "ahn" demais, acrescento as palavras "pode crer", "tô ligado", "sei" e "só" ao meu vocabulário. 45 minutos depois, o Rodrigo chama o cara e eles começam a conversar. O Daniel se desculpa "Depois eu termino de explicar". Respondo com um "Pode crer" e fecho os olhos. Algum engraçadinho joga uma bola de papel na minha cabeça e eu acordo, minutos depois da minha tentativa frustrada de dormir na sala. Abro os olhos e pego a apostila. Olho por alguns segundos para a apostila. Folheio ela por completo, pensando em estudar. Aprecio seu estado de conservação, parecia que nunca havia sido aberta. E o pior é que não havia mesmo. Olhei detalhadamente até perceber que existem alguns papéis em branco no final dela. Então pego minha caneta e começo a desenhar.
Até que o Daniel volta a falar comigo "Então, continuando.." Nesse momento, por obra do divino, toca o sino. Hora do intervalo. Digo pra ele que preciso comprar o lanche e ele se oferece pra ir comigo, contando sobre o RPG no caminho. Não consigo pensar em nenhuma desculpa, e acabamos indo juntos até lá fora. Enquanto ele me conta sobre dragões, anões, elfos e coisas parecidas, eu fico procurando a Lia. Não encontro. Vou, então, falar com o Fred, e ele me diz que ela ficou na sala. Meu amigo, que continuava falando e falando e falando, aborda o Fred "Você joga RPG?". O Fred responde que sim, e eles começam a falar entusiasmados sobre o jogo. Percebo outra intervenção divina e digo que preciso ir ao banheiro. O Fred é sempre muito útil pra mim.
Não encontrei mais a Lia hoje. Mas tudo bem, sei que não faltarão oportunidades. Um amigo comentou que amanhã começam as aulas de inglês, à tarde, numa turma única. Preciso saber se ela vai também, espero que ela não tenha optado por fazer espanhol. Mas, caso tenha, até que espanhol é um idioma útil, talvez eu precise aprender..

"Vem, me diz o que aconteceu.." Legião Urbana - Antes das seis
Ontem à noite, depois de ver que não aguentaria esperar até segunda para falar com o Fred, resolvi ligar pra ele. Ouvi um barulho grande, um "Tunt-tunt-tunt" sem fim. Quase não conseguia ouvir a voz dele. É óbvio que ele estava numa boate, e talvez não fosse o momento mais apropriado para ligar. "Olha Fred, eu queria saber uma coisa, mas deixa pra lá, eu ligo depois!". Ele me respondeu com um "Beleza" e desligou o telefone. Passados 30 segundos, mudei de idéia.
- Fred, é o João!
- Fala João! Ué, pensei que você fosse ligar outra hora. Mas tudo bem, diga lá!
- Olha cara, eu preciso saber. Como ficou o negócio com a Lia? O que ela disse?
- Ah meu, não se preocupa que tá tudo tranquilo.
- Como assim? Eu vou ficar com ela?
- Não exatamente. Ela disse que não queria namorar agora, sabe, coisa de mulher.
- Ah..
- Mas não se preocupe, é só você dar em cima e fica tudo certo.
- Tá bom então Fred! Valeu!
E desliguei o telefone. Acho que ele quis ser camarada comigo, não teve coragem de dizer que ela não me queria. Se bem que seria muita pretensão minha achar que as coisas seriam tão fáceis. Ele me apresentaria à ela, ela ia gostar de mim e nós seríamos felizes para sempre. Ainda mais com aquela cena vergonhosa da última sexta. Se for verdade que a primeira impressão é a que fica, estou ferrado. Pensei que talvez pudesse ligar pra ela. Rapidamente, peguei o telefone e liguei para o Fred.
- Alô, Fred, sou eu de novo! O João!
- Pode crer. João, tenho identificador de chamadas no celular. Hê.
- Ah, que bom! Cara, qual é o telefone da Lia?
- Espera aí que eu vou ver..
Ele demorou um pouco e eu fiquei esperando com papel e caneta na mão. Até que ele respondeu:
- Cara, ela tá aqui na festa!
- Sério?
- Sim. Mas anota aí.
- Ela tá sozinha?
- Tá com umas amigas.
- Jura? Não tem nenhum homem por perto?
- Olha, do jeito que elas são gatas, não teria nenhum homem por perto só se essa fosse uma festa gay!
- Tá bom, tá bom. Fica de olho cara, qualquer coisa me avisa!
E ele me deu o número do celular. Fiquei um pouco frustrado por não ter ido pra festa. Pior, não sabia se ela tava ficando com alguém.
10 minutos depois, liguei para o Fred. Nem percebi o quanto estava sendo mala.
- Alô, Fred! É o ..
- João, João! Fala João!
- É que..
- Olha João, na verdade não fala não cara. Eu tô aqui tentando agarrar uma menina e já tive que interromper o papo 3 vezes porque você me ligou. Quebra este galho pra mim e me liga só amanhã, ok?
- Ah, tá bom então. Foi mal!
Ainda bem que o Fred é simpático. Se fosse outro, já teria me xingado até a morte. Pra ser sincero, eu mesmo já teria me xingado até a morte.
Enquanto a Lia se divertia, eu fui dormir ouvindo "Bloco do Eu Sozinho", do Los Hermanos. Nada mais apropriado.
Fala a verdade: Quando a esmola é demais, você não desconfia. Enfia tudo nos bolsos e sai correndo!
Lembrei que uma vez, uma menina me chamou para ir ao cinema. "Putz, parece uma daquelas cartas que chegam na sua casa com a chave de um carro, ou dizendo 'Você está perto de ganhar 12 mil reais em prêmios!', acho que é furada hein... mas que se dane! Vamos lá!", pensei.
20 minutos depois, ela liga: "Ó, vou levar uma amiga hein!"
Putz... isso acabaria com qualquer chance minha de ficar com ela. Aliás, isso indica claramente que ela não tinha a menor pretensão de ficar comigo, mas sim que ela não queria ver o filme sozinha.
Taí, um negócio que me irrita: essa gente que não consegue ver filme sozinha. Chutando o romantismo, eu digo: o filme está na tela, não ali do lado! É legal ver com a(o) namorada(o)? É! Mas será que é impossível ir ao cinema sozinho? Será que é loserismo? Bom, se for, eu sou loser. Mais um ponto contado.
Outra coisa que me irrita é gente que deixa para escolher o filme na fila: "Ah, esse é comédia? Esse é ação? Esse aí não é com aquele menino que fazia o Sexto Sentido?". Que saco, viu!... - ah, sim, o "encontro".
Não daria para cancelar. (Daria, mas quem disse que eu teria coragem?). Contactei rapidamente meu amigo Bernardo Cattapan, e disse a ele:
- Cara, a Roberta me chamou para ir ao cinema.
- Ela tá sem dinheiro e quer que você pague o ingresso dela, certamente.
O Cattapan tem uma visão um pouco... pessimista sobre as mulheres. Preciso explicar?
- Cattapan, o lance é o seguinte: ela vai levar a amiga dela.
- Você tem dinheiro para pagar três ingressos?
Pessimismo, pessimismo. Sempre ele.
- Eu queria que você fosse, cara. Para paquerar a amiga dela e deixar a Roberta livre para mim. Se a amiga dela ficar sozinha, ela (Roberta) não vai dar espaço para mim. Se você ficar em cima da amiga dela, eu tenho a Roberta só pra mim!
- E você tem dinheiro para pagar quatro ingressos?
"Sim, eu tenho. Recebi hoje aqui na locadora." - eu menti. O Cattapan tem dinheiro e eu estava sem um centavo naquele dia.
Então estava decidido: Iríamos ao cinema, eu para tentar pegar a Roberta; e o Cattapan para distrair a amiga da Roberta.
Liguei pra ela:
- Ó, vou levar um amigo meu. O Cattapan.
- O loirinho?
- Sim.
- Um bonitinho, né?
- Bonitinho? Sei lá... tudo bem pra ti?
- Ok.
- Tchau.
- Ele é gatinho, já o vi no clube.
- Aonde?
- No clube, ele era da equipe de natação.
- Hm... - se eu fui ao clube duas vezes, foi por engano - sei, é, ele tá sempre lá. Eu vou sempre também, nunca me viu?
- Não.
- Er... ok.
- Escuta, ele se lembra de mim?
- Hm... acho que não. Ele levou uma pedrada na cabeça em 89.
- Hm... ok, tchau.
- Espera. Foi uma piada, não entendeu?
- Ahn?
- Ele é filho de uma alemã. Viajou para lá duas vezes já... daí a gente brinca com ele, dizendo que tacaram uma pedra na cabeça dele, na queda do Muro de Berlim.
- Ok, tchau.
Fiquei com a sensação que ela não tinha entendido a piada. Ou então entendeu e é meio traumatizada com essas paradas, vai que algum tio dela levou uma pedrada na cabeça, na queda do Muro de Berlim?
Passei na casa do Bernardo, entrei no carro dele e fomos para o shopping. No meio do caminho, chega o torpedo: "Minha amiga não pôde vir, mas tô esperando vocês 2 aqui, hein!"
E nós fomos.
Não preciso dizer que cheguei lá e o Cattapan pegou a Roberta, preciso?
Preciso?
Chegando lá, o Cattapan pegou a Roberta.
PS: O filme era horroroso... fotografia confusa e nada coesa a simetria dos personagens coadjuvantes.
@ "O Encontro"
E ontem seria mais um dia normal de aula, não fosse pelo que me esperava. Acordei e fui pra aula me sentindo um zumbi, como acontece todos os dias. Cheguei na sala e comecei a dormir, sentado na carteira. Não é legal ir dormir às 3 da manhã quando você tem aula às 7. Eu fico olhando fixamente para o professor, meus olhos de vez em quando se fecham, mas eu tento desenvolver minha habilidade de dormir de olhos abertos. Quando sinto que não vou aguentar, dou um tapas na cara. As pessoas olham esquisito pra mim, e eu digo logo "Mosquito filho da puta!", e olho pra minha mão em seguida. Mas do meu lado tem gente pior. Tem uns que abaixam a cabeça e dormem mesmo, na maior tranquilidade. Eu tenho muitos amigos sacanas, então é natural que tenha medo de dormir na sala. O fato de não prestar atenção nas aulas me causa uma preocupação enorme. Eu fico pensando que vou me dar mal no vestibular, que talvez tire zero nas provas, que me tornarei um burro completo. E essas preocupações todas acabam fazendo com que eu preste ainda menos atenção nas aulas. Vida difícil a minha..
....
Às 9:30, fomos liberados para o intervalo. Notei que precisava ir ao banheiro, precisava mijar o mais rápido possível. Quando mais de 90 alunos estudam na sua sala, fica difícil até pra sair. Todos iam saindo calmamente, alguns ficavam conversando e bloqueavam a saída, e eu ficava muito puto com todos eles. Mas o banheiro me esperava, então não tinha tempo nem pra discutir. Sem contar que eu sou exageradamente tímido, e não discutiria com gente que mal conheço. Quando finalmente consegui sair, senti um grande alívio. Estava à poucos metros da maior felicidade que eu poderia ter no dia. Até que o Fred me puxou pelo braço e falou: "Hoje você não escapa! Vem cá!" Tentei argumentar com ele que precisava ir ao banheiro e ele disse que eu não deveria ficar nervoso, que ocorreria tudo bem. Demorei alguns segundos até lembrar que ele havia ficado de me apresentar à Lia.
Eu, que não estava tão nervoso, só com vontade de ir ao banheiro, fiquei verdadeiramente nervoso. E parecia que eu mijaria nas calças à qualquer momento. Pensei: "Meu Deus, que vergonha seria! Ainda mais na frente da Lia!". Então, enquanto era praticamente arrastado até a outra sala, tentei fugir. O Fred não deixou por menos e chamou outros amigos, e disse para eles me segurarem. Foi o que fizeram. Eu estava sendo arrastado por 4 "muy amigos" para a outra sala. Seria igualmente vergonhoso ser apresentado dessa forma para a menina. Então implorei "Me larguem, me larguem, deixa que eu vou sozinho!". O Fred me disse "Calma João, fica tranquilo cara, deixa de besteira!". Fiquei puto e gritei "PORRA, CARALHO, VÃO TOMAR NO .." Nesse momento, apareceu a Lia na minha frente. Era um desastre total. Meus amigos, enfim, me largaram. O Fred disse à ela: "Lia, este é o João. João, essa é a Lia." E ela, passado o susto, ficou rindo e me cumprimentou. Trocamos dois beijinhos, eu disse o "oi" mais tímido do mundo e dei um sorriso amarelo. Que bonito era vê-la sorrindo pra mim. Todos ficaram olhando para ver o que ocorreria. O pior era isso, eu também não sabia o que dizer. Não poderia chegar "Oi, você quer ser minha namorada?".
Não a conhecia, não tinha assunto para falar com ela. Ficamos em silêncio até minha bexiga me lembrar de algo grave que estava por acontecer. E falei pra ela: "Bom, tenho que ir ali no banheiro. Tchau!" E saí correndo. Notei que todos ficaram rindo, inclusive ela. Mas não tinha tempo para me preocupar com isso, fui ao encontro do vaso sanitário e me senti verdadeiramente feliz com isso. Quando terminei, tive tempo para voltar a sentir vergonha. Não poderia voltar lá, seria pior. Melhor seria esperar o intervalo acabar, para que eu pudesse ir até a minha sala sem encontrar com a Lia no caminho. E assim o fiz.
.....
Quando saí do banheiro, fui devagar para ter certeza de que não havia mais ninguém nos corredores. E não havia mesmo. Só que eu passei mais tempo do que deveria fora da sala. Abri a porta, e 90 alunos, a professora e o diretor ficaram me olhando. O diretor havia ido na sala falar alguma coisa sobre o mal comportamento da turma. Abaixei a cabeça e fui andando devagar até a minha carteira, esperando que todos me ignorassem. Nesse momento, o diretor falou "Estão vendo? Olha a hora em que o rapaz chega na sala!" Notei que todos continuavam olhando pra mim, e alguém lá atrás gritou "Ele tava cagando!" Todos riram, o diretor olhou pra mim e perguntou "Por que esse atraso? Você não sabe que tem um horário pra entrar na sala?". Resolvi ser franco "É que eu tava com um problema.." E coloquei a mão na barriga e fiz uma cara de triste, certo de que ele entenderia.
Minha sala era o circo e eu era o palhaço. A teoria do cara que havia gritado lá atrás, sem querer, havia se confirmado, por bobeira minha de não ter especificado o que fui fazer no banheiro. Vermelho de vergonha, sentei na carteira e abri a apostila. Nesse momento, o diretor resolveu falar sobre outro assunto e eu finalmente fiquei em paz. Não conseguia acreditar que meu dia havia sido tão vergonhoso.
Devo ter atirado rochas na cruz, certamente.
Apesar de tudo, sentia uma certa alegria. Havia falado com a minha musa, bem ou mal. E ela, bom, ela sorriu pra mim..
Er... oi
A forma mais fácil de começar esse blog (as pessoas ainda começam blogs, veja só), é me apresentando e falando a proposta dele: Meu nome é Maximiliano, mas pode me chamar de Max, que até eu me atrapalho para falar meu nome. Tô no 1º ano de Jornalismo aqui na USP e trabalho numa locadora. Eu e o João, vamos escrever aqui um pouco sobre relacionamentos e essas coisas. Não que a gente seja muito esperto sobre isso. Aliás, já vai um aviso: se você cair aqui buscando "como paquerar uma gata?", pelo Google, sinto muito dizer, mas o melhor a fazer é clicar no "x" ali no canto superior direito. Não que eu seja grosso, mas é que a gente não tem essa informação aqui, sabe? É como chegar numa concessionária Ford:
- Ei, me vê uma Coca Cola?
- Hm... desculpa senhor, mas é melhor ir ali no ambulante do lado de fora. Pode trazer uma pra mim também, tá um calor hoje...
Acho que é melhor eu voltar um pouco no meu racicínio: escrever não sobre relacionamentos, mas sim como a gente tem dificuldade para descolar um. Sabe, eu sou tímido pra caramba. Eu sou educado, procuro conhecer as coisas, conversar com as pessoas, ser gentil... mas não cola, não rola, não dá certo. Não é exagero aquilo de "ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor..." Eu até queria que fosse. De verdade.
"Relacionamento amoroso.", que expressão bonita. Poderia vender na farmácia, né?
- Eu vou querer um Cebion, uma pastilha Valda e um relacionamento.
- Ah, muito bom, passa ali no caixa, escolhe o seu relacionamento.
- Vou querer um pacato e cheio de apelidos bobos que os casais trocam.
- Hm... - o vendedor calcula -, isso, mais o Cebion e a pastilha Valda, dá R$ 17,90.
Se tudo fosse assim, eu estaria feito.
@ "Lá vem, lá vem, lá vem.. de novo. Acho que estou gostando de alguém." Legião Urbana - Giz
Meu nome é João Eduardo, tenho 17 anos, e estou cursando o 3° ano do 2° grau. Nada que vocês não pudessem descobrir dando uma simples olhada no meu perfil ao lado. Resolvi criar este blog com um amigo, o Max, depois de pensar que a minha vida parecia uma comédia romântica, que nunca chega à um final feliz. E, se é uma comédia romântica, porque não ter um público para acompanhá-la?
Eu procuro alguém, sim, como todo mundo. Pelo menos pra mim não é nada fácil. Já passamos da metade do ano. Mas meu coração parece já ter sido flechado. Chama-se Lia, é linda, simpática. Tudo que eu sempre quis. Nunca falei com ela, sou muito tímido. Ela estuda em outra sala, são 4 salas do mesmo ano no meu colégio. Em cada uma, são mais de 70 alunos. Eu sou só mais um entre tanto outros. Não sei se o mais loser, não sei se o mais infeliz. Acho que não, sou alegre por muitos momentos. Tenho amigos, família, vivo bem. Eu sou feliz, até que em determinado momento eu sinto um vazio. E penso que a Lia poderia completar este vazio. Não sei se ela tem namorado, nunca a vi com ninguém. Ela deve me conhecer de vista, mas não fica me olhando, logo, não deve estar interessada. Hoje, finalmente, decidi tomar uma atitude. Falei com um amigo, o Fred. Ele a conhece. Pedi pra ele me apresentá-la. Sei que vou morrer de vergonha, mas tenho que fazer alguma coisa. Ele faria isso hoje, não fez, mas disse que de amanhã não passa. Estou ansioso. Quem sabe assim ela não me nota?


